12 setembro 2006

Oligarquias irresponsáveis


Há muito pouco ou nenhum respeito pelos dinheiros públicos. As autarquias esbanjam o dinheiro das contribuições e impostos a seu belo prazer, em gastos de ostentação, «obras de arte» de péssimo gosto para interesse de «artistas» seus amigos, sem correspondência com os verdadeiro interesses da população, sem contribuírem para aumento do bem-estar e da qualidade de vida, como era suposto ser sua missão. A moda das rotundas com uma «pedra» no centro tem ficado muito cara aos contribuintes, o mesmo se passando com dádivas ao futebol e a outras actividades festivas que dão prazer a uns quantos e benefício a uns poucos. Do mesmo modo, a criação de empresas municipais apenas para benefício de amigos, elementos da oligarquia, sem quaisquer finalidades para a população em geral e sem rentabilidade para a autarquia, não se pode considerar que se trata propriamente de investimento.

O resultado veio agora a lume, com a notícia de que as autarquias devem mais de oito mil milhões de euros, sem que ninguém seja responsabilizado por entidade fiscalizadora nem pela Justiça. O resultado acaba por não afectar uma reforma milionária para o autarca. E o pior é que a falta de moral e de sentido de responsabilidade vai ao ponto de as autarquias hipotecarem o futuro de gerações futuras efectuando empréstimos a pagar com receitas correntes previsíveis. O que significa isto? Se as receitas correntes não têm sido suficientes para alimentar os gastos faraónicos de ostentação irracional e incompatíveis com a situação de carência das populações, como viverão os futuros autarcas que já não poderão contar com as receitas já hipotecadas?. Ou fecham a porta e os cidadãos que se tramem ou obrigarão estes a pagar o dobro ou o triplo de contribuições e impostos. Isto tem lógica? Tem moral? Há Justiça que possa fechar os olhos a este despautério? Tal como as pessoas, não convém viver acima das possibilidades e legar aos herdeiros penas dívidas.

E dizia o Dr. Jorge Sampaio, quando PR, que é necessário combater a campanha anti-política! Efectivamente, o que é necessário e urgente, neste nosso rectângulo, é combater os políticos incompetentes, corruptos, irresponsáveis, maus gestores, esbanjadores de dinheiros públicos, em todos os níveis.

6 comentários:

MRelvas disse...

Bingo!Em cheio num tema quentíssimo e bom!Imaginem o que é ter um presidente da Câmara Municipal de Braga há cerca de 30 anos...é só amigos,os mesmos de sempre,que com a amizade espalharam o poder pelo país...1 exemplo só para ilustrar a BragaParques de Rodrigues e Névoa...que se passa em relação áquele caso em que dizem tentaram corromper o vereador Sá Fernandes em Lisboa??"Lá vai vai até a barraca abana"

Abraços

O TOIRO disse...

Ui que marrada (Braga Parques !...)
Até fujo como o Diabo da cruz...

DÍvidas? .. e a Câmara de Coimbra?
Olhem que já quiseram ir duas vezes ao vencimento dos funcionários !?.. Até aqui se soube, caraçasd !

victor simoes disse...

O que se passa nas Câmaras é o espelho em que o País se encontra mergulhado de à muitos anos, será de louvar um controlo governamental, mas não se esqueçam do próprio Governo, empresas públicas, tudo o que meta políticos, tem que ser observado por gente independente, para que se acabe de vez com as escandaleiras, que todos os dias vêm à praça pública!

Rosa Santos ( Lisboa ) disse...

Estamos no país dos pequenos caciques, que governam autarquias como se da sua quinta se tratasse, só que o dinheiro, é o do erário público... a seu belo prazer esbanjam e apadrinham entiados, primos,amigos e familiares tudo ao tacho, mas como já aqui foi referido, a limpeza deve também incluir o Governo, seja quem fôr, porque não criar uma entidade fiscalizadora em que gente independente e de comprovada honestidade, possa impedir que Portugal continue a saque por gente sem escrupulos e à margem da cidadania?

david santos disse...

Boa tarde, João.
Este seu texto,ainda que "pique" em algumas pessoas, muitas, infelizmente, é uma realidade da primeira à última frase.
Durante alguns anos, por acaso poucos, eu exerci a actividade de Gestor judicial. (isto só para lhe dizer, meu caro, como os partidos políticos, nomeadamente, PSD, PS e CDS transformam os seus militantes em caciques e dominadores autárquicos.)Certo dia, um Juiz cá do Tribunal da minha área convidou-me para pôr em marcha um Processo de Recuperação a uma média empresa. Uma carpintaria mecânica. Isto que vou dizer é verdade, passou-me pelas mãos. Como é normal nestes casos, a situação de entradas e saídas de dinheiro é a primeira coisa a ser atacada. Após algumas semanas, poucas, a Auditoria apontava para situações menos idóneas, não eram muitas, felizmente. Mas houve uma factura da carpintaria passada a um clube de futebol que me chamou à atenção. Registava 1400 contos. Este dinheiro jamais entrara na empresa. Bem, fui junto do contabilista saber do que se tinha passado com aquele valor. O homem, muito correcto, diga-se, respondeu-me ter sido uma venda à equipe de futebol local. Uma mesa.
- Quero ver essa mesa, posso? - perguntei ao contabilista.
- Claro! - respondeu ele - levo-o ao clube.
No dia seguinte, com a boa vontade do contabilista, lá estou eu no clube a ver a tal mesa. Eu, por ignorância, estava a incorrer numa ilegalidade, só mais tarde é que vim a saber que a minha função nada tinha com o este caso, mas como há uma manta que cobre e outra que descobre, pumba! Deve ter sido o que aconteceu. Adiante, a mesa, eram duas tábuas lisas, com quatro paus nas pontas, nem mais nem menos, 100, 200 escudos de valor, nada mais. Como é normal nestes casos responsabilizei a pessoa da área financeira, que por acaso até era o contabilista.
- Não, senhor - respondeu ele - aquilo foi feito com a conivência da entidade patronal para o presidente do clube chegar a presidente, não só do clube, como da junta de freguesia.
- Como!? - interroguei, pasmado.
- Sabe, senhor - respondeu ele - isto funciona assim: há alguns empreiteiros e algumas fábricas que passam assim uma facturas a clubes e outras instituições, estas legalizam a suas saídas de dinheiro e os nossos, veja-se, nossos, candidatos reúnem verbas para fazer as campanhas e por essa via ganhar as eleições. Não podemos arriscar. De outra forma, os comunistas até podiam tomar isto, quem sabe!?
- Ah! Isto é assim? - perguntei eu, papalvo!
- Oh! Estou mesmo a ver, o senhor não sabe como isto funciona!
- Não, não sei!
- Mas é mesmo assim - volta ele - há empreiteiros que facturam umas calçadas, outros que facturam uns arranjos nos balneários do clube, enfim, cada um apoia como pode, a junta, o clube, a santa casa e... é que pagam.
Bem, vou acabar. O rapaz que se tornou presidente do clube, na altura um clube da segunda Nacional, por acaso, com algumas tradições, está agora na terceira distrital, veja-se a difença, mas, como ia dizendo, o rapaz chegou a presidente da junta, por acaso, ainda lá está, foi o único a subir de divisão, continua a ser o primeiro lá do sítio, presidente da junta, claro está.
Conclusão: o único que subiu foi o cacique forjado no interior do partido. O resto ficou de rastos.
Um abraço, João. A 100%

Lâmina d'Água, Silêncio & Escriba disse...

Amigo João!!!

estou sem meu computador e por essa razão, tenho estado ausente, mas sempre que posso, passo para te ler. Também leio teus emails e se eu não comentar, é pela minha atual dificuldade para isso e deverei estar de volta em poucos dias!!!

Beijinhos querido e te agradeço por tuas visitas que muito me agradam. Obrigada e apareça sempre!!!

Cris

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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