09 fevereiro 2007

PESSOAS NÃO SÃO COISAS

Embora não seja consumidor regular de televisão, hoje 9, vi no programa da manhã da RTP1, um artista de teatro que, depois de fazer um papel de homem viril e conquistador, ao conversar informalmente com o apresentador e ao recordar velhos companheiros, emocionou-se, ficando com os olhos visivelmente húmidos. Atenciosamente, o operador de imagem rodou a câmara para outro ângulo do palco.

Pouco depois, um conhecido cronista e comentador social, apresentou várias notícias curtas recentes, começando por tecer comentários muito humanos à sensibilidade e humanidade do actor atrás referido. E ao citar a morte súbita de duas mulheres jovens (a irmã da princesa das Astúrias e uma artista americana), ambas recentemente divorciadas e a atravessar um período de instabilidade emocional referiu que elas estavam a precisar de apoio e carinho de familiares e amigos e não o receberam. As pessoas afadigadas com as suas próprias ambições e preocupações não têm disponibilidade para se aperceberem dos sinais de apelo dos amigos e não lhes deitam uma bóia oportuna e salvadora.

Não quero definir as minhas possíveis divergências pelas ideologias ou comportamentos destes dois homens, mas à semelhança de outros casos exemplares que tenho citado, não posso deixar calada a minha boa impressão destes sentimentos humanos, testemunhos evidentes de ainda haver gente a considera que as pessoas não são coisas.

Pelo contrário, para o Governo e principalmente para o ministro da Saúde, as pessoas não passam de eleitores, contribuintes, utentes, consumidores, etc. É impressionante a forma como este ministro fala de milhões de euros poupados em medicamentos, no funcionamento do SNS, no fecho de centros de saúde, de maternidades, etc., sem nunca falar de pessoas doentes e carentes de assistência, por morarem longe do locais de atendimento ou por terem de lá estar às três da manhã arriscando o agravamento da sua doença, ou as filas de espera que acabam por convocar pessoas que entretanto morreram, ou de bebés que nasceram em ambulâncias sem condições adequadas por ter sido fechada a maternidade ao pé de casa, do doente que morreu depois de andar horas em ambulância, como bola de ping-pong entre Lisboa e Peniche, ou de outras pessoas que morreram depois de horas em viagem para chegar de Odemira a Lisboa.

Temos que tirar o chapéu perante todos os que falam das pessoas como seres humanos e não como coisas ou simples números. Haja humanidade e amor ao próximo.

3 comentários:

Beezzblogger disse...

Estou completamente de acordo, pois de facto este Ministro, e outros que mais, já andam a meter nojo, perdoe-me a expressão, pois tratam todos nós como se efectivamente fosse-mos bonecos, ou pior, como se fosse-mos um pedaço de nada.

Abraços do beezz

Maria Soledade Alves disse...

Amigo João:Antes de mais muito obrigada por todos os seus mails.
Em relação ao programa de televisão e ao actor em questão não posso pronunciar-me, pois televisão não é um dos meus maiores entretenimentos, mas bem haja as pessoas que souberam contornar casos sensivéis.Agora em relação ao caos na saúde,amigo, mais parece tudo surreal!!Tal como diz o Beezz nas mãos desta gente que "trata" de nós somos realmente um pedaço de nada. Concretamente, quando "vestimos" o papel de doentes, somos sómente mais um caso, um número, deixamos de ser humanos.Importa bons resultados sim, mas sómente por uma questão de prestígio, de vitória profissional muito necessária para somar uns bons pontos ao curriculum
sempre tão necessário.Mas, porque há sempre um mas, não há regra sem excepção, e ainda conheço boa gente que luta por um serviço de saúde digno, embora os resultados esbarrem sempre de encontro ao...nada!!Os valores da humanidade está a caír em pedaços dando lugar ao egoísmo, ao egocentrismo.A verdade amigo é que o humanismo hoje em dia é uma mão cheia de...nada!!

Beijos:MªSoledade Almeida

A. João Soares disse...

Amigos Beezz e Maria Soledade,

Obrigado pela vossa atenção para este tema. Sem dúvida que os médicos e enfermeiros actuam com a humanidade que o sistema lhes permite, muitos com tal destaque que são considerados autênticos santos.
Mas o que é criticável é o sistema existente: as filas de espera, as marcações que exigem estar muito cedo à porta das urgências, para ser atendido no próprio dia, as convocações muito após a morte, o custo de medicamentos, etc. Agora está a falar-se em mais um imposto, para a saúde.

Os políticos só pensam em dinheiro e tiram cada vez mais aos que já pouco têm. Mas vemos que os nossos impostos vão para o enriquecimento ilícito de políticos que rejeitaram propostas de Cravinho e correram com ele para longe. Mas além do ilícito, os políticos a coberto de legislação à medida dos seus interesses, vão recheando a carteira de forma chocante quando se compara com as carências da maior parte dos portugueses.

Como iremos melhorar esta situação tão degradada?

Cumprimentos
João

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