14 outubro 2006

Salazar. Amá-lo ou odiá-lo. Mas conscientemente

Têm surgido, em cartas ao director e em comentários de blogue, referências a Salazar, mas sempre com uma visão parcelar, sem preocupação de analisar o Homem com isenção, sem panegíricos nem críticas destrutivas. A abordagem do fenómeno Salazar, como aliás todos os outros grandes casos, não pode nem deve se limitada a um aspecto particular, mas, pelo contrário, deve abarcar o mau e o bom.

Quando era estudante liceal, ouvi a vários professores referir atitudes do prefeito do colégio da Via Sacra, Salazar, como exemplo de sensatez e maturidade dum jovem excepcional.

Na época em que Salazar iniciou a actividade política como governante, era absolutamente necessário aparecer alguém que conseguisse tirar Portugal da crise financeira e de valores éticos e dar ao povo estímulo para progredir. Ele conseguiu o milagre que o País precisava e merecia. Foi um estadista de elevada craveira, com desprendimento pessoa quanto a benefícios próprios e com uma visão prática dos objectivos nacionais. Viveu e morreu com austeridade, sem ter acumulado riqueza pessoal. Quanto à posição do País em relação à guerra civil de Espanha, vale a pena ler a obra de Iva Delgado, filha do «General sem Medo», uma historiadora insuspeita em tal caso. Embora não fazendo o elogio do estadista, a sua narração objectiva acaba por resultar, para um leitor atento, numa visão do grande nível do chefe do Governo, movido por profunda noção do amor à Terra Lusitana e da defesa dos interesses nacionais. Visão semelhante surge das descrições da sua actuação relativamente à Guerra do Biafra em que ressaltam as directivas aos diplomatas no sentido de não ser tomada qualquer atitude lesiva dos interesses portugueses, nomeadamente em relação à guerra do Ultramar, então em curso.

Quanto à não entrada na II Guerra Mundial, verifica-se, «a posteriori»,que foi uma oportunidade perdida de ser dado um abanão à mentalidade dos portugueses, e de permitir que despertassem energias para a reconstrução e renovação de valores, como aconteceu na recuperação das cidades alemãs. Muitas vezes, uma guerra ou outra grande desgraça, constitui o arranque voluntário para uma etapa positiva na vida de um país. Com a falta desse estímulo, os portugueses continuaram adormecidos e apáticos. Mas, é verdade que a essa perda de oportunidade de restauração do génio lusitano correspondeu, por outro lado, a ter sido evitada a destruição de património e perdas de vidas, o que para um homem sensato, humano e sensível era muito importante.

Mas não há bela sem senão e ninguém é perfeito. A partir da guerra, surgiu em força no mundo a ideia já germinada há meio século, do Terceiro Mundo e da Descolonização. Quanto a isso, Salazar fracassou. Parece não ter compreendido totalmente o mundo do pós-guerra. E isso prejudicou Portugal. Em vez de uma orientação para a negociação e a preparação racional do futuro do Ultramar, surgiu a ideia ilógica de «lutar contra os ‘ventos irreversíveis da história’». E os erros acumularam-se até à derrota final, acelerada pelo 25 de Abril, com maus resultados para ex-colónias e descolonizador.

Um homem sério que morreu pobre e deixou muitas toneladas de barras de ouro nas caves do Banco de Portugal que ainda hoje servem para tapar os buracos de maus governos. Teria sido melhor se tivesse investido essa fortuna em hospitais, universidades, auto-estradas, etc., evitando que, posteriormente, viesse a ser malbaratada, em benefício de políticas ineficazes e pouco patrióticas. Teve uma vida de inegável dedicação à Pátria, sem preocupação de enriquecimento pessoal, sem procura de visibilidade e de aplausos, sem viagens de propaganda, sem promessas falaciosas, sem publicidade enganosa. Mas, um pouco limitado e provinciano quanto a iniciativas de futuro e de visão das alterações do mundo.

Hoje, as gerações mais jovens, sem informação honesta e completa, apenas ligam o nome do estadista à Pide-DGS, vendo nesta organização apenas o seu lado de polícia política repressiva. Mas não há nenhum poder autoritário ou ditatorial sem um polícia desse género.

Contabilizando os prós e os contras, hoje, o povo na sua sabedoria prática e objectiva, sentindo a falta de segurança pessoal, da segurança social, dos sucessivos apertos de cinto a que é obrigado, costuma dizer, nos cafés, nos transportes públicos, nas diversas fias de espera, que Portugal está a precisar de outro Salazar, e que agora não basta um, são precisos vários.

Teve virtudes e defeitos, como toda a gente, Pode ser amado ou odiado, mas é justo apreciar o seu conjunto e não apenas tendenciosamente o bem ou o mal, com objectividade, com consciência isenta.

9 comentários:

MRelvas disse...

Caro A.João Soares,um texto muito interessante.Eu estudei no Colégio da Via Sacra em Viseu no período 74/75.Concordo com o que disse.Apenas acho que em relação à descolonização devia ter sido dado um passo para a autodeterminação,mas não entregue de qualquer maneira,deixando os portugueses na miséria.Aliás os portugueses sem visão e acomodados,não tiveram a visão dos sul-africanos que na guerra dos bohers iniciaram a sua independência.Era um homem que pagava as férias do seu bolso no Forte de S. Julião da Barra em Oeiras.Hoje "residência oficial do Ministro da Defesa"...onde Paulo Portas residiu enquanto tal.Exigiu pagar do seu bolso a luz de S. Bento.Então fizeram-lhe meia vontade,apresentavam-lhe a conta não total,porque a luz de S. Bento não era só a sua residência,mas os serviços e ANP.
Morreu pobre,era um provinciano,gostava da sua terra Stª Comba Dão.Era uma pessoa que apesar de o conotarem com a igreja e com o seu amigo Cardeal cerejeira,impunha um grande respeito à igreja,não tendo medo de a afrontar,nunca.Servia em S. Bento vinho da sua terra.Não gostava de viajar de avião.Não ostentava vaidades.Sabe-se o quanto era poupado.Tentava conservar ao máximo os seus botins.Trabalhava muito,sem horários.Dedicou a sua vida a Portugal e morreu pobre...Resta lembrar os seus dotes de professor na Universidade de Coimbra,onde estudou.

Abraços
Mário Relvas

A. João Soares disse...

Comentário recebido por e-mail

Quis responder no local certo mas o Blog não permitiu.
Gostei da forma isenta como biografou este (goste-se ou não) grande português e cuja memória paira muito acima dos politiqueiros de fresca data.
Socorro-me duma frase dele : "Sei muito bem o que quero e para onde vou mas não se exija que chegue ao fim em pouco tempo." para concluir que foi pena não ter sido gerado uns 10 anos antes para que pudesse ter chegado ao fim.
Um Abraço
M.D.

Bendix2006 disse...

Viva, Joao Soares. Gosto de análises isentas e sobretudo não baseadas em preconceitos e juízos de valor. O meu amigo, tenta realmente, uma análise isenta em relação ao Prof. Dr. Oliveira Salazar e concordo na generalidade com a apreciação.
Salazar, amava efectivamente a Pátria. E teve muitos defeitos e virtudes, como diz.
Talvez, para governar um país em ruína e recuperar as suas finanças, fosse realmente necessária uma política de fortes restrições! O Prof. Salazar, errou no facto de a estabelecer como eterna, pois perdemos o comboio no tempo.
Por outro lado, esqueceu-se do Povo, e a miséria grassava por todo o país, assim como a iliteracia. O Senhor como diz, frequentou o ensino liceal, o que nessa altura, só mesmo gente de posses o poderia fazer, uma classe social acima da média, ( deverei supor que pertencia a uma família de elite social, ou estarei errado?Sabe, que ver as coisas do ponto de vista de cada classe social é sempre diferente, daí a dificuldade de análise isenta, a um homem que gera ódios e amores, mas que deverá ser estudado e tem o seu lugar na história de Portugal.
Mas com os cofres cheios de ouro, relativos à poupança e a outras proveniências duvidosas, ( acordos com os alemães durante a 2ª Grande Guerra ), depauperava aínda mais o já pobre povo. Aí Salazar falhou redondamente. Em honestidade, isso sim este homem, foi aquilo, que hoje não vemos, nem vislumbramos nos actuais políticos e merece realmente admiração!

MRelvas disse...

Por vezes não conseguem por comments...os estranhos aos blogs...

MRelvas disse...

Salazar - Colégio Via Sacra
O Colégio da Via Sacra de Viseu é um dos mais antigos da região centro e nele Doutor António de Oliveira Salazar foi prefeito com a idade de 19 anos, depois de ali ser aluno. Foi também quando ocupava este cargo, reservado aquele que foi considerado o "melhor entre os melhores estudantes", que redigiu o poema-hino da escola.

"Nós queremos ser filhos/ Da Pátria sem rival/ Queremos a grandeza/ Do nosso Portugal" era o refrão.

Além de poeta, Oliveira Salazar foi ainda dramaturo e organizou saraus culturais para os alunos.

Outra das particularidades que Salazar tinha, e que mais tarde, durante 48 anos veio a confirmar, era uma vocação para orientar as vontades como se prova num dos textos por ele escritos no "Echos da Via Sacra", jornal interno desta escola, quando ali foi prefeito aos 19 anos.
"Sabeis, meus amigos, o que é dizer uma falsidade num jornal?", Pergunta Oliveira Salazar, para ele próprio responder: "É envenenar as almas singelas que o creem, é ludibriar os que em nós confiam, é desorientar os que por si não podem averiguar da veracidade de todas as affirmações".
Assim pensava e assim fez: durante quase meio século o Estado Novo tratou de evitar que os portugueses, como diz Oliveira Salazar, fossem "ludibriados", "envenenados" e "desorientados".
"Que respeito, meus amigos, nos não deve merecer a imprensa tão útil e tão prejudicial, e com que cuidado não devemos pensar os nossos artigos e pesar as afirmações que nelles fazemos! Que nunca a nossa penna se deshonre com uma falsidade, nem a nossa bôcca se manche com uma mentira", defendia o prefeito Salazar no jornal do Colégio da Via Sacra, prenunciando aquilo que faria anos mais tarde na condição de "prefeito" de Portugal.

MRelvas disse...

Salazar e o 28 de Maio
O regime instaurado em Portugal pelo golpe de Estado de 28 de Maio de 1926, dura, até à entrada em vigor da Constituição de 1933, quando se instaurou o Estado Novo. Em 28 de Maio de 1926 as instituições da I República foram derrubadas por uma sedição militar, iniciada em Braga por Gomes da Costa e coordenada em Lisboa por Mendes Cabeçadas, antigo revolucionário da Rotunda, ligado à União Liberal Republicana. Uma revolução quase à procura de autor que recebeu inicialmente apoio de variadas facções, de anarco-sindicalistas a católicos, passando por seareiros, integralistas, republicanos conservadores e monárquicos, mas cujos líderes foram sucessivamente devorados (primeiros Cabeçadas e depois Gomes da Costa), até se atingir a estabilidade com Carmona, muito devido ao apoio do Ministro das Finanças, Professor Doutor António de Oliveira Salazar que, pouco a pouco, emergiu como verdadeiro lider. Com efeito, Gomes da Costa, Cabeçadas e Carmona foram as três principais figuras de um puzzle sediciosos que, durante três meses, personificou um movimento que, sem autor, procurou um chefe. Gomes da Costa iniciou o movimento revoltoso em Braga, às 6 horas da manhã do dia 28, enquanto em Lisboa, uma Junta de Salvação Pública, liderada pelo Almirante Cabeçadas, lançou uma manifesto. No dia 29, depois da guarnição de Lisboa aderir a Gomes da Costa e de Carmona, que se encontrava em Elvas, assumir o comando da 4ª divisão, instalada em Évora, já o governo de António Maria da Silva apresentou a demissão. No dia 30, Cabeçadas aceitou o convite de Bernardino para assumir a presidência do ministério e a pasta da marinha, acumulando interinamente todas as outras pastas, enquanto Gomes da Costa determinou que todas as forças militares avançassem sobre Lisboa. No dia 31, por ordem do ministro da guerra, foi encerrado o Congresso da República, enquanto Bernardino apresentou a sua demissão perante aquele que fora obrigado a nomear presidente do ministério, Cabeçadas.

No dia 1 de Julho, com Gomes da Costa em Coimbra, anunciou-se um triunvirato, com ele, Cabeçadas e Armando da Gama Ochoa, mas este retirou-se imediatamente, acusado de ligação ao escândalo dos Transportes Marítimos do Estado. No dia 3, Gomes da Costa estacionou em Sacavém, enquanto Cabeçadas em Lisboa organizou um novo governo: Gomes da Costa ficou com as pastas da guerra, das colónias; para agricultura invocou-se Ezequiel de Campos; para a justiça, Manuel Rodrigues; para a instrução, Mendes dos Remédios; para as finanças, Professor Doutor Oliveira Salazar. Mas alguns ministros tardaram em tomar posse e outros, como Ezequiel de Campos, nunca chegaram a fazê-lo. No dia 4, já com Gomes da Costa na Amadora, chegou a chamada tuna de Coimbra, os nomeados ministros Remédios, Rodrigues e Professor Doutor Oliveira Salazar que, passaram primeiro pelo aquartelamento de Gomes da Costa, antes de tomarem posse. Salazar, entretanto, regressou a Coimbra no dia 5, sem assistir sequer ao triunfo da movimentação militar, no dia 6, com uma parada da vitória na Avenida da República, onde desfilaram 15 000 homens com a assistência do próprio núncio apostólico, na véspera de Gomes da Costa tomar posse da pasta da guerra e interino das colónias, juntamente com os novos ministros da agricultura, general Felisberto Alves Pedrosa, e do comércio, coronel Adolfo Pina.

Depois de Carmona tomar posse em 15 de Abril de 1928, nomeava novo governo, sob a presidência do Coronel José Vicente de Freitas, a partir do dia 18. Duarte Pacheco emerge como ministro da instrução pública e a pasta das finanças apenas iria ser preenchida no dia 27 de Abril, por António de Oliveira Salazar, na véspera de perfazer 39 anos de idade. Proclama então: "sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em poucos meses. No mais, que o país estude, represente, reclame, discuta, mas que obedeça quando se chegar à altura de mandar." É fulgurante a capacidade reformista do novo ministro, desatacando-se a reforma orçamental (Decreto nº 15 465, de 14 de Maio), onde se proíbe a criação de novas despesas sem autorização do ministério das finanças, e o primeiro orçamento, publicado em 1 de Agosto, onde se aprovava um superavit de 1 577 contos. É a partir de então que, dentro do panorama nacional se destaca uma enorme figura: Professor Doutor António de Oliveira Salazar. Aqui passava a residir o principal pólo do poder, onde os militares iniciavam um longo processo de declarações de lealdade ao jovem ministro. No segundo aniversário do 28 de Maio, os oficiais da guarnição militar de Lisboa, presidida por Domingos de Oliveira vão visitar Salazar que lhes retribui a visita no Quartel General de Lisboa, no dia 9 de Junho, falando numa política de verdade, numa política do simples bom senso e numa política de administração, tão clara e tão simples como a pode fazer qualquer boa dona de casa, na ascensão dolorosa de um calvário, onde no cimo podem morrer os homens, mas redimem-se as pátrias. O estilo das intervenções públicas de Salazar começam a estabelecer um novo ritmo discursivo, bem diverso tanto da linguagem dos militares quanto dos arrebatamentos verbais dos políticos republicanos. No dia 11 de Junho, numa entrevista ao Novidades, salienta que "o heroísmo é uma excepção na vida: tem de ser curto e decisivo." Em notas oficiosas pede lealdade na cobrança dos impostos e glosando avant la lettre aquilo que vai ser um dito célebre de Jean Monnet, proclama como divisa: nem optimismo, nem pessimismo, apenas fé. A oposição não desarmava. Logo em 20 de Julho de 1928, surgem novas movimentações golpistas, com a revolta dos Caçadores 7 no Castelo de S. Jorge (a chamada revolta do Castelo), em Lisboa, com sedições em Setúbal e no Entroncamento. Em 10 de Novembro de 1928, surgia uma remodelação governamental, surgindo mais dois ministros próximos de Salazar: Mário de Figueiredo, na justiça, e Cordeiro Ramos na instrução. Importava vencer o cabo do Bojador do défice orçamental. Aliás, durante todo o período demoliberal, apenas fora possível o superavit, com Dias Ferreira (1893-1894), Vicente Ferreira (1912-1913) e Afonso Costa (1913-1914). Estávamos na véspera do ano de 1929, quando, com a Grande Depressão, iniciada a partir da quinta-feira negra de 24 de Outubro, começava a capitulação das democracias liberais, ameaçadas por um admirável mundo novo. Da inflação vão brotar as novidades do nazismo e da reconversão intervencionista do New Deal rooseveltiano, bem como o reforço totalitário das duas ilusões revolucionárias do primeiro quartel do século XX, desde a soviética, iniciada em 1917, à fascista, desencadeada a partir de 1922. Enquanto isto, em Portugal, consolidava-se o salazarismo financeiro, marcado fundamentalmente pela reforma fiscal de 13 de Abril, e pela aposta num novo estilo de intervenção estadual no sector agrícola, pela institucionalização da campanha do trigo e pela estadualização do sistema do crédito agrícola. Isto é, retomavam-se as velhas receitas do socialismo catedrático, delineando um modelo de aparelho de poder estadual que não apenas dava respostas conjunturais, como na economia de guerra, mas que, pelo contrário, lançava as bases de uma intervenção estrutural na economia. Sintomaticamente, morriam dois símbolos do sistema anterior António José de Almeida e Gomes da Costa e, em 19 de Dezembro, era nomeado cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Gonçalves Cerejeira. Oliveira Salazar, numa entrevista concedida ao Diário de Notícias do dia 22 de Fevereiro, considerava que "as relações entre o cidadão e o Estado em Portugal enfermavam de dois vícios. Para alguns, o Estado é o inimigo que não é crime defraudar, para outros, o Estado deve ser o protector da sua incapacidade e o banqueiro inesgotável da sua penúria", salientando que "a Nação pode mudar de médico, mas não está em condições de mudar de tratamento." Continuando, em 1 de Maio seguinte, em declarações ao Novidades, acrescentava que "nunca nenhum médico perguntou a um doente o remédio que ele deseja tomar mas apenas o que é que lhe dói."

Em 5 de Julho de 1932, o prestigiado ministro já ascende à chefia formal do Governo, começando, a partir de então, a institucionalizar-se um novo modelo de legalidade que se concretiza com a aprovação de uma nova Constituição, pelo plebiscito nacional de 19 de Março de 1933.

MRelvas disse...

perspectiva de Lisboa
"A distância a que Portugal se encontra da zona perigosa da Europa dá-lhe perspectiva para apreciar os acontecimentos, especialmente quando o observador é o Primeiro-Ministro português, que além de ser um estadista, é um filósofo.

O Sr. Doutor Oliveira Salazar está convencido que a guerra na Coreia näo precipitará, antes pelo contrário, uma guerra mundial, primeiro, porque revelou aos russos que näo podem contar com o abstencionísmo americano, segundo porque mostrou aos americanos a solidez das posiçäo russa num continente em que eles podem fornecer largamente os exércitos vermelhos.
O Dr. Salazar avisa os americanos de que näo podem ser uma espécie de bombeiros voluntários, acudindo a combater todos os fogos..."

"Truth", de Londres, no seu número de 18 de Agosto, p.p., - 1950

Também, na mesma altura, o jornal marroquino "Dépêche Tunísiene", de Túnis escreve:

"Em qualquer outro país em que um homem de Estado tivesse levado a cabo uma obra semelhante à do Presidente do Conselho de Portugal teria servido de pretexto a regozijos públicos. Embandeirariam em arco, teria havido paradas militares, e o heroi da festa mostrar-se-ia às multidöes e, sem dúvida, pronunciaria um discurso retumbante...

Esta modéstia excessiva dum homem de Estado que ficará entre os maiores da História, näo deverá deixar esquecer ou desconhecer aquilo que o seu imenso trabalho representa.
Näo é nenhum exagero afirmar que hoje Portugal faz no mundo uma figura muito grande. É igualmente verdadeiro que há menos de um quarto de século este País era objecto de compaixäo e de quase irrisäo.
Se Portugal, surgindo de täo baixo, atinge hoje tal altura, deve-o ao esforço silencioso e perseverante de um homem, e os resultados obtidos ficam inscritos num bronze duradoiro, segundo a imagem de Horácio.

Qualquer que sejam as altas virtudes deste homem excepcionalíssimo, como é Oliveira Salazar, o seu exito deve-se, em parte, pelo menos ao facto de ele ser um jurista perfeito.

Já em 1933, o Chefe do Governo Português fazia promulgar uma Constituiçäo política que correspondia a um novo conceito do Direito Constuticional, visto ligar particular importância às realidades sociais e aos interesses económicos."

Descreve depois, sucintamente, as bases da Constituiçäo e a obra levada a cabo pelos princípios nela exaradas, demorando-se mais a descrever a obra económica, industrial e agrícola; a Ordem nas ruas, na Administraçäo Pública, as relaçöes entre a Igreja e o Estado; a instruçäo pública e a Mocidade Portuguesa.
E finalmente, observa;

"Importava, nesta data, lembrar, simplesmente e a traços largos, que dívida imensa Portugal contraíu para com o homem iminente que, há dezoito anos, à custa de um trabalho insano que näo conhece repouso, dirige com mäo firme e segura os seus destinos e lhe assegura a glória."

A. João Soares disse...

Amigos,

Agradeço os comentários a este meu texto. Como democrata de há muitas décadas, aceito opiniões diferentes da minha. Compreendo visões diferentes, mas tenho que corrigir as lentes de míopes que pensam estar a ver correcto.

BENDIX faz umas conjecturas com certa racionalidade, mas que, partindo de DADOS ERRADOS, não podem aportar a conclusões CORRECTAS. Para começar, dir-lhe-ei que, se tem lido os comentários que tenho inserido neste Blogue, sabe a minha idade e, portanto, os anos em que andei no liceu. Lendo o texto aqui postado e o primeiro comentário de M Relvas, pode saber a cidade em que estudei. Logo, pode certificar-se junto de pessoas da minha idade e também alunos do mesmo liceu, dos erros de que partiu.

Por outro lado, em 27 de Agosto, postei aqui um texto sob o título «Custos da abertura do ano escolar» em que referia um miúdo que teve de vencer muitas dificuldades materiais para estudar, e agora lhe confesso que esse miúdo era eu.

O seu primeiro erro reside logo quando diz que «só mesmo gente de posses» poderia frequentar o ensino liceal. Não era esse o caso da minha família, que se vivesse mais longe do liceu não teria sido possível permitir-me estudar, pois tinha que percorrer diariamente, chovesse ou nevasse, seis quilómetros nos dois sentidos, a pé. E ao longo de sete anos nunca dei uma falta ou cheguei atrasado. Além de poupar custos de hospedagem, o tal regime de que BENDIX fala, concedeu-me isenção de propinas, dadas as boas classificações que sempre obtive e após o exame do 5ºano, o primeiro que fiz (porque o do 1º ciclo mudou do terceiro ano para o segundo quando eu passava do segundo para o terceiro, pelo que o meu ano não fez esse exame), por ter média superior a 16, recebi uma bolsa de estudo, que foi uma linda recompensa.

Não saí de uma «classe social acima da média» como diz, mas sim de uma classe moral muito acima da média, em que havia o culto da seriedade, da honradez, da honestidade e da verdade. Não pertenci a «uma família da elite social», mas sim a uma família da elite moral e cívica muito conceituada na aldeia, na freguesia e nas localidades próximas. Gente honrada e trabalhadora que sabia gerir muito bem os seu esforço e formar o melhor possível os filhos, e a que devo em grande parte aquilo que sou. O regime não era de elite e apoiava quem demonstrava valor. Recebi da Mocidade Portuguesa vários livros e a própria farda. Hoje é diferente: todos são arrastados até ao actual nono ano, saibam ou não, perdendo tempo e criando o vício da ociosidade e de cravar os pais e o sistema, com a convicção de que não precisam de estudar ou de fazer esforço para que tudo lhes seja dado. Não se estão a formar cidadãos válidos, embora as excepções venham a constituir pequenas elites de valor, de excelência, com que o País poderá contar. E a propósito da Mocidade Portuguesa que tanta gente critica, foi nela que aprendi a camaradagem e o trabalho em equipa, aprendi dactilografia, secretariado, organização, enfermagem e primeiros socorros, etc. Embora desde a instrução primária soubesse todas as linhas e ramais, estações e apeadeiros do caminho de ferro, só fiz a primeira viagem de comboio com 18 anos para um acampamento da Mocidade na Quinta da Comenda perto da praia da Figueirinha em Setúbal

Isto tudo para lhe fazer ver que os pressupostos do seu «brilhante» raciocínio estavam completamente errados. Com o meu espírito crítico e rebeldia intelectual, alimentados desde tenra idade e com os variados cargos que exerci durante a vida, habituei-me a analisar as coisas sem paixão, com o máximo de isenção e distanciamento, mas com determinação. Tenho muito orgulho nas minhas origens e, embora não conheça BENDIX, se é homem ou senhora, não deixei de expor este passado de que me orgulho, por saber que poucos tiveram a capacidade de percorrer um tal itinerário. Se desejar saber mais pormenores e conhecer mais a fundo a vida desse tempo, que demonstra desconhecer completamente, pode contactar-me por e-mail, porque não quero maçar os visitantes de A Voz do Povo com coisas em que não estejam interessados.

Anónimo disse...

En el Portugal del Profesor Salazar.......¿Se vivía mejor?

Prémio

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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