03 fevereiro 2007

GUINÉ-BISSAU: TRABALHAR PARA A MUDANÇA!













GUINÉ-BISSAU: TRABALHAR PARA A MUDANÇA!

Por: Fernando Casimiro (Didinho)
didinho@sapo.pt
03.02.2007

As últimas semanas serviram-me para uma radiografia à estrutura de sustentabilidade da casa comum dos guineenses e porque não, dos amigos da Guiné-Bissau, no sentido de uma nova avaliação sobre os efeitos consequentes das eleições presidenciais de 2005 que possibilitaram o regresso do ditador Nino Vieira ao poder na Guiné-Bissau.
As eleições presidenciais de 2005 constituíram um marco negativo na trajectória de mudanças positivas que a pouco e pouco se vislumbravam em vários sectores de actividades do país, sendo que, contribuíram decisivamente para a divisão dos guineenses e, por conseguinte, para o ressurgir de fissuras que têm enfraquecido, cada vez mais, os alicerces da Pátria-Mãe.
As eleições são importantes para a credibilidade da democracia, mas não sustentam, pelo simples significado do acto, as motivações permanentes que o processo democrático, no seu todo, define como sendo os princípios da democracia.
Na Guiné-Bissau, a democracia é um processo de conveniência, como também o é noutros países, por isso, não se deve ficar indiferente quando os donos do poder (não da terra), que não sabendo interpretar os princípios da democracia se intitulam de democratas e tentam manipular os conceitos universais da democracia dando "voltas" ao povo e esquecendo-se que esse mesmo povo, tendo o poder, simboliza o verdadeiro conceito da democracia!
Falando de eleições e num momento que se pretende e se justifica como sendo de mudança, convém relembrar que as próximas eleições legislativas na Guiné-Bissau deverão acontecer entre Outubro e Novembro de 2008, conforme estipula a lei eleitoral, enquanto que as eleições presidenciais terão lugar em 2010.
Quer para as legislativas, quer para as presidenciais devemos considerar desde já a urgência na definição de estratégias para que a mudança seja uma realidade e fruto da vontade de todos os guineenses que amam realmente a Guiné-Bissau.
Para que a mudança seja uma realidade é preciso derrotar já em 2008 o (des) governo do ditador Nino Vieira e em 2010 o próprio ditador.
Considerando-me apartidário não condiciono no entanto a minha liberdade de análise sobre questões partidárias e nesta luta pela mudança na Guiné-Bissau decidi fazer análises político-partidárias sempre que assim o entender.
No trabalho de hoje a referência é ao PAIGC partido político e também à Sociedade Civil da Guiné-Bissau.
É preciso trabalharmos para a mudança!

PAIGC - O PESO DA RESPONSABILIDADE HISTÓRICA

Um partido de abrangência nacional, o partido que dirigiu a luta e proclamou a independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. O partido dos combatentes da liberdade da pátria, das mulheres, da Juventude e dos pioneiros da Guiné-Bissau. O partido de todas as etnias e credos, de todos os extractos sociais e culturais, o partido que já foi referência da maioria dos guineenses, tendo estado no melhor e no pior nos registos de avaliações governativas e que, por isso, carrega o peso da responsabilidade histórica que lhe compete assumir no seu percurso de meio século de existência.
Um partido em crise, sustentado pela grandiosidade, pela expansão e pelo reconhecimento das suas linhas ideológicas definidas por Amilcar Cabral e que se tem colocado manifestamente a favor da luta pelas causas do povo guineense no sentido da mudança.
O PAIGC no entanto, devido à sua crise interna provocada pelo regresso de Nino Vieira tem sido submetido a várias provas no seu percurso como partido político de abrangência nacional, sendo que nem sempre tem conseguido resolver de forma satisfatória as disputas com que se tem deparado quer com militantes dissidentes, quer com instituições da República, concretamente com os tribunais, nas várias disputas em que se tem envolvido.
Um PAIGC dividido interessa a Nino Vieira que pretende eternizar-se no poder, servindo-se da divisão do próprio PAIGC para patrocinar uma nova direcção do referido partido no sentido de ter garantias de uma base alargada que consiga vencer as legislativas de 2008 e apoiá-lo nas presidenciais de 2010.
Se tomarmos em conta que o (des)governo em funções não é fruto de qualquer coligação eleitoral mas sim de uma acção de imposição estratégica de Nino Vieira com a criação do Fórum de Convergência para o Desenvolvimento (FCD) e a demissão do governo legítimo do PAIGC saído das eleições de 2004, estaremos em condições de concluir que:
Face a possíveis oscilações futuras dos partidos que fazem parte do Fórum de Convergência para o Desenvolvimento, PUSD e PRS e que foram simplesmente usados como um meio para a estratégia do golpe institucional engendrado por Nino Vieira para demitir o governo legítimo do PAIGC, a aposta do general ditador passa pela "conquista" do antigo partido único do qual também já foi presidente, como garantia de vitória nas urnas e o fim do Fórum de Convergência para o Desenvolvimento que, por não ser um partido político não participará nas legislativas e os membros dos partidos nele representados terem que fazer campanha a favor dos seus próprios partidos, que também estarão interessados em apresentar candidatos para as presidenciais de 2010.
As crises por que passa o PAIGC são estratégias que visam sobretudo derrubar a actual direcção do partido e possibilitar a ascensão de uma direcção que sirva os interesses de Nino Vieira. Uma direcção do PAIGC submissa ao general ditador colocaria de imediato o PAIGC no melhor dos seus piores momentos e ao serviço da ditadura ao invés da democracia.
Num momento particularmente difícil do PAIGC aquando da tentativa de detenção do seu presidente Carlos Gomes Jr. em Janeiro passado e o seu refúgio na delegação das Nações Unidas em Bissau, viu-se que as crises internas enfraqueceram realmente o partido.
Se não se pode falar em indiferença, pois houve várias reuniões do seu Comité Central e do seu Bureau Político no sentido de uma condenação ao mandado ilegal de detenção do seu líder, pode-se dizer no entanto que, de um partido com a grandeza do PAIGC se esperava muito mais do que simples comunicados de imprensa dando conta da solidariedade do seu Comité Central e do seu Bureau Político para com o seu presidente Carlos Gomes Jr.
Viu-se que faltaram iniciativas e dinamismo ao PAIGC que deveria reagir vigorosamente contra o mandado de detenção do seu presidente, exigindo responsabilidades e alargando a expressão de solidariedade para toda a sociedade civil e ao povo guineense em geral. Perdeu-se uma grande oportunidade no sentido de se unir o povo guineense para a defesa das suas causas, concretamente: direitos, liberdades e garantias dos cidadãos!
O PAIGC tem demonstrado muita passividade e não tem sabido tirar proveito da sua abrangência a vários níveis, sendo que tem sido acusado da morte de militantes do PRS aquando da campanha das presidenciais de 2005 como sendo um acto contra a etnia balanta, quando o próprio PAIGC é um partido com milhares de militantes de etnia balanta e não consegue ser convincente na clarificação dessas mortes, o que o penaliza perante o eleitorado de etnia balanta.
Requer-se um maior dinamismo na liderança do PAIGC caso se pretenda uma relação mais próxima com o eleitorado guineense no sentido da derrota da ditadura nas próximas eleições.


SOCIEDADE CIVIL - MAIS VOZ, MAIS ACÇÃO!

Elogia-se o o empenho e a concertação das várias organizações que fazem parte da sociedade civil da Guiné-Bissau.
Não é fácil juntar tantas vozes numa só voz, tem se conseguido isso, o que demonstra coerência na análise e no debate sobre as questões nacionais.
Uma demonstração inequívoca da consciencialização sobre a necessidade da defesa de causas comuns a todos os guineenses.
Cabe no entanto implementar novas formas de acção dentre elas a sensibilização da Comunidade Internacional para a solidariedade com os os guineenses que têm sido sujeitos a atropelos de vária ordem na sua própria terra.
Não se compreende que a plataforma da sociedade civil que agrupa entre várias organizações, a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) não consiga criar um espaço na Internet no sentido de dar voz à Liga Guineense dos Direitos Humanos, uma necessidade permanente que se exige mais do que outras organizações e que teria um impacto positivo quer no acompanhamento das actividades da Liga quer na avaliação da situação real dos Direitos Humanos na Guiné-Bissau por parte de qualquer pessoa desde que acedesse a esse espaço electrónico.
Desde já disponibilizo-me para alojar ou criar e alojar um espaço para a Liga dos Direitos Humanos da Guiné-Bissau, sendo que caberia à Liga unicamente a responsabilidade das documentações e notícias a publicar bem como a sugestão do modelo de espaço a construir.
Uma maior aproximação da sociedade civil da Guiné-Bissau às associações e comunidades guineenses na diáspora seria uma iniciativa positiva no enquadramento de acções comuns de apoio às causas nacionais.
Há que fomentar intercâmbios nos diversos sectores de associativismo ou de envolvência comunitária para que a acção e responsabilização no tocante à participação de todos os guineenses na construção de uma nova Guiné-Bissau não seja apenas de quem está no país.
Cabe igualmente à sociedade civil impulsionar o relacionamento com os chamados amigos da Guiné-Bissau que cada vez mais são em maior número e que estão sempre dispostos a colaborar de uma ou de outra forma para a melhoria das condições de vida dos guineenses.

4 comentários:

Bendix2006 disse...

Viva Didinho. Este teu post, é um verdadeiro exercício da cidadania e uma demonstração de amor à pátria. Por certo que este exercício não seria possível em território da Guiné-Bissau, onde as liberdades de expressão são continuamente ameaçadas e restringidas. Em relação ao possível, julgo que só com grande solidariedade, entre as pessoas de espírito aberto e livre, na união e convergência de esforços, o povo Guineense poderá atingir a maturidade democrática e aí sim, permitir um salto na qualidade de vida do povo Guineense.

Um abraço de Portugal, para todos os Guineenses.

victor simoes disse...

Concordo com a exposição de raciocínio efectuada neste post. Na verdade, não podemos confundir donos do poder, com donos do país. Na verdade muitos democratas da onça e outros pseudo-democratas, confundem as coisas e julgam-se donos da pátria. Em Portugal, apesar de vivermos uma democracia formal, alguns desses falsos democratas, também incorporam o caciquismo "bacoco" e julgam-se donos do País.
Em relação à Guiné, só mesmo pela via democrática o povo Guineense poderá lutar contra os déspotas e ditadores. Só pela força do voto, poderão combater o totalitarismo e caminhar em direcção a uma veradeira democracia.
Para que isso seja possível, é necessário a formação e informação.
Força Didinho.

MRelvas disse...

Caro Didinho,um texto sério,realista e apontado ao futuro.

Continue!

Coloquei este texto no Passa-Palavra,Jornal dos Coamndos na net.

Um abraço

Mário Relvas

Didinho disse...

É isso tudo amigos, a Guiné-Bissau agradece e os guineenses prometem continuar a trabalhar para que o futuro seja melhor.

Muito obrigado por toda a solidariedade manifestada.

Caro Mário Relvas, tomei a liberdade de adicionar o endereço do passa-palavra à secção links do www.didinho.org

Cumprimentos a toodos

Didinho

Prémio

Prémio
Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

Indicadores de Interesse

My Popularity (by popuri.us)

DESDE 11 DE JUNHO DE 2010

free counters

Twitter

eXTReMe Tracker

Etiquetas