09 novembro 2006

MEDICINA PREVENTIVA OU CERTIDÃO DE ÓBITO


Segundo notícias dos diários, as consultas passam a ser marcadas segundo a sua urgência. «O novo sistema obrigará os hospitais a terem um médico responsável pela triagem dos casos que chegam dos centros de saúde, dando prioridade aos mais urgentes... No novo modelo, os atendimentos serão feitos de acordo com a urgência do tratamento. Os médicos do centro de saúde definem a prioridade e transmitem-na ao hospital». À primeira vista, é uma medida lógica, pois entre um doente grave e um ligeiro, aquele deverá ser atendido em primeiro lugar.

Mas, com este critério, o menos grave terá de esperar que o seu caso se agrave, talvez até se tornar irremediável e mesmo venha a ser chamado depois de ter falecido. Para onde vai a medicina preventiva e as campanhas de sensibilização? Tenho ouvido dos médicos que vale mais prevenir do que remediar, que uma doença detectada no início é facilmente curável, mas se só for tratada em estado adiantado, pode ser fatal. Enfim, conceitos que temos de esquecer, no Serviço Nacional de Saúde. Mais uma contradição do sistema que nos rege!

Com este critério, apenas os ricos podem recorrer a médicos e clínicas privadas para a medicina preventiva, para fazerem exames de despiste de cancros e outras doenças que devem ser tratadas quando recentes, evitando que se tornem graves e incuráveis. Os pobres, que têm como único recurso o Serviço Nacional, não podem ser tratados enquanto não estiverem em estado grave e sujeitam-se a que as famílias sejam avisadas da ida à consulta ou à cirurgia, uns meses ou anos depois do óbito.

Parece incrível, mas isto vem confirmar que há uma estratégia oculta para combater o envelhecimento da população que, como alguém dizia, poderá passar pela eutanásia e chegar ao genocídio dos reformados doentes para chegar ao holocausto de todos os reformados. Isso, realmente constituiria um alívio para as finanças do Estado que parece ser a maior preocupação da acção governativa.

4 comentários:

MRelvas disse...

Caro A. João Soares,

tema real.O GOV não sabe bem o que quer fazer para tentar descer o défice,então cria medidas a vulso...

Seria certo se essa prioridade se tornasse real.Já é assim,quem chega a um hospital e acorre ao serviço de urgência é atendido mediante a triagem e em caso de acidente é atendido de imediato.

Essa situação agora postada deveria ter razão de existência se as pessoas fssem atendidas mediante a urgência mas atendidas em tempo útil,se podemos considerar sem ver a pessoa qual o tempo útil...

Um abraço
Mário Relvas

Mário Margaride disse...

Caro amigo João Soares. É um tema interesante e actual. Mas o meu amigo começou por aborda-lo bem, mas depois derrapou! Ora a triagem, já há muito que existe! Faz todo o sentido que um doente de facto urgente. Por exemplo: Com um ataque cardíaco! Tenha prioridade, em relação a um outro que tenha um dor incomodativa nas costas. Embora esteja nessecitado de atendimento urgente! Mas o primeiro, é mais urgente do que o segundo, ou não será assim?
Porque isto de triagem, há anos que existe nos hospitais!
Não é nenhuma novidade!
O que pode não estar, é generalizado. Nada tem haver com outras situações!
Eu digo isto, infelizmente, com conhecimento de causa. Porque com alguma relativa, frequência, desloco-me à urgência hospitalar. Estou portanto dentro do assunto. Embora, pelas piores razões.
Um abraço
Mário Margaride.

Beezzblogger disse...

Amigo João soares, só tenho duas palavras, GATUNOS E XUPISTAS!!!

Um abraço
Beezzblogger

A. João Soares disse...

Amigos Relvas e M Margaride

A grande vantagem de publicar uma ideia num blogue é a possibilidade de ela vir a ser eslarecida e enriquecida com os comentários que permitem aperfeiçoar a comunicação de pontos menos explícitos.
O Mário Relvas, com a sua inteligência viva e rápida, colocou a ênfase no ponto menos claro da segunda parte do meu texto - a necessidade de serem criadas condições para que todos os doentes sejam observados.
Sem prejuizo da total prioridade dada aos casos mais graves, é conveniente que aquele que sofre de «dor incomodativa nas costas» não seja mandado para casa sem ser consultado, para que não venha a ser vítima de uma doença grave nos rins, na coluna ou na espinal medula, por não iniciar o tratamento com oportunidde. Deve ser mantida a prática salutar da medicina preventiva, as campanhas de sensibilização e despiste de doenças que devem ser tratadas em estado precoce. A saúde ficará mais barata e mais eficiente, evitando muito sofrimento, se for aplicada com oportunidde, enquanto o tratamento for possível e simples.
No texto não quis que o caso simples fosse atendido antes do caso grave que não pode nem deve esperar muitos minutos para ser socorrido, não foi uma «derrapagem» no raciocínio, foi um alerta, embora pouco explícito, para o perigo de devolver a casa os casos aparentemente menos graves sem serem atendidos. Este perigo pode ser real e as consequências poderão ser graves.
Agradeço os vossos comentários que me deram esta oportunidade de tornar mais clara a expressão da ideia do «post»
Cumprimentos
A. João Soares

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