15 outubro 2006

A taxa confusa

Queria expor ao ministro da saúde “Correia de Campos”, um problema real com que me deparei em pleno século XXI, que passo a citar.
Decerto não será um caso singular dos nossos dias, mas que muitas vezes deixa as pessoas sem opção de escolha.
Um filho que se disponha a tomar conta do seu próprio pai ou mãe, por motivos graves de saúde com dependência total de uma terceira pessoa,
que viva em casa dos mesmos e sendo abrangido pela maior idade, não tem qualquer hipótese de sobrevivência para socorrer quem lhes deu a vida.
Posso enumerar aqui alguns exemplos de doenças (AVC, Alzheimer) e tantas outras que deixam as pessoas incapacitadas das suas funções, intelectuais e físicas.
Sei que cada caso é único...estuda-se os rendimentos per capita, a existência de outros filhos com capacidade monetária, etc.
Mas na realidade o que quero expor é um relato real, um filho que deixa tudo, trabalho, estudos em prol da sua obrigação, coerente e sensato, para cuidar da sua mãe acamada é um pouco descriminado pelo estado, digo pouco para ser modesta.
As soluções são muito escassas, os recursos quase nenhuns e então sendo esse filho solteiro ainda pior.
Sabe tão bem quanto eu para se estar isento de taxas moderadoras é preciso provar com um documento, ou seja uma declaração passada pelo instituto de emprego para provar que não auferimos qualquer rendimento e que para isso temos que estar inscritos no mesmo. Mas as burocracias são de tal forma brutais que acabamos por ter que enfrentar a falta de informação dos serviços públicos assim como a instrução.
Os serviços públicos de saúde, assim como a direcção regional de saúde só aceita esse documento que pelos vistos está previsto na lei como comprovativo de isenção. O que é de louvar até porque existe muitas pessoas que trabalham sem fazer descontos o que impede que apresentemos uma declaração de rendimentos das finanças ou um extracto da segurança social dos nossos descontos. Pois muito bem, é pena que no centro de emprego não tenham essa informação e façam de nós”palhaços”.
Como é possível viver num país onde os próprios organismos desconhecem as leis?
Conclusão: Para se estar inscrito no centro de emprego é claro e com lógica, tem que se estar apto para trabalhar, se o filho está a olhar pela sua mãe então, neste caso não está apto para trabalhar. Como pode ele ficar isento dessas taxas se não aceitam outro tipo de documento nem pode estar inscrito no centro de emprego?
Se a miséria que a mãe recebe mal chega para as suas necessidades e que são muitas. Se o complemento por uma terceira pessoa não excede os 80 euros mensais?
Que soluções existem para estes filhos que ainda valorizam os seus progenitores, com muito amor e carinho e dignidade, vão continuar a pagar taxas moderadoras ou cirurgias e internamentos, porque o sistema não os reconhece como desempregados nem como nada?
Ou será que têm que se acomodar a viver sem assistência médica, por falta de incapacidade financeira?
Que ajuda ou solução existe para um filho nestas condições será legitimo,
que continuemos a baixar a cabeça, não, não é...


Conceição Bernardino

5 comentários:

Mário Margaride disse...

Olá Conceição. Tem toda a razão na questão que aborda. Infelizmente os Organistos estatais, por vezes em vez de ajudar complicam com tanta borucracia. É o país que temos! É de facto urgente, que estas questões que lavanta pertinentes, sejam resolvidas. Para não penalizar os familiares dessas pessoas doentes, que assumiram essa responsabilidade de olharem por elas, não sejam penalizadas, duas vezes.
Um abraço. Mário Margaride.

A. João Soares disse...

Cara Conceição
É a burocracia, a desconfiança dos cidadãos que obriga a controlar tudo ao pormenor, em vez de libertar mais e, depois, fiscalizar e punir severamente os infractores. Tal como os governantes têm vindo a montar o sistema de controlo absoluto, paga o justo pelo pecador.
Mas, além disso, há um factor mais grave, o economicismo dos milhões dos orçamentos, dos muitos milhares que é preciso pagar aos assessores de confiança política e, para suportar isso, sacam até aos mínimos cêntimos a quem pode e não pode. A óptica economicista sobrepõe-se a qualquer réstea de humanismo. Fala-se em centenas de mortos nas estradas como sendo poucos, pois há anos eram mais uns quantos. Como se uma vida não tenha direito a ser chorada.
Ninguém nos governos pensa que o seu dever é tornar a vida mais fácil, cómoda e segura aos cidadãos. Estes não contam senão nas vésperas das eleições.
Oxalá a sua reclamação dê resultado e que tudo isto passe a correr mais à feição dos bons cidadãos.
Um abraço
A. João Soares

MRelvas disse...

Cara Conceição,eles dizem que os idosos devem ficar em casa com os filhos,criando para isso "fundos" para tal...no entanto não passam por isso,pois colocam os seus familiares nas casas/lares que querem.Quanto à problemática documental,sei bem o que é isso...

Desejo o melhor para todos

Mário relvas

MRelvas disse...

Caros amigos...uma curiosidade...lembram-se de eu estar impedido de colocar posts na net?Pois bem agora começam os problemas de novo...
Estou impedido de colocar imagens ou fotos nos blogs...A net é super lenta quando estou nos blogs a vozdopovo e nos aromas de portugal...a restante net é normal...espero que agora não passe a ficar com a net toda complicada...há sempre o correio de mão e a distribuição porta a porta...

Estou cansado de casualidades...Oh Amália..."estranha forma de vida"!



Um abraço destemido

Mário relvas

JOSÉ FARIA disse...

Olá Amigos!
Queria só acrescentar uma realidade face à tal igualdade(desigual) relactivamente aos cidadãos contemplados com a isenção das taxas moderadoras nos servíços de saúde.
E mais do que me alongar, prefiro ser concreto dessa vergonhosa desigualdade.
Só um exemplo:
Imaginem que dois utentes se deslocam a um hospital ou qualquer Centro de Saúde, do "Servíço Nacional de Saúde.
Um é patrão, o outro é o seu empregado.
O patrão é lavrador, proprietário de muitos terrenos e senhorio de muitas casas(muitas delas foram áidos do gado, que os próprios caseiros transformaram às suas custas, para que tivessem mais dignidade habitacional.
Dos dois, só um paga a taxa moderadara, quer da consulta, quer dos exames auxiliares de diagnóstico que por ventura lhe sejam prescritos. E esse, é o empregado.
O patrão está isento porque tem uma reforma da casa do povo, para onde descontou há já vários anos dez escudos por mês. O seu empregado, a que ele paga um salário um pouco superior ao salário mínimo nacional, esse sim(!?) tem que pagar tudo.

E não digo mais nada!
Té logo!

Prémio

Prémio
Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

Indicadores de Interesse

My Popularity (by popuri.us)

DESDE 11 DE JUNHO DE 2010

free counters

Twitter

eXTReMe Tracker

Etiquetas