27 setembro 2006

Afinal, quem emperra a economia!

O relatório do Fórum Económico Mundial que anualmente publica o "ranking" das empresas mais competitivas a nível Mundial.
Apresenta Portugal mais uma vez a descer, em relação ao ano transato, caindo três lugares.
Estando a nossa economia, na 34.ª posição na lista elaborada pelo Fórum Económico Mundial, liderada pela Suiça.
E segundo o mesmo relatório, esta queda, deve-se essencialmente à falta de competitividade das empresas do sector privado.
Que têm investido pouco na inovação, tecnologia, e na formação, deixando de ser competitivas.
Não tendo por essa razão, acompanhado as restantes empresas a nivel Mundial, no seu desenvolvimento.
Já o mesmo não diz o relatório, em relação ao sector público, que tanto criticado é em Portugal por alguns sectores da sociedade. Pelo contrário.
Embora sem a pujança que desejaríamos, está a desenvolver-se, e a modernizar-se devagar, mas está a fazer progressos.
Ao contrário do sector privado, que ficou parado no tempo, não se modernizando, deixando por isso de ser competitivo.
Salvo raras excepções
Aqui estão dados fornecidos pelo mesmo Fórum Económico, que ajudam a caracterizar a economia portuguesa.
1º: Instituições: Portugal 28º lugar, 1º Finlândia.
2º: Infra-estruturas: Portugal 26º, 1º Alemanha.
3º: Macroeconomia: Portugal 80º, a pior de sempre, 1º Argélia.
4º: Saúde/educação inicial: Portugal 16º a melhor classificação, 1º Japão.
5º: Educação superior: Portugal 37º, 1º Finlândia.
6º: Eficiência de mercados: Portugal 38º, 1º Hong Kong.
7º: Capacidade tecnológica: Portugal 37º, 1º Suécia.
8º: Sofisticação no negócio: Portugal 43º, 1º Alemanha.
9º: Inovação: Portugal 32º, 1º Japão.
Aqui está a prova de um Organismo internacional, que ninguém concerteza pôe em causa.
Que de facto o que emperra a nossa economia, não é o estado. Mas o sector privado.
Senão vejamos! A maioria das pequenas e médias empresas, que no fundo, são a maioria do tecido empresarial português.
Trabalham com as mesmas máquinas, as mesmas tecnologias, de há 20 ou 30 anos atrás!
Não investem, não se modernizam, não fazem formação dos seus funcionários, logicamente deixam de ser competitivas!
Depois evidentemente, ficam obsoletas.
E quem sofre com este desinvestimento, são os trabalhadores, que depois, vão parar ao desemprego.
Ao contrário do que se apregoa, é aqui o "cancro" da nossa economia, no sector privado.
Com as excepções dos grandes grupos económicos, como a Sonae, a E.D.P, ou a Galp, que de facto acompanham as restantes empresas a nivel mundial, dentro da sua dimenssão, é claro. Tudo o resto das pequenas e médias empresas, é o marasmo completo.
Então o comércio tradicional, que tanto se queixa da concorrência das grandes superfícies...Basta andar na baixa do Porto, para verificar, que há muitas lojas exactamente como eram há 20, 30 anos.
Depois queixam-se da concorrência.
Que invistam, que se modernizem!
Ou não será assim?

8 comentários:

Carlos Silva disse...

A minha ignorância começa a esbater-se com este texto. Fico a saber que a maior produtividade e competitividade reside nas empresas estatais como a EPUL com 15 directores que nada fazem mas recebem vitaliciamente ordenados fabulosos, na PT onde estão asilados os filhos de governantes e outros políticos, e não numa Sonae, num Salvador Caetano, numa Unicer, numa Centralcer, numa Autoeuropa, num Nabeiro, numa Soares da Costa, etc, etc.
Sempre tinha ouvido dizer que os funcionários públicos eram pouco produtivos.
Agora fico mais sossegado porque o aumento das exportações do sector público irá cobrir as importações que temos de fazer para termos equipamentos e material de consumo que são indispensáveis para a nossa felicidade, bem-estar e sgurança.
Obrigado senhor Mário Margaride por este esclarecimento que me traz uma paz enorme, de que estava carente.
Cumprimentos

Pedro Lopes disse...

O Sr. Carlo Silva, permita-me que lhe diga algumas palavras de conforto. Realmente, o Sr tem andado pouco informado acerca da economia empresarial portuguesa, talvez por não ler os mesmos livros que Mário Margaride. Olhe que ele sabe bem aquilo de que fala. Leia atentamente as palavras dele e ficará a saber que a quase totalidade dos empresários privados são estúpidos como uma porta e ignorantes com asnos, e em vez de terem como objectivo o lucro, fazem tudo para ir à falência. Para isso, não se preocupam com a manutenção e a modernização dos equipamentos nem com a formação dos recursos humanos.
Pelo contrário, as empresas públicas têm equipas dirigentes reduzidas, de alta competência, com custos baixos, dispõem dos equipamentos mais modernos e sofisticados e preparam eficazmente o seu pessoal que está altamente motivado, do que resulta um elevado grau exportações que constitui exemplo muito enfatizado por economias muito evoluídas como as da Suíça, Finlândia, Suécia, Noruega, Alemanha, etc. etc.
Espero que compreenda esta lição magistral do Sr M. Margaride. Ele sabe, porque está bem por dentro da nossa economia, tendo uma visão objectiva, abrangente e realista.
Tásse a ber num tásse?
Espero ter contribuído pra a superação da ignorância que confessou no seucomentário.

Anónimo disse...

Perdoem-me... mas é certo que nenhum dos senhores, sabe o que diz!

Pacificador da Padrela disse...

Pois é, o Anonymous sabe o que diz. Juntou-se um lindo trio a brincar com coisas sérias. Cambada de morcões! Porque não vão os três, Mário Margaride, Carlos Silva e Pedro Lopes, pentear macacos? Se não sabem o que é COMPETITIVIDADE, deixem os teclados em paz, em vez de estarem a manchar o bom nome e a bela imagem já adquirida pel'VOZ DO POVO.

Mário Margaride disse...

Parece que os meus caros senhores não compreenderam, que essa realidade é o próprio Fórum Económico Mundial que conlui no seu relatório anual. Não fui eu que o inventei! Se os senhores tivessem ouvido a "Antena aberta" de ontem na antena 1. Que devem saber é um programa aberto aos ouvintes! O tema era exactamente este. O relatório anual deste organismo internacional. E ouveriam exactamente, o mesmo que eu ouvi, de dezenas de pessoas, que corroboram a minha opinião. Se calhar os meus amigos não lêm os jornais, não ouvem rádio, e não vêm televisão! Este relatório saíu nos jornais ontem 27-09-2006 entre outros no Jornal de Notícias. Estão lá as conclusões desse relatório.
Agora as causas da falta de competitividade, são de facto o não investimento na modernização, e na formação, principalmente no sector da metalurgia e nos têxteis. Basta ir ao vale do Ave, para constatar essa realidade. Na metalurgia, é só vermos o que se passa na Bombardier, como exemplo mais recente. E deverão saber concerteza, que a esmagadora maioria das pequenas empresas, estão instaladas em autênticos barracões, sem o mínimo de condições de trabalho, há vários anos. Porque em muitos trabalhadores dessas empresas, querem uma broca para fazer o seu trabalho e ela não existe! Parece caricato mas é verdade! Eu trabalhei em muitas dessas empresas, meus amigos. Que naturalmente não tinham futuro, e fecharam. Isto não é ficção meus caros amigos, é a realidade! É esta a triste realidade das nossas micro e pequenas empresas.
Se calhar os meus amigos só olham! Para as grandes empresas, que essas de facto vão se modernizando. Mas são as tais excepções que eu falo! Mas as pequenas, e as micro empresas...essas ficaram de facto paradas no tempo. E podem ter a certeza, que são a esmagadora maioria em Portugal!
Cumprimentos

david santos disse...

Um abraço, Mário.
Estive a ler o seu texto com a serenidade que me foi possível para lhe expor o meu desagrado em relação a algumas passagens do mesmo.
Com o início do texto, nem tanto, porque, como ele diz: "das empresas mais competitivas a nível Mundial".
Já com o 6º parágrafo, ainda que este seja pertença do Fórum Económico Mundial, não estou nada de acordo. Parece conter uma ninhada de gatos. Há, no sector privado, muito boa gente com vontade de se modernizar e fazer com que tudo corra pelo melhor mas, este mas é que é o diabo, está a entender, não está amigo Mário? Pois é! Vou ficar por aqui. Agora, como amigos que somos, vou-lhe dizer outras coisas, Conheço pequenos e até médios comerciantes e industrias, cujo exageros era irem à missa. Que se saiba, não é ir à missa onde se estragam fortunas. Desculpe o exemplo, mas isto é para ir ao encontro do seu espírito, deixando de fora grande parte do conteúdo, não me leva a mal, pois não grande amigo?
Conheço, como penso ser o caso do Mário, haver entidades patronais honestas e, que por sê-lo, hoje passam fome. É verdade. Tenho a certeza que o meu amigo sabe. E não são poucos. Eu sei que o meu amigo não duvida do que digo mas, sem ensinuar que duvida, passe por São João da Madeira e posso mostrar-lhe alguns. Sabe o que eram enquanto comerciantes ou industriais? Pessoas honestas. Por isso, a generalização do Fórum, não passa de uma brincadeira para grande ver. Falar em sector privado, no caso concreto português, tem muito que se lhe diga. É, garanto, uma responsabilidade moral. Claro que sei haver dos tais insinuados no texto, mas... Só quem vê, Mário, só quem vê! O Fórum Económico Mundial está dirigido a uma clique que pouco ou nada tem com a maioria da industria portuguesa.
Quanto ao Público, não querendo estar em desacordo com o meu amigo, ou; com o Fórum, e não querer entrar por sítios que me aborrecem, o tempo dirá, aliás, como tem dito.
Um grande abraço, amigo Mário.
Há muita gente boa no sector privado, só que anda com as calças na mão e ninguém olha para essa gente.
Sempre fui trabalhador por conta de outrém, mas vou vendo!
Um grande abraço, meu grande amigo.
David Santos

MRelvas disse...

O sector privado caíu por alguns motivos.Subsídios por resultdos negativos,não preparação para a globalização,falta de formação e escolha de nichos de mercados negativos.Alguém acredita que as multincionais tenham vindo para Portugal noutros tempos pela capacidde produtiva dos portugueses,pelos lindos olhos?Vieram porque a nível europeu era a mão de obra mais barata.Agora com a crescente queixa e lamentações dos sindicatos,com a equiparaçaõ e aumento dos custos (mão de obra e aumento do Iva),eles buscam agora mercados mais competitivos.E como já disse anteriormente isto não vai ficar assim,piorará!!
Contrarimente ao que afirmam o peso dos funcionários públicos em relação à Europa não é muito elevado,mas é "desnecessário" haver 20% a trabalhar para 65% e os restantes 15/20% estejam de baixa,ou afins...
Portugalprecisa de um pacto de seriedade em todas as matérias e aqui é necessário um pacto de regime "partidos, sindicatos, entidades patronais e o estado/governo no sentido de desbloquear uma política de salvação de Portugal...já é muito difícil de conseguir!

Não percam tempo!

Mário Margaride disse...

Olá amigo David. O amigo tem razão quanto à generalização. Tenho que reconhecer que ao falar no sector privado, deveria falar naqueles que de facto faz sentido referir, como é o caso da metalurgia, e dos têxteis. Como o amigo sabe, paraticamente não existem. É só passar na zona do vale do ave, para constatar essa realidade. E no que se refere à metalurgia, queira saber o amigo, que trabalhei no sector de cerca de 35 anos. Sempre em micro empresas, e sei muito bem do que falo. Pode crer amigo David, que nalgumas dessas pequenas empresas, entre elas a JORSIL, e a Reis Conde, Faliram por má gestão. E quanto a modernização...nunca a fizeram! Ainda hoje não vi um tostão, no caso da Reis conde, que fe ficaram a dever! É natural que o amigo não tenha conhecimento destas situações, pois já foi nos anos 80. O meu sector, para que o David se situe, são artigos decorativos em prata e estanhos. Para que o meu amigo compreenda melhor, de que é que estou a falar.
É evidente que há muita gente séria! Longe de mim generalizar! Se o fiz, foi sem intenção. Agora no meu sector, pode ter a certeza, que a grande maioria, das poucas empresas que hoje ainda existem. Trabalhavam e trabalham, em autênticos barracões, sem o mínimo de condições. Disso pode ter a certeza!
Quanto aos números referidos pelo Fórum, e ao relatório , são da responsabilidade do mesmo. Eu apenas os divulguei. Como aliás o amigo sabe.
Sei perfeitamente que há muita gente séria. Mas também sei, e se calhar o amigo também saberá, há muito mau empresário! Que é para não chamar outra coisa.
Um grande abraço, amigo David.
Mário Margaride

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