28 novembro 2006

Homenagem ao poeta Mário Cesariny.

O poeta canta...

Quando o poeta canta a dor
consumindo-a nas entranhas
parindo-a ao decorrer da pena
o sol esconde-se para chorar
porque a dor do poeta
é a dor de quem vê mais longe
é aquela que vive nas asas do pensamento.

Quando é do amor que fala
empolga-se ardendo no desejo
de quem sabe que o amor é louco
e que canta com a sua pena
a entrega sôfrega dos amantes
que guiados pela sede dos sentidos
se entregam aos prazeres mais sentidos.

Quando canta a paz sossega-se no que faz
apaga a guerra, esconde o ódio e o rancor
usando uma tinta especial
que não pode ser vista por qualquer um
somente por aqueles de coração especial
que acreditam que é possível viver num mundo
em que homens são todos irmãos.

Ao cantar a liberdade o poeta empolga-se
porque a liberdade é coisa especial
grita alto ao correr da pena
ora convida o mar para se revoltar
ou canta com ele uma doce canção
convidando os Homens a serem livres
e abrirem as portas das prisões.

E quando já não canta nada
é porque chegou a hora da partida
a hora doce em que para recordação deixa
seu carácter impresso nas palavras
que deixou ao decorrer da pena
ideias que compartilhou com a noite
escritas na intimidade do seu quarto.

Mas a verdade é que o poeta vive para sempre
no coração daqueles que ousaram ver
para além do que os olhos comuns vêem
vive no brilho do sol e no som do mar
no sorriso de cada criança que nasce
no suspiro dos enamorados
vive eternamente! Vive!

(Em homenagem ao poeta criei este poema)

Alexandra Caracol

4 comentários:

Bendix2006 disse...

Gostei muito Alexandra.
Parabéns.

david santos disse...

Viva Cesariny!
Até sempre, Alexandra!
Um abração!

Não há morte que lhe chegue
nem vida que o acabe
quem da sua poesia bebe
terá sempre lealdade

JOSÉ FARIA disse...

Olá AmigosI
Alexabdra e David Santos.
Deixem-me também aqui registar o meu testemunho de homenagem ao...

POETA


Poeta é quem canta,
É quem lança o pensamento,
No silvar duma flauta
Á luz dos olhos, do vento.

É quem guarda o monte, o pasto,
E suas amigas ovelhas.
Quem mastiga o tempo gasto,
Nas côdeas de broa velhas.

É quem ama o seu cajado,
Sua sina, monte agreste.
Quem ama o fiel ao lado
Que o uivar do lobo veste.

É quem lança o sol nascente,
Lá da serra sobre a aldeia.
Poeta do povo ausente,
Aquece-o a lá, o leite a ceia!


José Faria

MRelvas disse...

Lindo poema Alexandra.

E como não podia deixar de ser mais um belo poema do amigo Faria.Cumprimentos também ao David

Mário

Prémio

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