23 outubro 2006

O CARRINHO DO BEBÉ


Num jornal diário do domingo passado, 22, li uma crónica muito interessante sobre a necessidade de ser feita uma reforma de 180 graus no carrinho do bebé, porque hoje, ao contrário de há uns anos atrás, ele impede que o bebé e quem o empurra se olhem, se observem e comuniquem de forma oral ou gestual. O bebé acaba por se esquecer de quem o está empurrando e até pode ter sido sequestrado sem disso se ter apercebido. O empurrador não pode observar o olhar, a boa ou má disposição do transportado. O bebé, para mostrar a sua existência tem de chorar alto, porque se não expressar o seu aborrecimento ou mal estar de forma bem audível, o empurrador não lhe liga. Este só reage perante manifestações bastante ruidosas.
É um fenómeno muito bem observado e descrito de forma admirável. Subentende-se uma ideia implícita mas que a pressa que hoje arrasta as pessoas na leitura em diagonal torna difícil que ela seja descortinada.
Andamos todos num carrinho de bebé, pouco cómodo, amarados com um cinto de segurança cada vez mais estrangulador e, como os (ir)responsáveis por fazer andar a carroça não nos olham nos olhos, não trocam expressões connosco, não nos dão explicações credíveis, viajamos com uma terrível sensação de insegurança, um permanente receio de acidente, uma angustiante incerteza sobre quem é que na realidade está a empurrar a carrocinha e qual o percurso que iremos ser obrigados a seguir.
Será que a crise já acabou realmente, conforme disse um dos «conceituados» empurradores de turno? Será que a electricidade vai aumentar 16,5% como outro empurrador, que era suposto ser competente, afirmava com a certeza de um morador no Olimpo? Ou será que esse aumento ficará APENAS nos 6%? E os números que constam no Orçamento de Estado merecem que acreditemos neles? Estarão correctos até quando? Pelo menos há um número que já foi condenado à substituição. Quantos lhe seguirão o destino?.
Senhores «empurradores», olhem de frente para os bebés, sorriam-lhes, para criarem com eles uma empatia saudável, uma confiança total que crie melhor qualidade de vida.

5 comentários:

david santos disse...

Boa! Não perdeu tempo. Ainda o meu grande amigo tem o "atrevimento" de dizer que é dos mais velhos. Poi não "acredito". Quase não deixava o menino pegar no biberão e já o leite estava acampado no estômago. Ó grande amigo, João! Se não estava a contar com essa ou outra parecida, eu seja "cão". Um grande abraço. Estas sim, já dão que engolir. Contudo, fique quieto algum tempo, pois esta ainda me anda entranhada nas goelas.
Está muito boa, amigo João Soares.
Até sempre: david santos.

MRelvas disse...

Caros amigos A. João Saores e david Santos,
eu deim o benefício em quem nos empurra.Um benefício que acompanhado de alguma tolerância minha e de respeito por quem é eleito democraticamente e diz querer sanar Portugal,o deve ter,a meu ver.No entanto,conhecedor das técnicas de marketing e AP de massas,vi que isto iria descambar,quando ele começou a dizer que o mal do país,eram os funcionários públicios...disse,isto vai sobrar para todos.Hoje aqueles que no inicio me criticavam e batiam palmas enquanto os "públicos" eram criminosamente arrazados,dão-me razão!Antes não a tivesse,pois não me custa dar razão a quem a tem e em 1º lugar sempre Portugal,mas sem esquecer os PORTUGUESES!

Cumprimentos atodos!

Mário Relvas

A. João Soares disse...

Esta ideia não foi invenção minha. Como disse, resultou de uma leitura no Correio da Manhã de Domingo que hoje tive oportunidade de folhear, da autoria de Ferreira Fernandes, na 2.ª página. Não plagiei as palavras até porque li às 10 e só escrevi às 16, coisa menos coisa.
Achei muito interessante a ideia e são as ideias que me fascinam e não tanto as palavras. Como não faço poesia, não me preocupo com a sonoridade e o colorido das palavras; utilizo-as apenas para exprimir ideias e comunicá-las de forma clara para serem compreendidas com o seu significado original. Tenho, isso sim, o máximo cuidado em evitar erros gramaticais, porque quanto aos ortográficos aparecem sempre letras trocadas ou em falta.
Se o meu texto lhe fez mal ao estômago terá de tomar Alka Seltzer. Mas pode tomar outro calmante gástrico, porque não tenho acções do laboratóario deste medicamento!
A propósito de palavras e ideias, o amigo David, há algum tempo referiu o livro onde vou tirar frases bonitas. Não me preocupo com frases bomitas, prefiro-as simples para levarem a ideia intacta ao espírito dos outros. Se por vezes uso frases populares ou ditados faço-o para reforçar a expressão da ideia a fim de ela ser melhor compreendida. E não há um livro, houve muitos durante todos estes largos anos de aprendizagem em que, em dada altura, ouvi um professor dizer aos alunos ou auditores: Vocês não se preocupem com esses pormenores; deixem isso aos técnicos; vocês precisam de saber ouvi-los e dialogar com eles. Nessa altura já tinha mais de trinta anos, era uma formação pós-universitária.
Quanto a livros, aprecio de todos os géneros que enriqueçam a minha visão das realidades que me cercam incluindo a Bíblia, Os Lusíadas, as obras do Eça, O Capital, O livrinho Vermelho do Mao Tse Tung. etc, etc.
Um abraço
A. João Soares

david santos disse...

João Soares, mais uma vez as minhas desculpas. Sem de que me tenha apercebido, as minhas réplicas em relação às suas análises, por falta de atenção, dei-lhes andamento nas respostas ao meu próprio texto.
Um abraço.
Até sempre.

MRelvas disse...

Caro david santos,gostei do seu texto no Jn de hoje,vem um pouco na deste post!
A cidadania,ultrapassa os partidos,que já pouco refletem o verdadeiro sentimento poular e a realidade de Portugal,interessados unicamente nos seus lobis.
A constituiçaõ não permite em eleições legislativas o concurso fora de partidos...
Um facto que prova que os interesses se orientam no sentido de os mesmos serem controlados pelos poderes económicos deste canteiro (destruído pelos fogos) à beira-mar plantado!

Um abraço
Mário relvas

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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