05 novembro 2006

Maomé e a Guerra Santa

... parte XVI

Liberdade

Os patriarcas ortodoxos, por seu turno, tinham de obedecer ao califa ou ao emir, mas continuavam a tratar o imperador por seu senhor. Numa tentativa de manter a unidade dos cristãos, os chefes cristãos do Oriente, apesar de descordarem por vezes dos dogmas vigentes em Constantinopla, nunca deixaram de respeitar o seu senhor, que ainda era o vice-rei de Deus na terra.
Desta forma, a ortodoxia cristã na Síria e no Egipto não passava de um arquipélago de pequenas ilhas, que, apesar de subordinadas ao Estado muçulmano, ainda se setiam suficientemente ligadas ao Império em termos de fé. Os ortodoxos ainda eram chamados de melquitas, os homens do imperador, e não conseguiram efectuar qualquer expansão nos cinco séculos seguintes. Não eram mais de um simples milet, tão importante como os outros.
A situação dos hereges era, contudo, pior, pois não tinham nenhum líder tão importante como o imperador o era para os ortodoxos. Grande número de hereges passavam a muçulmanos, principalmente para verem a sua vida simplificada. Além disso, as heresias cristãs orientais resultaram de uma adaptação da fé romana, com a intenção de a simplificar. Ora, a fé de Maomé tinha sido criada precisamente com a intenção de ser acessível e ela própria era vista como uma nova forma revista do Cristianismo.
De facto, o Islamismo via Jesus como um profeta, assim como Maomé o fora, e era comum em tantos pontos com o Cristianismo que não era dfícil para um herege tornar-se muçulmano. Por outro lado, a possibilidade de criar agora concílios no Oriente era nula e, assim, a vida das heresias era prolongada.
Em termos raciais, pouco mudou com a invasão árabe. Esta invasão, foi, aliás, conseguida graças a forças militares pequenas mas eficientes, que se aproveitaram da fraqueza ds defesas bizantinas. O muçulmano típico da Síria ou do Egipto era assim chamado devido à sua fé, mas racialmente não era árabe. Apenas os judeus mantiveram a sua pureza racial.
A fé e os costumes e leis árabes foram completamente absorvidos pelas populações, que doravante passaram a ser conhecidas como muçulmanas. Apesar da adesão maciça ao Islamismo, as aldeias e cidades tradicionais do Cristianismo, como Nazaré e Belém, continuaram cristãs. Mesmo Jerusalém lugar santo de três credos, era ainda maioritariamente habitada por cristãos. Na Palestina, quase todos os cristãos eram milet ortodoxo, e o resto dos cristãos agrupava-se predominantemente ao longo da costa, enquanto o interior da Síria era islamizado. Ramallah foi entretanto tornada a capital administrativa muçulmana. Durante quatrocentos anos, este esquema étnico e religioso manteve-se quase inalterado.
continua...

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