20 outubro 2006

RAZÕES PARA OPTIMISMO

Portugal vale a pena

Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade e de recém- nascidos do mundo, melhor que a média da União Europeia.
Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores. Mas onde outra é líder mundial na produção de feltros para chapéus.
Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende para mais de meia centena de mercados. E que tem também outra empresa que concebeu um sistema através do qual você pode escolher, pelo seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.
Eu conheço um país que inventou um sistema biométrico de pagamentos nas bombas de gasolina e uma bilha de gás muito leve que já ganhou vários prémios internacionais. E que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, onde se fazem operações que não é possível fazer na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos. Que fez mesmo uma revolução no sistema financeiro e tem as melhores agências bancárias da Europa (três bancos nos cinco primeiros).
Eu conheço um país que está avançadíssimo na investigação da produção de energia através das ondas do mar. E que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para os clientes de toda a Europa por via informática.
Eu conheço um país que tem um conjunto de empresas que desenvolveram sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos a pequenas e médias empresas.
Eu conheço um país que conta com várias empresas a trabalhar para a NASA ou para outros clientes internacionais com o mesmo grau de exigência. Ou que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagensdas auto-estradas sem parar. Ou que vai lançar um medicamento anti-epiléptico no mercado mundial. Ou que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça. Ou que produz um vinho que "bateu" em duas provas vários dos melhores vinhos espanhóis.E que conta já com um núcleo de várias empresas a trabalhar para a Agência Espacial Europeia. Ou que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamentos de cartões pré-pagos para telemóveis. E que está a construir ou já construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade um pouco por todo o mundo.
O leitor, possivelmente, não reconhece neste País aquele em que vive - Portugal.
Mas é verdade. Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses. Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude software, Primavera Software, Critical Software, Out Systems, WeDo, Brisa, Bial, Grupo Amorim, Quinta do Monte d'Oiro, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Space Services. E, obviamente, Portugal telecom Inovação. Mas também dos grupos Pestana, Vila Galé, Porto Bay, BES Turismo e Amorim Turismo.E depois há ainda grandes empresas multinacionais instaladas no País, mas dirigidas por portugueses, trabalhando com técnicos portugueses, que há anos e anos obtêm grande sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal, McDonalds (que desenvolveu em Portugal um sistema em tempo real que permitesaber quantas refeições e de que tipo são vendidas em cada estabelecimento da cadeia norte-americana).
É este o País em que também vivemos.
É este o País de sucesso que convive com o País estatisticamente sempre na cauda da Europa, sempre com péssimos índices na educação, e com problemas na saúde, no ambiente, etc. Mas nós só falamos do País que está mal. Daquele que não acompanhou o progresso. Do que se atrasou em relação à média europeia.Está na altura de olharmos para o que de muito bom temos feito. De nos orgulharmos disso. De mostrarmos ao mundo os nossos sucessos - e não invariavelmente o que não corre bem, acompanhado por uma fotografia de uma velhinha vestida de preto, puxando pela arreata umburro que, por sua vez, puxa uma carroça cheia de palha. E ao mostrarmos ao mundo os nossos sucessos, não só futebolísticos, colocamo-nos também na situação de levar muitos outros portugueses a tentarem replicar o que de bom se tem feito.Porque, na verdade, se os maus exemplos são imitados, porque não hão-de os bons serem também seguidos?

Nicolau Santos, in Revista Exportar

nota do blogger: Este texto evidencia a capacidade das empresas privadas. O mal do País reside no regime político e nos agentes que o praticam

3 comentários:

MRelvas disse...

Caro A. João Soares,o que descreve é real.No entanto são excepções que se perdem no global.São empresas com descobertas fantásticas que se desenvolvem no mundo.Se temos empresas que tal conseguem,porque a maioria não o consegue?
Na àrea da producção poderiamos referir mais algumas-Compal,Unicer,Central de Cervejas...poucas mais conseguem entar no ramo da competividade.E para lá da tecnologia informática de que Braga é um expoente (Primavera e outras)falta-nos a produção que dê lugar ao empregoem escala.

Mas sim Portugal tem coisas muito boas.É preciso que as mantenhamos e melhoremos.Que desenvolvamos a agricultura,as pescas,a indústria,o comércio de retalho tradicional(pequeno) morre.

Para lá do acreditar neste país,em 75% se revê em Espanha,é preciso o governo criar uma política de incentivos e protecção aos artigos portugueses.É preciso baixar o IVA.
Mas o Governo só sobe impostos.Agora vamos ver aumentada na base 2,5% no preço dos combustiveis!O que significa que tudo aumentará de novo!
Bem haja a quem tem forças para criar riqueza e manter as sedes em Portugal!...

Um abraço

Mário Relvas

Mário Margaride disse...

Concordo com o Mário Relvas. Até parece impossível mas é verdade!
Claro que estas empresas são uma gota no "oceano", no "imenso mar" das milhares de pequenas e médias empresas, que compôem o nosso tecido empresarial.
E as restantes! Mantêm-se num antêntico marasmo. Como diz o Relvas, a indústria, os têxteis, o pequeno comércio, as pescas. Estes sectores estagnaram, morreram.
É nesseçário revitaliza-lo, mas para isso é preciso investir! Mas não é o Governo, mas sim os empresários desses sectores.
Um abraço.
Mário Margaride.

A. João Soares disse...

Amigos Mários
O texto não é meu. Está identificado o autor. Mas achei-o tão interessante, que o trouxe para aqui.
Os vossos comentários são mais pessimistas do que o desejável. O pessimismo só é vantajoso na medida em que incitar à busca de uma saída para a frente, na procura de uma solução construtiva. Claro que seria interessante que estas poucas empresas fossem imitadas por muitas outras, para os portugueses verem aumentada a sua condição de vida. Mas serem apenas algumas já é um sinal positivo que nos deve dar esperança no futuro. As grandes inundações começam com pequenas gotas de chuva. As grandes searas começam por um terreno lavrado, pouco depois germinam as sementes, aparecem minúsculas plantas que crescem....
Para serem o fermento de um país desenvolvido, é imperioso que sejam apontadas publicamente como exemplos a seguir. Quem o pode fazer é o Governo. Quem deve dar incentivos às boas empresas e dar protecção aos produtos portugueses é o Governo. Mas, desgraçadamente, em Portugal impera a irracionalidade: Dão-se balões de oxigénio a empresas à beira da falência, sendo o resultado o adiamento desta por alguns meses. O dinheiro público seria melhor empregado em prémios aos que têm sucesso, porque dessa forma serviria de incentivo a outros e levaria a maiores investimentos. Numa situação de incerteza, dúvidas e receios ninguém é atraído a fazer investimentos. Estes só se desenvolvem em climas de esperança. Por outro lado, o Governo deve orientar o ensino para dar preparação empresarial e de negócios aos jovens. Os tempos que correm o sentido prático deve ser desenvolvido e, com base na ciência e nos bons conceitos já comprovados.
Pessoalmente, gostei deste texto, por ver nele uma réstea de esperança no futuro. Se houver mais pessoas a citar os bons exemplos, eles serão imitados pelos melhores.
Um abraço para o M Margaride e para o M Relvas (por ordem alfabética!)
A. João Soares

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