06 novembro 2006

Maomé e a Guerra Santa

... parte XIX

Califado obássida

Ao longo do advento da Jihad, o poder islâmico estava centralizado nos califados. A dinastia abássida mudou a sede do Império de Medina para o Iraque e situou a capital em Bagdade. Os abássidas, e o importante contingente de persas em que se apoiavam, transformaram-se em restauradores da tradição islâmica, supostamente traída pelos omíadas. Reforçaram o poder teocrático do califa e deram mais pompa ao cerimonial da corte.
O êxito da conspiração que havia levado a dinastia abássida ao poder determinou, nos primeiros tempos, uma atitude tolerante quanto à deversidade de elementos étnicos e culturais que sustentava. O califado sofreu uma grande influência da civilização persa, que adoptou o sistema muçulmano nas suas estruturas e regras, de modo bastante superficial. Em consonância com a tradição persa, o direito divino do monarca fortaleceu-se e o sistema político islâmico alcançou o seu perfil definitivo. O novo califado assumiu o papel de defensor da fé, mais forte e menos questionado, já que não existia uma hierarquia religiosa reconhecida.
A designação do califa assegurava-se, em princípio, pela escolha de um herdeiro entre os seus filhos. A época de esplendor correspondeu ao reinado de Harun Al-Rashid, no período compreendido entre os anos 750 e 833. Bagdade transformou-se num importante centro cultural, o que representou o desenvolvimento pleno da civilização cortesã e urbana do Islão.
A criação dos vizirados, no período anterior, possibilitara uma certa descentralização do poder imperial concentrado no califa, que passou a contar com emissários e delegados. O testamento de Harun al-Rashid estabeleceu a ordem de sucessão ao trono e abriu caminho à divisão efectiva do Império. Após a sua morte, em 809, as ambições pessoais fraccionaram o Islão em principados mais ou menos autónomos. A luta entre dois dos filhos de Harun al-Rashid levou ao assassinato do califa al-Amin, de linhagem árabe, em 813, e conduziu ao poder al-Mamun, de mãe persa.
Com o reinado de al-Mamun, os árabes desapareceram da cena política. Prevaleceu ainda mais a influência dos persas, e a sua cultura impregnou todos os aspectos da vida de Bagdade. Também foi ganhando importância o número de soldados turcos recrutados na Ásia Central para o Exército islâmico. Esses mercenários tiveram influência ainda maior que a dos árabes, a ponto de modificarem o poder político do Islão.
A esse avanço do poder turco no Império somaram-se as tensões sociais provocadas pelo desequilíbrio resultante do desenvolvimento económico desigual. As classes baixas, afundadas na miséria, aderiram aos programas extremistas das seitas xiitas, que provocaram diversas revoltas nos dois últimos anos do século IX e nos primeiros do século X. A devastação da Síria e do Iraque por parte dos bandos chamados cármatas e a sublevação de camponeses e artesãos propiciaram a constituição do estado do Bahrein, cujas tropas conseguiram apoderar-se de Bassorá e Kufa, e em 930 saquearam mesmo Meca.
No século X apareceram principados independentes e acelerou-se a fragmentação do império abássida. O emirato andaluz, fundado em 756, transformou-se em califado independente em 929. Os reinos do Magrebe tornaram-se praticamente autónomos e, no Oriente, criaram-se diversos estados iranianos no Khorasan.
No Egipto e na Síria também se formaram estados independentes..
Durante o século X, cada uma das grandes famílias do Islão criou um reino: o califado omíada consolidou-se em Córdova; os descendentes do califa Ali e de Fátima (filha de Maomé) instalaram-se no Egipto; e, em Bagdade, a dinastia abássida manteve-se até 945, quando caiu sob o poder de Ahmad al-Buye, um xiita das montanhas iranianas. O seu sucessor conseguiu apossar-se de um império que compreendia dois terços do Irão e a Mesopotâmia. A dinastia dos buáiidas, por seu turno, desapareceu com a chegada dos turcos seldjúcidas, em 1055.
continua...

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