24 outubro 2006

É URGÊNTE MUDAR

Cedo acordo.
Atordoado, desperto finalmente, do torpor que me invade, e me consome. Raciocino, ou julgo raciocinar, neste marasmo existencial que suporto, e sustento...
Há porém, um ciclo que se fecha, que chega ao fim.
Já não sou mais jovem pujante, e vigoroso de outrora!
Todavia, há outra faceta que emerge neste novo ciclo. O vivência, o saber adquirido, a experiência da vida, que durante estes anos, enriqueceu o meu modesto intelecto, neste tempo que ficou para trás.

Esta reflexão embora fugaz, que agora faço. É simplesmente uma súmula cronológica, de uma vida muito difícil e complexa, que dura à 54 anos quase 55.
Lembro...Uma criança pobre, carênciada, que passou fome. Que sentiu na pele, a dureza de ter que trabalhar muito cedo, para atenuar as carências económicas, de uma família longa e pobre, que exactamente por essa circustância, não pode continuar os estudos.
Que viu morrer o pai quando tinha apenas 11 anos de idade.

E como todos sabem, pelo menos os da minha geração. Era culturalmente aceite e normal, que a mulher não trabalhasse, para se dedicar à família e à lida da casa.
Nessa altura da morte do pai, quando tinha exactamente 11 anos, tudo se complicou.
A mãe que não trabalhava, viu-se com 6 filhos para sustentar ainda pequenos, viuva, e sem qualquer rendimento, para sustentar os filhos e fazer face às despezas daí decorrentes.
Como se compreenderá, foi muito duro este calvário, levado a cabo por esta família, que ficou na mais profunda miséria, e que em circustâncias extremas teve andar a pedir esmola.
Para essa criança e restante família, foi muito traumatizante toda esta tragédia social que teve que suportar.
Mas entretanto, conseguiram com alguma dificuldade, levantar a cabeça e seguir em frente.

E durante estes anos que entretanto passaram, até aos nossos dias, ainda existem muitas famílias semelhante, com este tipo de mentalidade, que precisam urgentemente de ajuda, para alterarem esta forma de estar, que ficou parada no tempo.
E isso, como disse atrás, vem na sequência de pessoas que apesar, de estarmos em 2006, pensam e agem, como se estivessemos em 1950 ou 1960.
Pouco instruídas, muitas delas nem sequer têm o ensino básico, refiro-me aos pais naturalmente, e que por consequência, seguem essa logica cultural.

É portanto sintomático, alguma pobreza extrema que deriva exactamente dessa circustância.
Muitas dessas pessoas abituaram-se, a não se preocuparem muito com a instrução e educação dos próprios filhos. Por entenderem que o que interessa é ir trabalhar, nem que seja para trolha, pese a dignidade que essa actividade tem, para ganhar dinheiro.
Existe ainda nos nossos dias, esta mentalidade sócio-cultural, que impera em muitas camadas da população portuguesa. E que está na origem, deste desiquilibrio entre os que muito têm, e os que vivem no limiar da pobreza.

É neste contexto e realidade, socio-económica e cultural, que os nossos governantes deveriam, debruçar-se com mais atenção. Se o fizessem, com a devida atenção que ela merece, se calhar o fosso, entre os portugueses seria muito menor.
Mas...Nunca é tarde para se inverter o ciclo, e fazer de facto, mudar Portugal.

4 comentários:

MRelvas disse...

Caro Mário Margaride,bom dia!

É um nobre texto,refelxo de uma vida dorida,mas digna.
Agradeço-lhe esta sua singela abertura,partilhando connosco essa sua difícil e nobre vivência.

Caro Mário Margaride,como militar que foi em África,(dê um salto a http://aromasdeportugal.blogspot.com-veja o post Passa-Palavra e comente-veja o testemunho do bravo camarada Alexandre Magno em comments-convite extensivo a todos os amigos deste Blog e evisitantes),que não fugiu,que não foi para uma dolorosa comissão em Paris,ou outra zona de "conflito",indo de "férias" para Angola.

Os meus parabéns por tal texto.

Um abraço forte
Mário relvas

david santos disse...

Obrigado, Mário. O sentimento tem que ser uma realidade nem pode surgir com o estado de espírito em que em determinado momento nos possamos encontrar. Deve estar omnipresente, quando o deixamos escapar, ele será contrabalançado com a ganância e a vontade de parecer. Esta é a diferença entre uma boa cultura e uma cultura errática. Possuir uma experiência assim, será o mesmo que possuir uma grande fortuna. Quero dizer, que os olhos do meu amigo viram e sentiram, quer no seu próprio meio, quer fora dele. Não tenho mais palavras.
Obrigado meu amigo, Mário Margaride.
Até sempre: david santos

Ludovicus Rex disse...

Um testemunho que me fez pensar muito. Ainda hoje no Séc. XXI, infelizmente assistimos a este tipo de situações, coisa que os nossos governantes nem sempre dão a devida atenção.
Seriam preciso políticas acertadas para evitar a exclusão social e consegutivamente o atraso de Portugal.
Cumprimentos

tr3nta disse...

portugal está a mudar (pouco a pouco,basta olhar 30 anos para trás)...
gostaria de acreditar que essa mentalidad 'socio-cultural' de que falas... é uma minoria... e estou seguro que assim é, nem tanto ao mar nem tanto há terra, as coisas mudam (mudar não é provavelmente o verbo melhor), evolucionam mas não em 2, nem 5, nem 20 anos... lamentavelmente tudo vai muito devagar, só há 15.000 anos inventamos o fogo... e já levavamos uns milhoes por aqui...
não me conformo, devemos fazer ouvir a nossa voz... a voz do povo...

parabéns pelo blog...

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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