11 novembro 2006

JUDAÍSMO

"Escuta, Israel, o Senhor é nosso Deus, o Senhor é Um"

... continuação parte I

Segundo a tradição, ainda nos tempos de Moisés surgiu a lei oral, que se transmitiu dessa forma ao longo de gerações e só seria registada por escrito muitos séculos depois.
Com esta nação dedicada ao serviço de Deus, a religião judaica começou a ganhar contornos definidos, com o povo organizado para adoração a Deus. Em Êxodo 19:5, 6, Deus prometeu: "Se me obedecerdes fielmente e guardardes o Meu pacto, sereis para Mim um reino de sacerdotes e uma nação santa". Assim, os judeus tornaram-se no "povo escolhido" para servir os propósitos de Deus.
Enquanto a nação de Israel andava ainda no meio do deserto, rumo à Terra Prometida, foi estabelecido um sacerdócio na linhagem do irmão de Moisés, Arão. Uma grande tenda, o tabernáculo, tornou-se então o centro da adoração e dos sacrifícios hebreus.
Mais tarde, chegados a Canã, tal como Deus ordenara, conquistaram a Terra Prometida. Os hebreus sofreriam no entanto a influência do paganismo e os ataques de outros povos, como os filisteus e moabitas. Surgiram então os juízes, particularmente Débora e Sansão, que lideraram o povo em épocas de crise, na luta contra os inimigos e na condução de um modo de vida adequado às leis da aliança.
Com a reunificação das 12 tribos, foi então estabelecido um reinado terrestre e Saul foi ungido rei. O seu sucessor, David, da tribo de Judá, conquistou Jerusalém, transformou-a em capital do reino e para lá levou a Arca Sagrada, símbolo da aliança com Deus.
Mais tarde, Salomão, filho de David, construiu o primeiro templo, em Jerusalém, onde terá guardado a Arca da Aliança. Deus fizera um pacto com David, designando que o reinado permaneceria para sempre na sua linhagem, o que pressupunha que um Rei ungido, o Messias, viria um dia dos descendentes de David. As profecias indicavam que, através desse Rei messiânico, Israel e todas as nações teriam um governo perfeito.
Entretanto, com a morte de Salomão, o reino foi novamente dividido: Israel, no Norte, formado por dez tribos, assimilou elementos heréticos no culto e logo sucumbiria depois de ter sido invadido pelos assírios, em 722 a. C. A sua população foi deportada, e as dez tribos desapareceram desde então da história judaica (várias hipóteses, fantasiosas ou não, têm associado etnias contemporâneas à descendência dessas tribos).
Por sua vez, o reino de Judá, no Sul, centrou-se em Jerusalém e manteve-se fiel às tradições. Os judeus de hoje descendem principalmente dos habitantes de Judá.
Nessa época da decadência religiosa, política e económica surgiram os grandes profetas de Israel - Elias, Amós, Isaías -, que exortaram ao povo o retorno à fé tradicional. A visão da história como instrumento de Deus, que faz cair a desgraça sobre o povo judeu como castigo pelo não cumprimento da aliança, foi em parte obra dos profetas.
Mais tarde, em 587 a.C., o rei babilónico, Nabucodonosor destruiu o templo, saqueou Jerusalém e deportou a sua população para a Babilónia. Este novo exílio espiritual uniu o que "restava de Israel" sob a prédica do profeta Ezequiel, dando início a uma restauração religiosa que daria origem a uma outra de carácter político.
Só mais tarde, em 538 a. C., com a conquista da Babilónia por Ciro, rei dos medos e dos persas, os hebreus conseguiriam voltar à Terra Prometida. Poucos anos depois, em 515 a.C., o rei Herodes reconstruiu e ampliou o templo de Jerusalém. Grande parte do povo, no entanto, continuou espalhado, do Egipto até à Índia, como numa prefiguração da posterior Diáspora (dispersão).
Para alguns estudiosos, esta restauração religiosa e política é a verdadeira origem da unidade espiritual do povo judeu, cujo grande impulsionador foi Esdras, sacerdote dos judeus da Babilónia. Este terá sido enviado pelo rei persa Artaxerxes II a Jerusalém para controlar a observância da lei mosaica, reconhecida, no seu carácter cívil, para os judeus.
Esdras fez renovar a aliança com Deus mediante a leitura da lei para o povo durante sete dias (e, de maneira constante, duas vezes por semana). Também renovou o culto do novo templo, embora o ensino nas sinagogas locais tenha continuado, e alentou a esperança, pregada pelos profetas, na vinda de um messias que instauraria o reino de Deus.
continua...

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