26 novembro 2006

DÚVIDAS E CERTEZAS - DIVAGAÇÕES

Seria interessante «jogar» em verso com o colega blogger Mário Margaride, sobre este tema por ele abordado, mas para isso não me ajuda o «engenho e arte» citado pelo épico da viagem de Vasco da Gama. O tema é interessante e assediante para qualquer mortal, mesmo que desprovido de vocação literária e filosófica e amarrado ao pragmatismo das frases no positivismo das realidades palpáveis.

As certezas ou as verdades são ponto de equilíbrio, quase ficção e virtualidade, dependentes de preconceitos, posições ideológicas ou religiosas que, tal como as bicicletas, apenas se aguentam em situações especiais e precárias.

Galileu Galilei (1564-1642) foi condenado à fogueira por defender precocemente uma certeza que contrariava a certeza «politicamente correcta» na época. Os detentores da verdade ou das certezas são defensores acérrimos da situação vigente e opostos a qualquer mudança, alteração ou reforma. São os criadores e protectores do pântano e da putrefacção das águas paradas. Quem diz só ter certezas e não saber o que são dúvidas ou mente ou tem o cérebro árido, conformado, sem inovação, criatividade e arte, isto é, sem vida. Mas tão perigosos como esses são aqueles que acordam pela manhã com a «ideia milagrosa» que «de certeza» vai ser a solução ideal para o problema, não admitindo críticas nem reflexões sobre outras hipóteses de solução, avançando em linha recta para baterem com a cabeça no muro ou despenharem-se no precipício. A convicção de nunca ter dúvidas é tão nefasta como a ilusão de estar na posse total da verdade, da certeza, principalmente quando essa posse é exclusiva deles.

Se a certeza pode ser inibidora da mudança, da acção e da progressão ou pode levar à precipitação imponderada, a dúvida, por outro lado, conduz a movimento reflectido, ponderado, na busca de soluções que a reduzam à expressão mais simples. O cientista, o sábio não sabem o que são certezas. A dúvida é a mola que impulsiona o cientista, o gestor, o governante para a investigação, com vista à persistente aproximação da certeza e da verdade, o que se processa por etapas sucessivas, sem nunca terminar. A permanente angústia da incerteza é produtiva, é o motor que faz avançar na estrada da vida porque há a esperança de, para lá da curva, poder estar a solução que se espera e deseja.

Na preparação da decisão, esta raramente assenta, do ponto de vista filosófico, numa certeza, mas sim na hipótese que, de entre todas as possíveis, apresenta um saldo mais positivo no balanço de vantagens e inconvenientes. Isto significa que a decisão abrange um grau de dúvidas, por vezes elevado, aceitando um risco de erro maior ou menor, pelo que quem não tiver coragem para aceitar o risco, acaba por cair na paralisia da indecisão, acolhendo a «certeza» da situação vigente e recusando a mudança.

Parece, pois, poder concluir-se que entre a certeza e a dúvida, será mais salutar preferir esta, definir os seus contornos e investigar no sentido de lhe reduzir as dimensões, na busca de um caminho que aproxime da certeza, do ideal, do objectivo desejado como alvo da acção.

4 comentários:

MRelvas disse...

O que nos move são as dúvidas,as incertezas,a busca!

"Só sei que nada sei"

No entanto o homem precisa de descobrir algumas "certezas-verdades",batalhar por elas e ambicioná-las com coerência!

Mário Margaride disse...

Ainda a propósito da minha curta reflexão "DÚVIDAS, E CERTEZAS", escrevi este curto texto com um objectivo. Tentar dizer ás pessoas, que há concerteza certezas, em relação ás quais não temos dúvidas. Como por exemplo existirmos, estarmos vivos! Essa será uma certeza que ninguém porá em dúvida. senão...não estaríamos aqui a comunicar uns com os outros. Logo...essa é uma verdade que se sustenta por si própria. Agora as dúvidas que temos, e que por muitas explicações que tentemos para compreende-las, não conseguimos. Essas é continuam insustentáveis.
Como exemplo mais óbvio. Quando, e como morremos, e o nosso amanhã, como será...?
É sobre isto essencialmente, a minha reflexão.
Um abraço
M.Margaride

david santos disse...

Ó Amigo João Soares! Isto caiu no poço, mesmo no fundo. Não há dúvida que se não duvidarmos e mantivermos só as nossas certezas, salvaguardando motivos e circuntâncias, não passamos de (cilindros) dogmatizados. Mesmo a dúvida em relação a nós próprios, quando as temos, claro está, existem. Mas este país, principalmente no meio político, só tem certezas. Estamos fritos! Não é que nós saibamos mais que ninguém, sabemos o que sabemos, tal como os outros sabem o que sabem. Mas o medo, sim o meu medo, está na juventude. Esta sim. Esta é que não se mexe e vai pagar bem caro, não só o mal que nós lhe fizemos, mas a sua própria sonolência. Eu, sinceramente, tenho vergonha de me rir destas coisas, mas a verdade é que estamos a cair num desleixo total e quando dermos por ela, andamo-nos a rir. Achar piada a tudo o que se ouve e se diz.
Hontem apercebi-me duma coisa que julgo fundamental para o futuro deste país: se deixarmos de falar de política, principalmente, aqueles que conhecem um pouco de tudo, isto país desaparece. É que ninguém para um segundo que seja, para pensar. Já sabe tudo. Mas se não souber, não é por aí que a gata morde o gato. Tudo bem na mesma. Embora saibamos que há um monte de situações que dão origem a que as pessoas se auto-limitem, empregos, famílias para manter, insegurança, tudo isto tem que ser levado em linha de conta, mas quando homens como nós e imbuídos dos mesmos privilégios, não têm coragem de falar ou medo, estamos no fundo: perdidos. Um abraço, Grande Amigo.

david santos disse...

Desculpe os erros, mas agora não há tempo para corrigir, estou com pressa.

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