14 novembro 2006

RELAÇÕES INTERNACIONAIS SÃO INTERESSEIRAS


A propósito do «post» «Chover no Molhado», parece oportuno relembrar alguns conceitos básicos que ajudam a compreender as realidades das relações internacionais.

Um Estado bem governado, mais do que uma empresa bem gerida, conduz os seus destinos baseado num cenário coerente de objectivos e interesses nacionais servidos por estratégias adequadas em que se inscrevem as decisões da vida corrente. Isto explica que as posições internacionais dos países melhor estruturados não sofram alterações muito visíveis quando mudam, democraticamente, os governantes.

Ao observarmos aquilo que se passa no Mundo, nomeadamente, as ingerências na vida interna de Estados de menor capacidade, devemos procurar compreender os interesses vitais ou importantes que estão em jogo. De um Estado com uma economia desenvolvida é de esperar que procure garantir as fontes de matérias primas, principalmente o petróleo, para o funcionamento da sua indústria e outros sectores económicos e, também, os mercados que serão destino dos seus produtos acabados. Olhando para os acontecimentos dos anos mais recentes, vemos que as localizações dos conflitos, armados ou simplesmente económicos, coincidem com as fontes dos principais recursos estratégicos. O centro do continente africano tem vivido à margem de grandes conflitos.

Interrogamo-nos qual a importância atribuída às pessoas que acabam por ser as principais vítimas inocentes desta dinâmica do poder. Numa visão simplista, há os exemplos de Abel e Caim, há a dicotomia de nós e os outros. Toda a actividade governativa dum País desenvolvido deve ser orientada para o aumento da qualidade de vida, bem-estar, comodidade, riqueza, felicidade, dos seus concidadãos. Quanto aos outros, os dos países de onde se retiram os preciosos recursos económicos, espera-se que os seus governantes se preocupem com as suas condições de vida. Só que esses governantes, pela sua falta de preparação técnica e ética, e pela sua falta de força dialogante, pouco podem fazer perante a potencialidade gananciosa e exploradora dos grandes.

A natureza humana não é, na essência, diferente da que se verifica nos animais, em que os fracos são dominados pelo líder da alcateia, da manada, que é sempre o mais forte e poderoso. Nos humanos, quer individualmente quer entre os Estados, o mais poderoso, que dispõe de mais eficientes meios de poder e coacção, domina os outros que ficam constrangidos e condicionados a colaborar com os seus interesses. Contra isto pouco pode ser feito com eficácia e em beneficio dos mais desprotegidos. «Ai dos vencidos», ai dos pobres e dos desprovidos. Nem as organizações mundiais como a ONU e as suas diversas agências têm feito sobressair acções de generosidade com eficiência sustentada no sentido de ser criada maior equidade global. Por isso, todos e cada um devemos levantar a voz contra as situações gritantes de que haja conhecimento, mesmo que pareça estarmos a clamar no deserto.

Não há razões para serem alimentadas vãs esperanças nas mudanças de líderes estatais, das quais poderão sair alterações internas significativas, mas no relacionamento internacional apenas serão possíveis pequenas variações, porque eles não irão afastar-se dos objectivos e interesses nacionais e das directrizes estratégicas fundamentais, já consolidadas pela história e pela tradição.

Se não enquadrarmos os fenómenos internacionais nesta quadrícula, nada resulta de criticas avulsas a governantes menos dotados intelectualmente e férteis em gafes hilariantes, porque eles não estão sós e agem sob controlo de órgãos democraticamente eleitos. Refiro-me a Estados democraticamente organizados e mundialmente reconhecidos como tal.

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