02 novembro 2006

Maomé e a Guerra Santa

... parte XIII

Crónicas

Um dos maiores cronistas árabes desses tempos, Al-Baladhuri, deixou relatos deveras interessantes sobre uma das mais importantes conquistas levadas a cabo na sequência da Jihad - o Egipto, cujo controlo possibilitou a expansão árabe para Norte de África e, depois, para a Península Ibérica.
Conta Al-Baladhuri que, naqueles dias, Heráclio teve um sonho no qual lhe era dito: "Em verdade, chegará até si a nação de circuncisados e eles vencerão e tomarão posse de suas terras". Heráclio pensou que se tratasse dos judeus e, por conseguinte, deu ordens para que judeus e samaritanos fossem baptizados em todas as províncias. "Mas, alguns dias depois, apareceu um homem árabe, dos distritos do Sul, isto é, de Meca, ou das vizinhanças, cujo nome era Maomé; ele tinha reconduzido os adoradores de ídolos para o conhecimento de um Deus único, e mandou que eles declarassem que Maomé era o seu apóstolo; e a sua nação era circuncisada, e rezava na direcção sul, voltando-se para um lugar que chamavam de Caaba". E foram esses homens que se apossaram de Damasco e de toda a Síria, cruzaram o Jordão e aprisionaram todas as terras que encontraram. "O Senhor dos cristãos parecia ter abandonado o Exército dos romanos com uma punição por terem corrompido a fé e por causa dos anátemas proferidos contra eles pelos antigos padres, por conta do Concílio de Calcedónia".
"Quando Heráclio tal percebeu" , diz Al-Baladhuri, "reuniu todas as suas tropas, do Egipto até às fronteiras do Império.Continuou a pagar aos muçulmanos, por três anos, as taxas que eles tinham pedido e a que costumavam chamar a taxa de bakt, uma importância obrigatória por cabeça. E assim continuou até que Heráclio tivesse pago aos muçulmanos a maior parte do seu dinheiro e muitas pessoas tivessem morrido devido aos problemas suportados".
Assim, enquanto o patriarca Benjamin procurava fugir dos árabes de lugar em lugar, escondendo-se em igrejas fortificadas, o principe dos muçulmanos enviou um exército ao Egipto, sob o comando de um dos seus mais fiéis companheiros, de nome - Amr ibn Al-Asi -, no ano diocleciano de 357. Este exército do Islão chegou ao Egipto com grande força, no 12º dia de Baunah, que é o sexto do mês de Junho, de acordo com os meses dos romanos.
O comandante Amr destruiu o forte e encendiou os barcos, derrotou os romanos e tomou posse de parte do país. "Ele tinha chegado pelo deserto, e os seus cavaleiros tomaram a estrada através das montanhas até chegarem a uma fortaleza construída em pedras, entre o Alto Egipto e o Delta, chamada Babilon. Assim, eles armaram as suas tendas lá até que estivessem preparados para lutar contra os romanos e guerreá-los; em seguida deram nome à fortaleza, baptizando-a de Bablun Al-Fustat, na sua língua, e que é o seu nome até hoje".
continua...

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