09 fevereiro 2007

ACABEM COM A PORCARIA DAS PRAXES!



PRAXE EM MAFRA


Médico confirma violência

“A aspirante de Infantaria sujeita a praxes militares, que o Expresso noticiou na semana passada, chegou ao hospital de Barcelos em estado de choque, com equimoses e nódoas negras por todo o corpo. “Tinha marcas de violência e disse que lhe tinham batido, incluindo na cabeça”, confirmou o médico que a assistiu naquele hospital. A militar parecia estar na iminência de um ataque cardíaco ou um AVC e tinha marcas de pontapés e agressão com coronhadas”

Notícia hoje vinda no “Expresso”

Ora esta notícia aqui veiculada por este Semanário, não seria novidade para ninguém, não fora o facto de esta aspirante de infantaria ser mulher. Como é sabido, essa prática estúpida, sempre se realizou nos quartéis. Com o conhecimento mais ou menos aceite por toda a gente, como normal. Só que outrora…eram só mancebos homens, pouca relevância davam a essa situação. Agora, como “calhou” a uma mulher, já se tornou relevante, e ainda bem que sim!
Porque esta história das praxes, sejam elas militares ou académicas, é a pior estupidez que pode existir. Mas o irónico destas situações, é que todos falam, e todos consentem! Só quando a coisa corre para o torto! É toda a gente faz barulho!
Acabe-se de uma vez por todas, com a porcaria das praxes ! Para que não tenhamos que lamentar. mais casos como este.

9 comentários:

Abssinto disse...

Calha a todos, homens ou mulheres. Desta vez alguma coisa pode ser mudada. De que não se fala muito também é das torturas de sono, dos duches de água fria em pleno inverno porque não há água quente canalizada, dos coopers com as mochilas cheias de terra e de pedras, etc, etc.

A. João Soares disse...

Tem toda a razão o Mário Margaride e o Abssinto. Apesar de sermos um povo de brandos costumes e adoração pelas tradições, devemos ser dignos dos nossos antepassados que acabaram com a pena de morte e a escravatura. É altura de acabarmos com estes actos estúpídos e criminosos. A juventude não pode nem deve acobertar estas selvajarias. Há nas instruções militres situações aparentmente sádicas mas que se destinam a preparar o pessoal para situações de guerra, como o transporte das mochilas pesadas, o esforço continuado e intenso, o ruído elevado, etc. Os jogadores de futebol, nos treinos têm de ser sujeitos a esforço que lhes dê capacidade de aguentar um desafio de 90 minutos. O treino para situações de risco não pode ser feito num salão em frente a um televisor e com uma cerveja na mão.
Mas tudo isso tem de ser estudado calculado para atingir o efeito desejado sem ofender moral ou fisicamente os instruendos.
Mas a praxe em nada se compara com essas situações de treino e instrução. São selvajaria e sadismo nos estádios mais primitivos. Quem dela abusa deve ser seriamente condenado, para que fique de exemplo.
Parabéns M Margaride por aqui trazer este caso-
A. João Soares

Beezzblogger disse...

As "PRAXES" na tropa, não são tão humilhantes como na Faculdade, pois na Tropa, já à muito tempo que elas tem vindo a diminuir, mas na Faculdade é ao contrário, tem vindo a aumentar, porém existem pequenas brincadeiras inofensivas capazes de satisfazer o ego dos "Praxantes" e de não ferir a dignidade e o bom nome dos "Praxados". Enfim devia imperar a razoabilidade, na falta desta, concordo perfeitamente com a proibição das PRAXES.

Mário Margaride disse...

Estes situações acabariam, meus amigos...se todos os intervenientes se recusassem pura e simplesmente a faze-las, acabam! O problema...!É que grande parte dessas pessoas acham muita graça, principalmente nas universidades. E depois, é que se vê. É que não tem graça nenhuma!

Porque se estas situações, uma vez vindas a público, fossem investigadas e castigados os autores! De certeza que acabaríam.
O problema, é que ninguém é punido.
E para mais na instituição militar...
A culpa de certeza, vai morrer solteira!

Obrigada a todos pelos vossos comentários

Um abraço

M.Margaride

Maria Soledade Alves disse...

Mário Margaride:Alguém que finalmemte "toca" um assunto pelo qual há muito luto. As praxes são actos primitivos que apenas servem para humilhar seres humanos. Em relação às praxes académicas é ridículo um aluno do 2ºano ser chamado de Doutor e ter todo o direito de praxar a seu belo prazer um caloiro.Tenho assistido a praxes académicas onde a barbaridade, a falta de respeito e a estupidez não teêm limite. Não há que satisfazer o ego de praxantes, há sim , que recusar perentóriamente qualquer tipo de praxe.Não faz sentido ser-se humilhado por um idiota qualquer...

Beijos:MªSoledade Alves

A. João Soares disse...

No meu comentário anterior não fui muito claro, e quero fazer um aditamento esclarecedor. Sou realmente contra a forma degenerada de hoje se fazer praxe, mas não sou contra a praxe tal como ela era feita no início do século passado.

A praxe, tal como a maior parte das coisas, foi criada para satisfazer uma necessidade. A única universidade era a de Coimbra. Os estudantes caloiros saiam de casa da família ou de pessoas amigas nas cidades do interior e, ao apanharem-se longe dos pais caíam muitas vezes na moina. Um caso típico foi o histórico estudante viseense Hilário. Para evitar o desvario dos estudantes que vieram dos mesmos liceus um ano depois, os estudantes do 2º ano e outros mais idosos procuravam vigiar e controlar os caloiros. Uma das medidas era o toque da cabra (sino da torre da universidade) após o qual nenhum caloiro podia andar na rua. A vida do estudante era para estudar. Havia castigo para os caloiros infractores, um dos quais era o corte do cabelo. Os praxantes tinham uma organização bem estruturada, que até incluíam tribunais de praxe, cujo funcionamento se revestia de grande formalismo e dignidade.

Com os tempos e as modificações dos valores sociais, começaram a aparecer abusos que se multiplicaram cada um querendo ir além daquilo que sofreu como caloiro. E, de excesso em excesso, chegou-se a casos que se inserem na criminalidade. Se a praxe inicial produzia amizade e camaradagem, a actual levanta ódios e desejos de vingança.

Portanto, não me parece lógico que se pretenda acabar com a praxe «tout court», mas vejo dificuldade em fazer com que ela seja contida dentro de limites razoáveis aceites por praxantes e praxados. No entanto, há que fazer algo nesse sentido e transformar a recepção aos caloiros numa festa que crie amizades e sentido de colaboração e entre-ajuda entre os estudantes de níveis etários diferentes. Os mais novos têm muito a aprender com os mais adiantados.

Mas há que civilizar os «prémios» e os «castigos», principalmente estes, no sentido inicial das praxes coimbrãs.

Oxalá este tema seja devidamente ponderado pelos responsáveis das instituições e pelos implicados directamente nas praxes.
Cumprimentos
A. João Soares

D.A. disse...

Caros.
Segundo os doutores "A praxe serve para os alunos se familiarizarem com os colegas e com a universidade, criando amizades" dito desta maneira até parece poetico, mas na realidade eles queriam era dizer "Esta m***da apenas serve para uns egocentricos como nós que apenas querem humilhar o mais novo". Imaginem se isto se passasse num empresa...deveria ser uma festa.. sempre que alguém entrava para os quadros da empresa, perdia-se uma semana a gozar com o a pessoa em questão.
Não esquecendo que na universidade existe uma espécie de código de honra que faz com que o aluno que frequente a universidade há mais tempo (independentemente do ano em que se encontra) possa passar por cima de tudo e todos. Querem eles dizer com isto "sejam burros e andem na universidade uns 20 anos que são os maiores". Só neste país se dá poder a quem nunca merece. Ainda me lembro de um aluno da universidade Lusiada (Famalicão) que morreu depois de uma praxe que correu muito mal(se bem que nenhuma correm bem para os praxados). Também eu demonstro a minha revolta , "Que se lixem as praxes".

Comprimentos.

victor simoes disse...

Em relação às praxes, não sou adepto mas não tenho nada contra. Excepto, quando extravasa o limite do bom senso e da dignidade.

um abraço

Anónimo disse...

Domingo, Outubro 14, 2007
É tempo de praxe


Todos os anos por esta época as universidades portuguesas enchem-se de estudantes que fazem coisas ridículas sob orientação dos seus colegas mais velhos. Esta semana cruzei-me em Aveiro com um longa bicha de caloiros que vinham da ria acartando nas mãos, debaixo do sol, sacos plásticos cheios de lodo. Presumo que a intenção fosse levar aquela porcaria para a Universidade. Em Coimbra, ao pé da escadaria monumental, passei por um estudante com o traje académico que era escoltado ao caminhar por quatro colegas recém-chegados à capital da cultura universitária que o rodeavam de braços estendidos no ar agarrando a capa dele sobre a sua insigne cabeça para que esta não apanhasse sol de mais. Suponho que teria medo que o pequeno cérebro derretesse.
Chamam a isto a praxe, e a justificação dada para que os colegas mais novos se tenham de lhe submeter é a necessidade de “integração”. Só há integração para quem não fizer ondas e aceitar com humildade os tratos de polé. Os caloiros são mandados fazer figura de urso para se poderem integrar, com a promessa de que um dia também poderão ser superiores prepotentes e terão enfim o direito de mandar uma nova geração de inferiores (caloiros/lamas/lodos) fazer por sua vez figuras tristes. É a apologia da humilhação como estratégia pedagógica.
Dizem os praxistas que é bom como aprendizagem para a vida, como preparação para o mundo. Aprende-se assim a respeitar a hierarquia, preparam-se os jovens para um modelo de relações profissionais baseado não no respeito mútuo, mas nas pequeninas e mesquinhas maneiras quotidianas de lembrar quem é o superior. Um modelo onde pouco conta o mérito, onde as ideias novas ou diferentes são malvistas, no qual importante é saber lamber as botas de algum cacique. Aprende-se a obedecer sem questionar. Para que se perpetue uma cultura que promove o medo de ser o destravado da língua que comete a heresia de dizer que o rei vai nu. E que é saneado pela ousadia. A praxe é um reflexo do triste país que temos, portugalzinho no seu pior.

Publicada por João Paulo Esperança em 11:52 PM 0
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