25 outubro 2006

Maomé e a Guerra Santa

... parte IV

Influência cristã

Os árabes da península adoptavam uma religião politeísta, com divindades locais ou tribais, em muitos casos de carácter astral, e que para eles viviam em pedras sagradas (abadir). Os habitantes de Meca possuíam também uma deusa da felicidade e outra do céu e, acima delas, Alá (Deus), que no século VII era o Senhor do Templo, ou da Caaba, em Meca.
O século VII foi fulcral para a Arábia. Um país adorador de ídolos, devotado a uma multidão de divindades diferentes, viria a ser unido neste século sob uma religião monoteísta. Porém, pouco antes do advento de Maomé, o panorama religioso estava já a alterar-se com influências externas dos missionários cristãos, judeus e até zoroastrianos.
Para os árabes, o ponto central continuava a estar, apesar das suas divergências de culto, em Meca, importante centro comercial e religioso, onde a Caaba atraía milhares de fiéis todos os anos, aliás, como ainda hoje acontece.
A influência do Zoroastrianismo limitava-se aos meios sob a influência persa, e o Judaísmo, bastante espalhado pelas cidades árabes mais importantes, como Medina, tinha um sucesso razoável, tendo-se verificado um número considerável de convers~oes entre os árabes, mas sem dúvida que as doutrinas de base cristã tinham bastante mais sucesso.
Uma das razões para a popularidade do Cristianismo, nas suas diversas formas, era a existência de uma tradição monoteísta árabe, a de hanif. O Cristianismo ortodoxo encontrava-se bastante difundido, mas tanto o Nestorianismo (em comunidades persas) como o Monofisismo tinham bastantes adeptos entre os árabes. Esta última doutrina era bastante popular em algumas cidades nas grandes rotas das caravanas, bem como nalgumas tribos importantes.
Nómada e comerciante por natureza, o árabe viajava muito e tinha a oportunidade de conhecer outras religiões com bastante pormenor, o que facilitava a propagação de todas estas diferentes doutrinas na península arábica.
É neste ambiente de confluências de fés na península arábica, numa altura em que as terras irrigadas eram cada vez mais insuficientes para uma sempre crescente população, que aparece o Profeta Maomé. Consciente da importância crescente de uma política de expansão e da necessidade de uma fé que servisse de elo entre as tribos, Maomé irá construir em poucos anos uma potência de respeito, unida sob um livro sagrado o Corão.
Maomé, político talentoso, chefe militar e legislador, fundador da religião muçulmana e do império árabe, focou na religião a sua área de interesse.
continua...

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