30 novembro 2006

SEXUALIDADE

A sexualidade nos nossos dias. Não deveria, não deve, nem deverá...ser tabu. Mas infelizmente, ainda é para muitos.
E mais complicado se torna, quando essa situação acontece com os jovens, não todos, claro! Mas ainda com muitos.
E isso é culpa de todos nós, os mais velhos. Que somos pais, educadores, sociedade em geral.
Mas principalmente...das religiões, sejam elas quais forem.
Em casa os jovens, raramente falam de sexo com os pais. Muitos desses pais, seguindo um determinado tipo de educação que tiveram, e agarrados, a dogmas religiosos, castram a vida sexual dos filhos.

Impondo-lhes valores, desajustados do século 21.
E porquê? Porque também eles, foram educados, nesses valores religiosos, que também a eles...os castraram.
Tais como: Virgindade até ao casamento, que o sexo era basicamente, para a reprodução da espécie...nada de pílula, nem preservativo, etc., etc...!
Temos que ter em linha de conta, que é imperativo o ensino de educação sexual nas escolas.
Educação racional e equilibrada, em função das faixas etárias dos alunos, sem tabus, nem dogmas religiosos.

Por especialistas como, sexólogos, professores de biologia, e ciências naturais, por exemplo.
Devem ser essas pessoas, mais habilitadas, a ensinar os jovens, naquilo que têm necessidade de saber.
Mas repito! Profissionais esses, livres de dogmatismos religiosos.
Pessoas isentas. Que não estejam ligadas, nem a nenhuma confissão religiosa, nem a qualquer organismo similar.
Porque não tenhamos ilusões!
Todos sabemos que as religiões, sejam elas quais forem...condicionam a sexualidade das pessoas! Principalmente a dos nossos jovens.
É imperativo de uma vez por todas, acabarmos com o tabu da sexualidade
E ensinarmos aos jovens…a ter uma vida sexual, saudável, responsável, e sem tabus.
Temos de o fazer, já!

11 comentários:

João Titta Maurício disse...

Só um pequeno comentário à frase «Todos sabemos que as religiões, sejam elas quais forem...condicionam a sexualidade das pessoas! Principalmente a dos nossos jovens.»
As generalizações têm destas coisas. Quer o meu caro dizer que a religião que preconiza o sexo tântrico cabe na sua grelha de análise. Ou o Japão, onde na televisão e em horário prime-time podemos observar adolescentes femininas a praticar sexo oral, em directo e a cores, numa competição sobre qual é capaz de satisfazer mais rapidamente o parceiro?!? Será isso o produto da repressão xintoista? Ou o estímulo à sexualidade pedófila na Grécia antiga será produto do proselitismo religioso do panteísmo grego?
Se lê-se um pouco mais de História saberia que os constrangimentos sexuais foram a forma que as instituições (e a Igreja, ontem como hoje, era um local de eleição para essas campanhas de transmissão de mensagens - lembra-se dos padres a explicarem o euro entre homilias?) controlarem o animalesco uso e abuso das mulheres. Será que não está na hora de acabar com certas repetições ad nauseaum de estorietas que pouco ou nada têma aver com os fundamentos e a explicação das realidades. É sempre bom atacar as religiões... quando de facto se quer dizer Igreja Católica, Apostólica, Romana. E sempre com factos pouco sustentados e - na maior parte dos casos - dando cobertura a outras manifestações de religiosidade e cultura que praticam actos bem mais bárbaros e em tempos mais presentes) do que aqueles que são imputados aos cristãos.
Valores desajustado ao Sec XXI?!? Se acha normal uma filha de qualquer um de nós, com 12/12/14 anos chegar a casa quase em coma alcoólico, depois de - perdoar-me-à o vernáculo da expressão - ter "dado uma geral" aos amigos, se acha isso ajustado ao Séc. XXI eu acho desajustado a qualquer dignidade humana... quanto mais de uma criança.
Sou cristão e não me sinto absolutamente nada castrado. Pelo contrário. E se nada conhece sobre o assunto a não ser de ouvir dizer, leia "Amor e Responsabilidade", de Karol Wojtyla, escrito nos finais dos anos 50.
Fica sempre bem a malta dizer umas larachas... pricipalmente fazer listas de "ouvires dizer". No meio lá haverá uma ou outra imputação conhecida... e assim toma-se a pequena parte pelo grande e incoerente todo. Saber-me-à dizer quem e quando ouviu um reconhecido responsável teológico ou uma autoridade eclesiástica da Igreja que afirmou que «o sexo era basicamente, para a reprodução da espécie»? Ficava curioso... e esperando que não seja um mal preparado cura de aldeia no Séc. XIX, fico ansioso pela descoberta que me vai proporcionar...
Quanto à pílula e ao preervativo... leu ou ouviu falar. É que se só ouviu falar, está desculpada a ignorância. Se leu... não sei se lhe deva desculpar a preguiça de não ler os textos completos!
Quer uma educação religiosa sem tabus religiosos... mas quer uma educação que tenha o tabu de não admitir o conhecimento e a dimensão religiosa de todos os seres. Eu apenas quero poder, livremente e em condições de não discriminação, escolher a escola de acordo com o paradigma que quero transmitir aos meus filhos. Eu quero (para mim, para si, para todos) a Liberdade. A sua proposta é a sua razão, a sua ideia sobrepõe-se, totalitariamente impõe-se a todas as demais opções (que seiam proibidas e perseguidas) Porquê um ataque sem razão à Igreja e uma proposta que nada mais é do que a pretensão de ser capaz de escolher e a vontade de ter o poder de determinar o que é melhor para os meus filhos.
Para quê tanto obscurantismo?
Quer educar sexualmente os seus (filhos ou netos)? Faça o favor... mas peço que me permita o mesmo com os meus!

Porque carga de água é que acha que um sexólogo, um professor de Biologia ou de Ciências Naturais, é mais habilitado para ensinar aquilo (presumo que educação sexual) que os jovens têm necessidade de saber?!? Quem é que diz isso?
Profissionais livres de dogmatismos religiosos. Quer V. Exa dizer que um Biólogo católico (ou de outra religião qualquer) é uma aberração ou impossibilidade natural? OLhe que nã... olhe qe não!!!
E se o for, poderá ensinar?

Só uma pergunta final... e é só para que eu aprenda aquilo que tanto insinua saber (e que eu modestamente afirmo ainda andar à procura - ainda que desde já lhe garante que, se o descobrir, anunciá-lo-ei, mas jamais - Deus não mo permita! - terei a pretensão de o tentar impor ao mundo ou ao próximo): o que é uma vida sexual saudável, responsável e sem tabus?
E, já agora, uma vez que adjectiva tanto (o que pressupõe uma grelha ética e moral muito firme), em que funda tantas certezas?

Com os melhores Cumprimentos,

João Titta Maurício disse...

Disse eu que era um pequeno comentário... xiiii!

Desculpe!

Da próxima procurarei ser mais breve!

Conceição Bernardino disse...

Só um pequeno comentário:
Será que se todos olhassemos este problema de frente a podridâo não seria menor?
Será que existe alguém digno de atirar a primeira pedra em qualquer meio social, serão assim as religiões tão puritanas?
Ou será que vamos continuar a tapar o sol com a peneira?
O silêncio perdoa os pecadores...
Parabéns Mário pelo tema
Conceição Bernardino

Anónimo disse...

Amigo Margaride, muito bom texto. É bom alertar consciencias para que a sexualidade não surja como um fantasma a pairar. As diferenças existem. Importante é não ajuizar e muito menos descriminar. São opções de cada um (nem sei se o termo "opção" está correcto pq já se sabe que a sexualidade de cada qual não se elege), há que respeitar. Além disso todos um dia seremos pais, avós, tios... Saber lidar, ser humano.

abraço

MRelvas disse...

Caros amigos Margaride,J.T.Maurício,absinto,viva para todos!

Sobre este tema eu digo que falo com todos os jovens sobre o tema.Não me sinto castrado por ter uma educação religiosa,bem pelo contrário.
Perdem-se hoje valores em resultado de liberdades (libertinagens absolutas),por isso a defesa do amigo Margaride pela "descriminalização das mulheres-sim ao aborto total".Como sabe eu discordo e acho que tudo tem limites.Será a igreja responsável pelo consumo de droga?Será a igreja responsável pelo aumento da criminalidade juvenil?Será a igreja responsável pelo mau sistema de desporto escolar?Será a igreja respons+ável pelas aulas de educação cívica que não abordam temáticas do género?

Afinal amigo Margaride,a Igreja é responsável por tudo,até pelos governates que tanto critica e que constantemente se afirmam agnósticos e LAICOS!

É claro que o Margaride sabe muito bem que não.Mas repete a sua "cassete".Terá que explicar porquê...um dia!

Abraços a todos

Mário Relvas

david santos disse...

joão titta maurício, boa tarde! É com grande prazer, sinceramente que o é, em ir alinhar, penso eu, alguns dos seus preconceitos religiosos, para não dizer culturais.
Primeiro o texto. Quem escreve, como tudo na vida, pode ter a sorte de ser feliz ou não, do impacto que venha a causar nos seus leitores, mas neste caso, o autor do texto foi muito feliz. Bem haja, Mário Margaride.
No que diz respeito a este, ponto final.
«Todos sabemos que as religiões, sejam elas quais forem...condicionam a sexualidade das pessoas! Principalmente as dos nossos jovens.», palavras do meu amigo.
Pois é! O meu amigo está enganado, não confunda o monoteísmo com tudo quanto há de religiões. Sou monoteísta, nunca o reneguei, por isso estou á-vontade. Mas, atenção! Sou monoteísta, naquilo que diz respeito à paz, à amizade, à solidariedade e ao amor. Não ao crime nem à guerra. (Isto é uma ressalva que não quero ver esquecida.)«Será isso produto da repressão xintoísta?!?», disse o meu amigo. Pois é! O meu amigo confunde xintoísmo com tudo menos com xintoísmo. O que tem o xintoísmo que se relacione com com a prática sexual dos japoneses e com o que se passa nas televisões daquele país? Gostava que me respondesse a esta pergunta.
«Ou o estímulo à sexualidade pedófila na Grécia antiga será produto do proselitismo religioso do panteísmo grego?», palavras suas. E porque não do império romano e do cristianismo? Deixo isto ao seu critério. «Será que não está na hora de acabar com certas repetições ad nauseaum de estorietas que pouco ou nada têm a ver com os fundamentos e a explicação das realidades. É sempre bom atacar as religiões... quando de facto se quer dizer Igreja Católica, Apostólica, Romana.», palavras do meu amigo. Então por que razão falou do intoísmo? Não é uma religião?
Pois é! Isto agora é meu. Veja nos seus livros de história e repare na diferença: Enquanto o Xentoísmo foi criado ao longo dos milénios com base na amizade e muita perseverança, são os dados que tenho, se tiver outros diga-me, por favor, pois gosto de aprender, o monoteísmo, do qual faz parte a religião Católica, de que eu faço parte, mas nos elementos atrás referidos, foi criado a "tiro de bala", à força do crime e do desrespeito pela humanidade. Aliás, ainda hoje, todo o monoteísmo anda em guerra, a cometer crimes. Por exemplo, como Bush, um assassino que o meu amigo defendeu.
Caso queira voltar a este assunto, pois faça o favor. Estou de braços abertos para o receber. Havia mais, mas não vamos estar aqui a entrar naquilo que divagou ao longo do seu texto.
O meu amigo, pois pode ter a certeza que o considero como verdadeiro amigo, é uma das minhas práticas dentro do catolecismo, a amizade, defende pontos de vista que eu admiro, mas com uma certa imposição deles aos seus interlocutores. Isto não está certo. Reveja as suas posições, pois o catolicismo também tem coisas boas, muitas más, mas também muitas boas. Convido-a começar a praticar estas, nada de imposições.
Um grande abraço deste que o considera muito.
Sem outro assunto de momento e grato pela atenção que vier a dispensar-me, sou com a maior consideração e estima: David Santos

MRelvas disse...

Caro amigo Ma´rio Margaride,espero que não tenha levado a mal ter eu escrito a palavra "cassete"-"repetição insistente" queria eu dizer.

Sabe Ma´rio,podemos ter opiniões diferentes em várias situações,mas não diferimos numa coisa na amizade.

"Estas palavras disse-as eu em público a José saramago no Parque de Exposições de Braga quando lançou por lá passou na apresentação de um dos seus livros.Já não o via desde 1885...mais de 20 anos.


Para lá disso a amizade deve ser imtemporal.

Não leve a mal pois toco a minha cassete também,mas sabe nunca é igual,vai-se sempre aprendendo,somando,diminuindo e muita tolerância.

Já agora que falei em saramago,meu amigo Mário Margaride,saiba que um anti-cristo e principalmente um anti-clérigo Igreja Católica como ele que até utiliza nos seus discursos o diminuitivo de ISAR....por aí,disse num jornal nesta sua última ida com um conjunto de ateus que já não se sentia tão seguro do seu laicismo.

Também Mário Cezariny partiu dizendo que já se reconfortava em Deus e que quando patisse iria ter com ele...mais ou menos isto que poderão verificar ambos os casos nos jornais!!

Enfim amigo Mário,espero estar certo,mas espero que o meu amigo Mário não erre!

Envio-lhe um grande abraço de tolerância

Mário Relvas

Mário Margaride disse...

Boa noite a todos. Amigo Relvas, de modo nenhum me zango com ninguém, pelo facto de ter opinião diferente! Não é assim a minha forma de pensar.Já aprendi a conhece-lo melhor, por isso não me zango. Quanto aos comentários, são de quem os fez, têm a posição que têm, é assim em democracia e em liberdade. Não vou acrescentar mais nada. No texto, está expressa a minha perspectiva, portanto nada mais tenho a acrescentar. É salutar haver pontos de vista diferentes, na diversidade é que está a grande riqueza humana. Saibamos pois respeitar as diferenças, e a sã convivência entre todos. A tolerância e o respeito pelo outro, é um baluarte das sociedades modernas e democráticas. Saibamos pois, aplica-las.
Um abraço a todos
Mário Margaride

João Titta Maurício disse...

Cara Senhora Conceição Bernardino,
Também um pequeno comentário: nunca percebi como se pode falar de podridão e apontar o dedo à única religião que elegeu o Bem e o Respeito e Caridade pelos mais fracos como orientaão exclusiva (e desafio quem quiser apresentar fundamento teológico sério que o negue)... É claro que estou a referir-me ao Catolicismo.
Se estiver a referir-se a aplicações deficientes, erradas, idiotas do Caminho (que foi proposto por Jesus, o Deus único e verdadeiro, que - pelo poder do Espírito Santo - encarnou no seio da Virgem Maria e se fez homem) então deveremos acusar os homens e as mulheres que o fizeram e não a religião em nome e atrás da qual se escondiam.
Sem comparar (até porque não tem comparação alguma, é interessante como certas aplicações humanas de ideias humanas são atacadas para que as ideias humanas se mantenham... mas quando falamos de aplicações humanas de Caminhos propostos por Deus, atacamos o Caminho e desculpamos os homens que o perverteram...!?! Compreenderá que me pareça coisa estranha, ainda que, como diria o outro... é a vida!

Cumprimentos,



Senhor "Abssinto",
Não deixo de realçar que, no seu caso, ainda tem dúvidas... enquanto outros parecem não ter nenhumas.
Aliás, a palavra (e o tema aparente) sobre a qual tem dúvidas é interessante, pois, como reparará os próprios saltitam em termos de argumentação: uns dias é "orientação", outras é "escolha", noutras "tendência"... e assim vão fugindo com o rabo à seringa (so to speak... LOL)!

Cumprimentos,



Caro Mário Relvas
Concordo com a questão da ausência de sentimento de castração. Aliás, começo a crer que quem muito fala nesses termos realmente poderá querer exorcisar alguns fantasmas e, por necessidade de procurar uma explicação com causs colectiva para os seus problemas pessoais, amplia a questão para nesse colectivo imaginado encontrar um certo conforto.
Quanto aos valores, ao contrário do que diz... não se perderam. Basta conhecer um pouco mais de História para compreender que esta é a constante luta para conter a tendência que é natural em todos os animais. É que o também o é. Ainda que não seja apenas. E é essa a questão: muitos, porque sentem a naturalidade do que desejam, não compreendem a razão da proibição. Julgam-na uma imposição ditada pela maldade ou pela vontade de causar infelicidade. Nunca perceberam que a razão sempre foi exactamente a oposta. E que a Moral sexual só teve e tem a função de propiciar uma contenção ao nível da líbido porque há uma evidente incapacidade dos seres humanos o fazerem de per si... porque a maioria de nós (por necessidades sobrevivência e reprodução) tem implantadas, na nossa própria natureza, comandos completamente amorais que nos impelem a agir imoralmente.
Sempre achei paradoxal (ainda que compreenda a razão) porque muitos entendem que o mundo seria melhor sem que a eles fossem apostos constrangimentos ou limites morais e, porém, sempre apõem os mesmo ou outros ao resto da humanidade. Lembro-me sempre da pergunta feita pelo principal rosto da "Ninho" (apesar de não saber se a frase é de sua autoria) quando esta, debatendo com alguém que defendia a legalização dos bordéis, perguntou se, quando o questionassem sobre a profissão da filha, ele estaria disposto a responder, prostituta! O tipo encolheu-se e calou-se. Porque é muito bom a "malta" querer a liberdade (leia-se libertinagem) para fazer o que lhe apetece... desde que com os filhos e as filhas dos outros. É muito giro dizer que os miúdos no Sec. XXI não devem ter constrangimentos a, sexualmente falando, "usar e deitar fora"... afinal, estão apenas a experimentar! Excepto quando somos nós, os filhos nossos a serem objecto da "experiência"...

Abraço,



Senhor David Santos,
Obrigado pelas palavras que me dedicou. Retribuo-as no mesmo sentido e em dobro... como sempre é devido e merecido!
Sabe que, por defeito profissional, não entendo a palavra "preconceito" com o sentido pejurativo que se calhar tem para si. Principalmente porque todos, repito TODOS, vivemos e operamos por pré-conceitos (e é este o original e verdadeiro sentido da palavra).
Vamos então abordar os seus provocativos (no bom sentido) comentários:

Primeiro, a frase que citou não é minha. Aliás, está entre aspas e pertence ao texto que tão em termos tão elogiosos aqui saudou e apreciou.

Segundo, nunca confundi o monoteísmo com religião. Aliás, como bem pode verificar o xintoismo não é uma religião monoteísta.

Terceiro, é sempre bonito dizer palavras bonitas, difícil é vivê-las na plenitude. Não ouso dizer tanto como disse, nem metade do que referiu, principalmente porque confesso a minha incapacidade para ter a certeza de, em cada momento saber o que é mais próprio e adequado para, por exemplo, saber em que acto estou a defender a Paz. Sabe que eu acredito que não à Paz sem Justiça, e que quando me vêem defender a Paz pela Paz pode haver excelentes intenções, mas por vezes é sinal de cobardia, de inocentes cheios de ignorância, alguma falta de valores ou então pura traição. Não me refiro a si, claro, mas como a História ensina, muitas vezes é um desses casos. Eu, por exemplo, já fui um desses, daqueles que - com 13 anos - se manifestavam nas ruas contra as armas nucleares... sem perceber que apenas estavaa combater as ocidentais... porque as "do lado de lá do muro" eram das boas e defendiam a Paz. Pura ignorância... mas também pura canalhice e traição por parte daqueles que organizavam a dita.

(Mas regressemos ao post)

Quarto, respondendo à sua pergunta: «O que tem o xintoísmo que se relacione com com a prática sexual dos japoneses e com o que se passa nas televisões daquele país?» Possivelmente nada... mas como se dizia no texto que aqui tanto elogiou, as religiões são culpadas de tudo... ou será que não?!? É evidente - e não vejo como se pode negar - que a Moral dominante numa determinada civilização ou cultura tem uma base religiosa. Sempre! E que, consciente ou inconscientemente, os comportamentos individuais são social e culturalmente válidos na medida em que respeitem esses constrangimentos. Mesmo quando se propõe eliminar alguns constrangimentos (por exemplo sexuais) nada mais estamos a fazer do que a substituir a grelha do Bem e do Mal existente por uma outra. Era impossível vivermos e interagirmos entre nós sem uma Moral. Pois ela é a "mãe" da confiança, o filtro operativo que permite o relacionamento entre os sujeitos. E quanto menor for a aplicabilidade dessa grelha menor será a capacidade de relacionamento entre os elementos humanos de uma dada sociedade.

Quinto, estímulo à sexualidade pedófila no império romano e do cristianismo?!? Peço desculpa, mas dar-me-à a informação que dispõe para eu compreender. É que em nenhuma dessas sociedades a pedófilia foi tida e estimulada como algo não só de adequado, mas de bom! Que eu saiba... não há! Mas aqui, desde já, antecipo o pedido de desculpas e o reconhecimento da minha ignorância... aguardando naturalmente pelos elementos probatórios e inovadores com que nos vai espantar.

Sexto, falei do xintoísmo em resposta ao texto que serve de base a estas respostas cruzadas. Quem falou de religiões, quem atacaou as religiões como o mal supremo da humanidade não fui eu. E apresentei os exemplos que invoquei como provocação: queria ver se o autor entendia que estes eram comportamentos aceitáveis. Porque eles o são naquele contexto cultural, civilizacional e religioso. E se o Autor os repudiasse... então ele seria bem mais produto do cristianismo do que - acredito - gostaria de ser.
Sétimo, infelizmente (para esta discussão) estou em final de mudança de casa e não lhe posso fazer a citação correcta e perfeita (a biblioteca está numa desarrumação... e espalhada por 4 sítios), mas espero que acredite no que lhe vou dizer. Há uns 4 anos, foi publicado pela Gradiva, um livrinho de 603 páginas que se intitulava "A riqueza e a pobreza das nações. Porque são algumas tão ricas e outras tão pobres", de David S. Landes. A páginas tantas, o autor relata a entrada dos cristãos no Japão e a expansão fantástica do "rebanho de Cristo" naquelas paragens. Até que aconteceu o mesmo que em Roma: o Imperador não gostou nada de descobrir que os seus súbditos já não o estavam a adorar como o deus, mas que dirigiam as suas preces e louvores a um Deus que diziam verdadeiro e maior. Consequência? Umas boas dezenas de "desbaptismos" com sangue e espada... porque o xistoísmo era para se manter porque era mais bonito e convinha! Não estou com isto a dizer que o xistoísmo é pior ou que em nome de Cristo não se fizeram (e fazem) asnáticas barbaridades e crimes. Só que, porque eu não confundo o xistoísmo com algumas práticas que, sendo em nome dele, mais não são do que puras manifestações de razão política, da mesma maneira, perdoar-me-à, não suporto que façam afirmações grosseiras e generalistas de que o Cristianismo foi «criado a "tiro de bala", à força do crime e do desrespeito pela humanidade». Eu sou cristão e não fui ameaçado por nenhum canhão, espingarda, pistola ou fisga. Nem sequer uma promessa de enxerto de porrada. Piro uso da Razão e Bom Senso.

Sétimo, quanto ao Bush e às guerras entre monoteísmos... comecemos pelas segundas.
O meu Caro tem de se definir, senão é uma grande confusão e a gente não se entende: afinal a "coisa" é por causa do petróleo ou é por causa de Deus!!! É que assim parece que tudo serve, desde que o alvo seja o... Bush, claro!
E assim chegamos ao Bush. Sabe meu Caro, eu nunca defendi o Bush porque haja bushista ou sequer um neoCon. Apenas defendi aquela que me parece ser uma correcta perspectiva da verdade e da realidade, desmentidos enganos ou informações erróneas. Até porque acho tão curioso ver como tão facilmente algumas pessoas atacam o Presidente dos EUA apenas... "porque sim"! E se apressam tão rapidamente a chamá-lo de criminoso.. porque sim... mas a defenderem o Kim Jong-Ill, o Fidel, o Estaline... sei lá... basta ser vermelho e "prontos"... é bom! Porquê? Mas não sabem?!? Apenas... porque sim!
sobre a atitude dos dirigentes ocidentais
Despeço-me de si nos mesmo termos: «caso queira voltar a este assunto, pois faça o favor. Estou de braços abertos para o receber. Havia mais, mas não vamos estar aqui a entrar naquilo que divagou ao longo do seu texto.
O meu amigo, pois pode ter a certeza que o considero como verdadeiro amigo, é uma das minhas práticas dentro do catolicismo, a amizade, defende pontos de vista que eu admiro, mas com uma certa imposição deles aos seus interlocutores. Isto não está certo. Reveja as suas posições, pois o catolicismo também tem coisas boas, muitas más, mas também muitas boas. Convido-a começar a praticar estas, nada de imposições.
Um grande abraço deste que o considera muito.

Sem outro assunto de momento e grato pela atenção que vier a dispensar-me, sou com a maior consideração e estima»,

João Titta Maurício

João Titta Maurício disse...

Uma vez mais, peço perdão pela extensão do texto... é um defeito meu... muito recorrente... muito irritante.. até para mim!

david santos disse...

João Titta Maurício, boa tarde!
Já sabia que as amizades que nutrimos um pelo outro eram muitas. E sabia também, que elas se iriam reforçar ainda mais. Antes de entrar no que nos levou a esta discussão, devo dizer o seguinte: pode não ser a última vez, mas irei fazer todos os possíveis para que não mais tenhamos que estar a discutir, embora tenhamos esse direito, os textos que de uma forma ou de outra nos leva a mostrar algumas (mazelas) de que estamos possuídos, espero que entenda, e afastar, pois nunca se discutiu, embora tenha havido textos nesse sentido, as coisas de que nos possamos orgulhar. Estamos entendidos? Pois eu não duvido. Mas atenção! Não é uma imposição = é a nossa obrigação.
Quanto à palavra preconceito, não havia motivo, pelo menos aparente, de a trazer para a discussão. Não é por acaso que ela surge ressalvada por intelectual. Por isso, ela, embora pense não ser esse o sentido que lhe quis dar, não aparece com o significado de "cisma" ou de "cismado". Daí, ela ter vindo estorvar a discussão. Nada mais.
Ah, já me esquecia! Agradecer-lhe pela evolução que teve, pois conseguiu, desta feita, trazer-me para o debate, afastando a palavra (excelentíssimo), com a qual me afastou de um debate anterior para o qual estava bastante interessado em participar. Pois tinha algumas experiências, mesmo do ponto de vista familiar, que gostava de mostrar-lhe não só a si mas a todas as pessoas que na altura estivessem a participar. Paciência! Vem aí tempo que muito provavelmente o irá permitir. Embora o meu Amigo tenha pensado eu estar naquela opinião como uma "bailarina sem par", uma no cravo, outra na ferradura, mas por acaso assim não acontecia. Estava muito bem sintonizado e sabia muito bem o que queria, mas passou está passado. Agradeço-lhe a correcção. Pois se tivesse repetido a (graça), não estaria aqui, e agora, a discutir com o meu Amigo, o que desde já lhe digo, não me faria nada bem.
Quanto à frase que lhe atribuo, embora tenha sido uma extracção do original, a verdade é que continuo a atribui-la. Por quê? Porque para além de ser uma das últimas frases do texto original, era a que mais lhe facultava uma discussão conveniente. Por isso, vou continuar a atribui-la, embora retire a intenção que lhe está subjacente no conteúdo, pois espero não ter havido maldade da parte do meu Amigo em ir buscá-la tão longe para com ela começar as suas críticas ao texto.
Contudo, como deve ter reparado, existe um parágrafo, muito curto, que se tivesse lido com atenção, ele contém iso mesmo. "Quanto ao texto, ponto final." Pense bem neste parágrafo e perceberá a intenção. Diz-lhe respeito a si, não a mim. Embora, como já disse, tenha sido eu a atribuí-lo.
Acerca do monoteísmo ser uma religião, penso não ter dito isso. Simplesmente, a «bandeira» que congrega entre outras, a nossa religião. Desculpe o termo.
Quanto ao Xintoísmo ser monoteísta, também sei que não o é e penso não o ter dito. Mas se disse, está errado. Pois não voltei a ler o que escrevi, mas penso que não disse.
Quando diz ou ensinua eu pôr em causa a sua vontade de paz, a este caso nem lhe respondo. Só lhe digo, que se assim pensou, para pensar ao contrário.
Quanto à implantação de religiões "à bala", recordo-lhe as cruzadas, a inquisição, os novos cristãos e, não fica nada mal, lembrar-lhe a 2ª guerra mundial. Mas fica aqui garantido de uma vez por todas: não mais quero discutir o que a minha religião tem ou teve de mau. Só discutirei o que ela tem de bom, mais nada. No que me diz respeito, é mesmo uma imposição. Não me tome a mal, mas é.
Só um pequenino parágrafo para lhe dizer que estou muito contente pela sua evolução quanto ao petróleo, já é, para mim, um grande avanço da sua parte, embora ainda não me satisfaça, de todo. Mas já é bom. Agora só lhe falta chamar criminosos aos criminosos, é só mais um saltinho. Ñão custa nada.
Eu não sei se não devia ficar por aqui!
Ha! Tem aqui três "flores". Não pode ficar por aqui, não!
Quanto a Kim Jon-Ill, não vou dizer nada. Apenas possuo alguns dados da imprensa ocidental e estou agora a receber de um amigo meu que vive nas Ilhas Aleutas, um estudioso russo, algumas informações que penso virem a preparar-me para possíveis discussões a respeito desta "flor", porque não confio no pleno nas informações ocidentais. Quando tiver mais dados e a certeza de vir a dizer algo com a mínima credibilidade, então direi.
Quanto a Estaline e Fidel, não tenha dúvidas! HÁ ESCRITOS MEUS. La Galícia, JN, Público, Visão e... que podem atestar que os considero dois cristãos criminosos. Tal como considero Bush. Outro cristão criminoso. Assim como o colonialismo britânico. Pois caso não saiba, eu considero a América do Norte uma colónia dominada por mal feitores de origem britânica, mais uns poucos bandidos de outras origens.
Estivemos muito mais tempo em África e GRAÇAS A DEUS, que de lá já nos afastámos.
Ando perdido, mas vou tentar apanhar o fio à meada.
Ah, já sei! Sobre Estaline estamos conversados.
Sobre Fidel. A coisa aqui é bem diferente. Embora eu não o considere um pequeno criminoso, pois considero um criminoso, nada mais. Mas atenção! Ele não o era. Os "bautistas", tão do agrado do terrorismo norte-americano, estes sim, eram. Só que o Fidel, a quem defendo pela luta que tem travado contra aquele terrorismo, com medo da besta terrorista e com poua agilidade política, entrou numa fase em que perdeu muita, senão toda, da dignidade que a sua revolução podia ter tido.
Quanto ao resto, não vou estar a preocupar-me, pois tenho a certeza que é muito maior o que nos une do que o que nos afasta.
Ah! Vou-lhe devolver o que já me tinha devolvido, mas sem o (divagou).
Até sempre e um grande abraço.
David Santos

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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