26 fevereiro 2007

A ESCOLHA

Muitas vezes cansados de procurar, cansados de ter encontrado (ou pensar que encontraram), os crentes ficam desiludidos porque pensavam encontrar a resposta às suas necessidades dentro dos ‘grupos’, pensavam encontrar a perfeição, o total acalento para as suas dúvidas.

Para sua desilusão, depois de frequentarem uma ou várias religiões, ou ‘grupos’ chegam à conclusão que na base, os problemas são os mesmos; guerras pelo poder dentro do grupo, seja ele pequeno ou grande, hipocrisia, mentira, e tudo aquilo que o ser humano possui em maior ou menor grau.

Se nos debruçarmos sobre o assunto, chegaremos à conclusão que isso é muito que lógico acontecer, pois o ‘grupo’ é formado por pessoas em evolução (imperfeitas portanto, e com erros de carácter por melhorar e resolver). Assim, um ‘grupo’ é consequentemente o reflexo daqueles que fazem parte dele. O que imerge a par daquilo que se pretende concretizar (idealismos com base naquilo que está são dentro do homem), e aquilo que é professado (muitas vezes com as melhores das intenções, outras como instrumento dissimulado dos homens que lideram esses ‘grupos’) é afinal, e muito logicamente o colectivo dos erros de carácter e também a faceta boa e positiva que todo o ser humano possui.

Um dia ouvi alguém dizer: “A igreja é como um Hospital; as pessoas entram aqui doentes para virem ser curadas.”

Claro que podemos aplicar isso a qualquer grupo. Onde existem pessoas, existem pessoas com algo ‘doente’ dentro de si, e também com outra parte já curada. Se estivessem totalmente sãs, seriam a própria Verdade, se estivessem completamente ‘doentes’ já teriam morrido.

Mas cuidado, porque as imperfeições humanas não deverão ser motivo para alguns lideres, chefes de igrejas, de seitas ou qualquer tipo de grupos, usarem essa desculpa para justificarem as suas acções diante dos seus membros, desculpando-se assim das suas atitudes malévolas, e/ou ainda mais grave manipular de tal maneira as congregações levando-as a agir como burros com duas palas, incapazes de olharem para outro lado que não seja só para aquilo que o líder ou chefe aponte, incapacitando assim, cada vez mais, as pessoas de pensarem por elas próprias.

O problema é que as pessoas estão cansadas de procurar um ‘porto de abrigo’ que os acalente das frustrações, traumas e desilusões do dia a dia, e por isso quando entram para uma congregação, religiosa ou não, estão tão desesperadas e carentes que baixando as barreiras se entregam de corpo e alma, pensando que aí vão encontrar a resolução imediata e total, para os seus problemas e necessidades, e afinal encontram sempre a mesma coisa; gente a precisar de ser curada.

O maior perigo está, muitas vezes, afinal, no sítio em que pensam encontrar ajuda para resolver os seus problemas ou resposta para as suas perguntas, pois sedentas de encontrar, ficam fragilizadas, e é na fragilidade que aparecem aqueles que se alimentam do seu ‘sangue’.

Não é errado procurar, nem fazer parte de algo. Errado seria baixar os braços, desistir de encontrar, de se esforçar para ser melhor a cada dia, de aprender, de adquirir conhecimento, de pensar por si próprio desistindo de usufruir da grande maravilha com que fomos habilitados; a capacidade do livre arbítrio. Mas importante é estar lúcido para se ‘comer’ aquilo que se quer.

Podemos beneficiar da opinião de homens sábios e rejeitar as ideias e discursos dos tolos (que pensam ser os únicos detentores da Verdade), mas tudo isso deverá ser sempre um trabalho de escolha individual, onde o livre arbítrio é um marco nosso que nos valoriza.

A capacidade do livre arbítrio com que fomos munidos, deve permitir-nos ver mais além, não estagnar, não deixar que sejamos manipulados, ter um espírito crítico e por consequência evoluir e crescer.

3 comentários:

MRelvas disse...

Amiga Alexandra,

a solidão leva à descrença e consequentemente à busca de algo.

A solidão encontra-se dispersa cada vez mais na sociedade de consumo, em que o convívio entre os familiares, os amigos se perde.Entre os doentes, os desempregados, entre os mais velhos, enfim...

Se perde na busca de outras culturas globalizadas. Na busca daquilo que em nós não tem tradição e se perdem as raízes.

Cuidado com aqueles que pedem dízimos, pois aproveitam-se de quem sofre, de quem está só e cai na esparrela.

Tenho falado com alguns que saíram da religião católica apostólica e românica para algumas que aí aparecerem.No início vinham mais satisfeitos, mas depois...

cada um é livre de escolher a religião que professa, ou até de nem ser crente em alguma.

Eu cá continuo na minha!

Um bom tema que merece desenvolvimento.

Beijinhos
MR

papagaio da suica disse...

Nao ha religiao ha uma impossicao de ideias e medos .
Pois se cremos que existe um ser superior ,DEUS QUE CRIOU O CEU E A TERRA E ZELA POR NOS CADA DIA SE ASSIM O PEDIRMOS ORANDO.
nossas preces serao atendidas sem ser precisso dar nada a ninguem .Pois estou certo,essa e a minha conviccao,que nunca nos desampara se continuarmos no bom caminho.abraco m.o

A. João Soares disse...

Cara Alexandra,
Que subtileza a sua! Começa por falar em religião e a tónica um pouco oculta cai nos grupos. A sua valorização do livre arbítrio e do espírito crítico, só comento aquilo que se quer, é basilar e faz-me recordar o livro que costumo citar e que tenho sempre à mão «Conversas com Deus» de Neale Donald Walsch, editado por Sinais de fogo.
O Deus que nos foi ensinado, deixa ao nosso critério as decisões e depois sofremos os maus efeitos dos erros e os benefícios das boas decisões. Não podemos fazer asneiras e esperar que Deus faça o milagre de termos sorte. Não podemos comer todas as patranhas qu nos impinjam e depois sermos felizes. Não devemos comprar coisas que não nos interessam verdadeiramente só porque vinha embrulhada numa sedutora propaganda. Sou um rebelde, como os que me lêem já têm notado, e por isso, não é fácil ser aldrabado (mas não é impossível, os interessados podem continuar a tentar!!!).
Este texto, ajuda a compreender as questões que ocorreram na VOZ, por ter havido pouca serenidade no encarar os outros. O tempo cura muitos males. Amanhã tudo estará sanado.
Beijinhos
A. João Soares

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