10 outubro 2006

PAI DOS PAIS

Sim, meu neto.
Fui eu!
Hoje não cantas, não ris, não queres sair
Nem brincar;
Só queres sofrer...
Não fui correto.
Que falhanço, o meu!
Hoje, só tu não queres existir nem cantar;
Podes me condenar!
Fui eu que te deixei morrer...
Não fizesse o teu pai nem a tua mãe...
Ninguém! Sei, lá!
Sofrer, não sofrias, isso sei eu!
Mas gosto muito de ti.
Não te quero ver sofrer.
Contudo, digo-te: o que eu fiz foi por bem.
Só tu me conservas cá.
És tudo o que eu tenho de meu.
Quero ver-te por aqui,
Mas fui eu que te deixei morrer...
Que pecado, meu Deus, eu fiz!
Sem querer!? Não. Não sei!
Meu neto;
Sem pai nem mãe,
Abandonado; a sofrer...
Sinceramente, eu não quis,
Mas nunca me perdoarei;
Meu amor! Comigo, conta. Eu sou certo.
Eu sei! O que queres, o avô não tem.
Meu neto! Eu não te vou deixar morrer!

Eu sei! Sei a estórias que te puseram no pensamento:
São quase todas iguais.
Mas esse teu sofrimento, tão doloroso e lento;
É mais triste e birrento, do que o do pai dos pais.

Só tu confirmas que já andei por aqui;
Faz com umildade e bondade, a minha continuação,
Conta comigo, estou sempre abraçado a ti,
Mas pelo mal que te causei, aceita o meu perdão.

david santos netos

4 comentários:

MRelvas disse...

Lindo.lindo David.Interrogações que também faço,como não tenho netos,tenho o meu Bruno,sempre,sempre,até...e depois?
terrível cruzada.

Um abraço
Mário Relvas

david santos disse...

Desculpe o podes me. devia ser podes-me e o ulmilde. devia ser humilde, mas paciência, as pessoas sabem que sabemos escrever melhor.
Contudo, meu amigo Relvas. Este poema, que mais parece uma narrativa, não é nada fácil de entender. Aqui, ao contrário do que acontece na maioria dos poemas, o título é enganador. Embora o neto seja o principal sofredor, alás, como o avô, embora de outra forma, os protagonistas causadores da desgraça do avô e do neto, de propósito, estão pouco ou quase nada dentro do assunto. Embora, meu grande amigo Relvas, sejam eles os grandes cobardes, pelo menos, a causa do sofrimento do velho e do neto. Não é fácil, mas com atenção, chega-se aos principais causadores e aos motivos que causaram a desgraça.
Um grande abraço.
Até sempre: david santos
Ah, com isto quero dizer que a sua análise acerta do ponto de vista sentimental. Já de conteúdo, não.

MRelvas disse...

Caro david,os seus textos dão quaze sempre para mais que uma interpretação.Eu compreendi.No entanto deixei-lhe uma questão.Para lá de tudo isso eu ainda tenho outra cruzada!

Um abraço
Mário relvas

david santos disse...

Amigo Relvas, primeiro desculpe por ter paciência para me aturar. Segundo vou-lhe resumir o poema ou narração, pois este trabalho embora seja meu e já tenha sido premiado, ninguém se atreveu a chamar-lhe uma coisa ou outra. Até já houve quem lhe desse o nome de uma pequena peça sem actos. Contudo, os meus argumentos, que por acaso acabaram por pervalecer, mas sinceramente, não sei se foi para me agradar... resumiram-se ao seguinte: linha onze, atenção às reticências. Linha vinte e quatro e primeira palavra da linha vinte e cinco. A culpa do avô, segundo ele, foi ter feito os pais do neto.
Um abraço e tenha paciência.
Até sempre: david santos

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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