13 fevereiro 2007

Porque me tratam com indiferença?


David, sofre de” síndrome de down”, hoje já adulto relata como venceu todos os obstáculos de discriminação social, desde da sua infância.
Era eu ainda uma criança quando senti pela primeira vez, que me isolavam num quarto escuro da indiferença. Era rejeitado pelos outros meninos sem saber o porquê. Éramos todas crianças, abarcadas na vontade de crescer, não entendia, porque se riam de mim, afastavam-se.
Perdia-me em lágrimas, perguntando-me, (que tenho eu assim de tão diferente, para que ninguém me olhe como um pedacito de gente).
Fui crescendo, quando meus pais me explicaram que eu nascera com a Síndrome de Down, consiste em um grupo de alterações genéticas, das quais a trissomia do cromossoma 21 é a mais representativa (no contexto da medicina, uma não-disjunção, pela qual esta síndrome é também conhecida), causando graus de dificuldades na aprendizagem e de incapacidade física altamente variáveis.
Debrucei-me sobre o assunto, quis saber tudo, tentei perceber o que me tornava assim tão diferente daqueles meninos que outrora me rejeitavam,
o porquê de tanta descriminação.
Sei que o meu rosto acarreta macelas aos olhares dos curiosos, rumorejam nas minhas costas a diferença de uma igualdade tão contígua...
Meus pais cobriam-me sempre com muito amor, sempre que eu chegava a casa revoltado, desesperado, eles diziam-me:
- Filho a vida não é fácil, estamos cercados pelo preconceito, pela discriminação, mas só depende de ti venceres, sobrepujares estas falhas, envolventes do ser humano que se acha perfeito tem.
Segue em frente nós estaremos sempre aqui para te amar e apoiar.
Não me segurei, tirei o curso de belas artes com muitas restrições, sem qualquer tipo de apoio. Comecei a recriar, a pintar.
O abstracto, os cinco sentidos do preconceito, fiz a tela mais bela da descriminação.
Juntei todas as cores num jardim de imensas flores, quando por fim, lancei a minha primeira exposição.
Perguntei a um ser preconceituoso se conhecia o autor.
Ele respondeu:
Porquê conhece-o?
De certo que não, mas digo-lhe uma coisa, tem um enorme talento, lá isso tem.
Eu, solenemente respondi:
Por acaso até conheço. Mas diga-me uma coisa, nesse jardim qual a flor que escolheria nessa tela?
Ironicamente com tal conhecimento, o sujeito respondeu:
Se quer que lhe diga, não sei, são todas tão belas. Cada uma tem a sua forma real de pulcritude natural.
Aliviado david, olhou-o nos olhos, sorriu e disse:
Pois é, o pintor, sou eu, espero que com o que acabou de dizer tenha aprendido alguma coisa em relação ao seu preconceito desumano...


Conceição Bernardino

6 comentários:

Beezzblogger disse...

... simplesmente belo, amiga começo com reticências, pois as reticências simbolizam para mim aquilo que eu não consigo compreender, eu sou um mero ser humano igual a tantos outros, sem preconceitos e habituado a viver na diferença, pois eu sem ter alguma dificiência, que conheça, fisíca e psíquica, também sofri na pele a rejeição, quando era miudo, e como sofri... por isso fiz uma jura, há muitos anos a mim mesmo, nunca, mas nunca fazer alguém sentir o que eu senti, se para mim foi duro, que fará para uma criança diferente e com estes problemas será?

Abraço ao David e á sua enorme coragem, e a si minha amiga, por eu ter conseguido lembrar-me de um fantasma, já há muito banida do meu ser.

Abraços do beezz

PSousa*Bancada Directa* disse...

Simplemente Brilhante o texto, pois estas diferenças só acontecem aos olhos, pois por dentro não existem nenhumas, e oser humano infelizmente como muito pelos olhos...

Assim é maravilhoso viver..

Abraço

Isabel-F. disse...

Maravilhoso o texto Conceição.
Parabéns pelo texto.
Parabéns ao David.

Bjs

Lusófona disse...

Não,e mil vezes não a discriminação seja ela qual for...

É necessário saber viver, conviver e aprender com as diferenças.

Lindo texto!

Bjs

Mário Margaride disse...

Não é novidade nenhuma infelizmente, este caso que aqui retratas.
Há muitos e muitos, iguais ou parecidos, que padecem desses mesmos preconceitos.

É a triste realidade não só em Portugal, como um pouco por todo o lado...

Beijinhos

Mário

MRelvas disse...

Cara amiga Alexandra,

a sociedade é hipócrita.Alguém tem duvidas?Eu também tenho culpas e apesar de ser uma pessoa sensível e preocupado com todos talvez a deficiência seja um toque de midas que me aconteceu.Estou com todas as famílias e chegam-me casos horríveis.Ainda ontem uma Mãe me telefonou para o telemóvel a partirdo seu telefone fixo e arranjou o meu nº no Hopsital de Braga onde tenho uma reportagem de um jornal de uma entrevista que dei sobre o autismo e sobre as problemáticas dos mesmos e suas famílias e esteve hora e meia a falar comigo.Tentei acalmá-la e dizer-lhe algo de positivo para a incentivar. Depois liguei para uma assitente social para que averiguasse os problemas na escola do filho com 12 anos, com síndrome de Asperger e considerado sobredotado em história e ciências, mas com problemas enormes na motricidade fina e outros tal como erros em português crassos.Ele tem ido parar ao hospital e ficado internado.Toma dois calmante/bemziodazepinas pesados entre eles o diazepam e o famoso Risperdal...e ainda outro que não me lembro.Ou seja anda pedrado e não quer ir para a escola.Tem sido agredido por outros alunos e mal tratado por professores que não sabendo do asperger, pensam só ter a mania que sabe tudo...os pais são culpados por não aceitarem o problema e divulgá-lo sem receios.Tenho a certeza que não acabariam as desgraças, mas acho que na escola já o veriam com o problema real e não como um maluco sobredotado!

Aqueles pais sofrem duas vezes.Não têm apoio, mas também não o querem!!

Pediu-me a mim a chorar em gritos desvairados de ameças aos governantes deste país...e outras coisas sobre associações e sobre a mentalidade tacanha dos bracarenses.

Mas tal como digo, só podemos evoluir e ajudar "se aceitarmos o que não pode ser mudado e mudar aquilo que pode ser"

Um beijinho amiga Alexandra e bem haja por este post.

Mário Relvas

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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