28 setembro 2006

QUE GENTE!

Vou ficar por aqui em tudo que diga respeito à citação do Santo Padre. Não devo voltar a falar neste assunto. Por isso, aqui vai a minha despedida em relação a tal caso:
O nosso instinto ditador pode andar por muito tempo sossegado, mas, ainda que demore, um dia lá chega.
"Somos" como os "gatos caseiros", "felinos", andam sempre muito bem, mas, algum dia, lá vem a "arranhadela".
A discussão em redor da citação de Bento XVI "encurralou-nos" numa de "ditadores", sem que nenhum de nós, pelo menos a maioria dos que o criticaram, se tenha apercebido. «Ele tinha de se sujeitar a regras. Pois, nós as impusemos, ou tentámos impor sem o mínimo de contemplações. Ele é Ele, logo, tem de fazer meditações, não pode ser "um qualquer".» Mas nós podemos, porquê? Não estaremos, ainda que inofensivamente a limitar a liberdade a alguém? Impondo-lhe, não estaremos a mostrar o quanto temos cá dentro de ditadores?
«Nós somos os maiores!» Ninguém duvide! Pois podemos dizer tudo... e os outros!? «Não.» «Nem pensar!» Os outros têm muita respasabilidade. Não devem dizer certas coisas.
Até podem citar e, até, quem sabe, opinar, mas agradar a todos!...
Que gente, meu Deus, que gente!

11 comentários:

Conceição Bernardino disse...

Meu caro,
afinal ainda vivemos na idade Média onde o clero domina tudo.
Um abraço

Conceição Bernardino

João Titta Maurício disse...

Ah sim?!? Não sabia... já agora, por curiosidade, sabe dizer-me onde?!? A não ser que esteja a falar do clero islâmico... porque cá, nesta nossa linda "paroquiazinha" à beira-mar plantada nunca se notou tal e desde há muito que César e Deus se apartaram de responsabilidades e preocupações! Foi cada um às usas... apenas partilham os sujeitos ou destinatários!

Quanto à Idade Média, já estava na altura de aprendermos todos um bocadinho de História. É que continuar a debitar erros graves, apenas porque que nos ensinaram, é desconhecer os motivos por detrás de tal propaganda jacobina e protestante. E ser um colaboracionista!
Mas que se há-de fazer?!?

João Titta Maurício disse...

sxudrtgmSó mais uma coisinha sobre o (infelizmente por errados motivos) famoso discurso de Regensburg, intitulado "Fé, Razão e a Universidade". Este, como é óbvio para quem o ler, não tinha como tema central ou fundamental o islão. Nele SS, o Papa Bento XVI, antes continuava a sua já antiga "quest" contra o relativismo ético típico do mundo moderno ocidental. Mas, acrescentado-lhe agora o combate contra os fundamentalismos religiosos. Bento XVI compromete e avança as suas "tropas espirituais" numa "guerra" em duas frentes: no Ocidente contra o materialismo científico (defensor de que a ideia de Deus é um disparate) e a oriente contra os fundamentalistas religiosos (para os quais Deus transcende a Razão, e apenas pode ser conhecido pela Revelação constante da Bíblia ou do Corão). Como se pode alcançar a concórdia se os "materialistas" excluem a Fé (assim negando o Divino) e os crentes excluem a Razão (pois Deus é uma transcendência absoluta e a Sua vontade não é condicionável ou limitável, nem sequer pela Racionalidade)?!?
Bento XVI assume a necessária (mas gigantesca e imensamente perigosa) tarefa de as confrontar, negando validade a ambas, pois «Deus é um ser razoável, de bom senso». Pergunta o Papa: «A convicção de que uma atitude não razoável, vazia de bom senso contradiz a natureza de Deus é apenas um conceito grego? Ou é uma verdade permanente e intrínseca?» Confrontando a proposta da Igreja Católica com as das igrejas reformadas (que filosófica e teologicamente propõem uma "des-helenização" do cristianismo, pois - defendem - «a síntese [do Cristianismo] com o Helenismo, alcançada desde os primórdios da Igreja, resultou numa primeira aculturação, a qual não deve servir de limite noutras culturas [cristãs]». Bento XVI assume uma firme oposição e afirma que não foi fortuito o momento escolhido pela Providência de Deus para a Verdade revelada pelo mistério da Encarnação, pois esta aconteceu num tempo específico de desenvolvimento intelectual da Humanidade e num espaço que possibilitou a fusão entre a Profecia judaica e a Razão helenista e ao reconhecermos isto conseguimos tornarmo-nos capazes de estabelecer um genuíno diálogo entre culturas e religiões, de que o mundo tão urgentemente precisa.
Assim, ao invés de criticar os muçulmanos, Bento XVI afirma que os causadores desse impasse no diálogo entre religiões são aqueles que, no Ocidente, sustentam que «apenas a Razão positivista e as formas de filosofia nela baseadas são universalmente válidas», pois as culturas profundamente religiosas vêm nesta universalidade da Razão que exclui o divino um ataque às suas convicções mais importantes e profundas.
Para Bento XVI (como também o era para João Paulo II) o Cristianismo é uma fusão entre e Fé e a Razão, e, como tal, é um pilar formador do carácter distintivo da Europa: «esta convergência, com a subsequente adicção da herança Romana, criou a Europa e mantém-se a fundação daquilo a que correctamente se pode designar Europa».
Daí o porquê da inadmissibilidade da Turquia na UE e da urgente renovação espiritual da "velha" Europa.

david santos disse...

João Titta Maurício, Um grande abraço. Mesmo dos grandes, pode crer.
Já estive, dentro do possível, claro está, apreciar algumas passagens do texto em que as críticas que me dirige, embora aceitando-as com prazer, parecem-me fora de sentido em relação ao está exposto no meu texto.
Será mentira que o Santo Padre foi sujeito a críticas injustas e, com algum desplante? Não apareceu por aí quem quisesse impor-lhe pedidos de desculpa e, em alguns casos, como devia falar? As pessoas que assim pensam, o que são, não são ditadores?
Pois o meu texto apenas diz isto, nada mais.
Leia, se me faz o favor, mas considere as frases entre aspas de outra origem, não minhas.
Ah, é mentira que todos nós, bem ou mal, não interessa, podíamos dizer o que nos viesse à cabeça, mas ELE não? Isto não seria uma forma de limitar a acção do Santo Padre?
Pois as únicas coisas que eu quero dizer são apenas estas, mais nada.
O Santo Padre não cometeu nehnum crime, por isso, não precisa que o defendam. Aliás, digo isto em alguns órgãos de comunicação de ontem, quer em órgãos portugueses como estrangeiros. Mas quero que acredite, porque é verdade, o Santo Padre não precisa que eu o defenda, Estou do lado DELE, mas podia não estar. Só que neste caso estou de alma e coração.
Um grande Abraço João. Apareça sempre. Faz-me andar por aqui à volta de livros em que não pego há muitos anos, mas adoro, posso-lhe garantir.
David Santos

david santos disse...

Amiga conceição,
o meu texto tinha como objecivo criticar alguns críticos, que me pareciam estar a querer mandar calar o Santo Padre. Como não gosto de ditadores, aí a minha exposição, só por isso, nada mais.
Um grande abraço:
David

Conceição Bernardino disse...

meu caro amigo, peço desculpa pelo comentário mas não foi minha intenção provocar ninguém eu sou uma crente devota em Deus.
O que eu quis dizer é que o clero e não é mentira comanda o sistema por isso a razão de tantas guerras religiosas sem foi minha intenção ofender o PaPa apesar de não ter concordado com as palavras dele.

Desculpe,
um Abraço
Conceição Bernardino

MRelvas disse...

Eu concordo com o João Titta Maurício.Compreendo o que o David ainda dizia hoje,ou ontem, no seu texto no JN.Nada acrescento,para além da minha objctividade em tentar melhorar Portugal.Um país que chegou ao que chgou...

Perde as suas raízes no conforto da negação do seus valores!
abraços

david santos disse...

Um abraço, amigo Relvas.
Sabe uma coisa?
Não sabe, mais eu vou dizê-lo.
"Perde as suas raízes no conforto da negação dos seus valores"
Tal e qual, amigo Relvas. Era mesmo isso! Deixa-me que lhe diga uma coisa? A sua frase foi muito feliz. Raramente, mas muito raramente, nós, que escrevemos, passamos a vida a escrever, temos a sorte, porque é de sorte que se trata, concluir um texto de mais de 2000 caracteres com uma frase simples. Foi mesmo isso que eu disse; ou melhor, era isso que os meus textos publicados em alguns órgãos esta semana diziam. Era isso que os textos continham. Não eram as pessoas, eram as atitudes. Deixe-me agradecer-lhe mais uma vez e, de seguida, repetir a felicidade que o Relvas teve em encontrar tão brilhante frase e a alegria que me deu. Escrevo e leio há muitos anos, mesmo muitos, pode crer, mas raramente vi análises que me dessem tanto prazer. Não sei se o meu amigo Relvas é novo ou velho, mas seja o que for, deve pensar muito a sério em literatura. Aquelas análises não nos surgem por acaso. Não importa que escreva mal ou bem, importa que queira de facto. Porque se quiser, pode-lhe faltar o escrever bem ou mal, mas o fundamental, o sentir, o Relvas tem-no dentro de si. Muito obrigado.

João Titta Maurício disse...

Meu Caro David Santos,
Devolvo este abraço (e os demais que ainda não tive a oportunidade de agradecer).
Rapidamente um comentário ao seu comentário a um texto meu que não era um comentário ao seu. Confuso? Tem razão de estar, porque eu também fiquei quando li este seu comentário. Eu li o seu texto deste post, não discordei, fui consultar os comentários e encontrei o da Senhora Conceição Bernardino e resolvi comentar. Depois, porque tinha escrito umas coisas ontem enquanto esperava a minha mulher, resolvi acrescentar um segundo texto que é uma tentativa de clarificação do conteúdo do texto do Santo Padre. Tão só. De facto nem li nada anterior a este texto, pelo menos nos 2 ou 3 dias anteriores (coisa que vou fazer depois). Nessa medida, porque não há sequer propósito de comentar ao seu texto não percebi o seu comentário ao meu texto que não comentava o seu. Será que está mais claro?. Espero que sim, porque se nunca procuro animosidade com ninguém, muito menos teria razões para a ter para consigo.

Mas, comentando o seu comentário, parece-me que aqueles que exigiam um pedido de desculpas do Santo Padre devem ser divididos em 2 grupos (e não estou a pensar em ninguém, porque, repito, nem li os textos anteriores), a saber: os ignorantes (porque não leram, ou se leram não compreenderam o discurso e, por isso...) e os com má fé (porque leram, poderiam ter comprendido, mas, por princípio, como vem de alguém da Igreja - para mais o Sumo Pontífice - e, por isso, atacam porque sim)! Claro que poderíamos acrescentar os cobardes, aqueles para quem as desculpas sem razão são justificadas porque nunca perceberam que não há Paz sem Justiça, que os violentos não se comprazem com as cedências dos cobrades, a quem desprezam com toda a força.
Mas se lhes quiser chamar "ditadores", oh homem, esteja à vontade. Até lhes pode chamar o que quiser pois a maioria, porque não percebe (ou não quer perceber), nem se importa!

Um grande Abraço também para si David e acredite que o esforço por dialogar com elevação é compensador... e, no nosso caso, mútuo!

Cumprimentos.

João Titta Maurício disse...

Senhora Conceição Bernardino,
Permita-me que se lhe dirija e o faça, com o máximo de educação devida a todos mas mais deferente porque em relação a uma Senhora.
Dito isto, reparou como a sua linha de argumentação é titubiante e errática? No seu primeiro comentário «o clero domina tudo», mas no segundo, não recua no ataque ao clero (católico, claro), mas - porque confrontada com uma resposta em defesa de Bento XVI - suaviza, tentando excluí-lo da crítica ao clero do qual ele é o Sumo Pontífice!?!
Depois, afirmar que «o clero e não é mentira comanda o sistema por isso a razão de tantas guerras religiosas» é passar de uma acusação (absoluta) geral num tempo incerto, para uma acusação (relativa) geral num tempo incerto. Isso é, com todo o respeito, "batota intelectual" porque é uma acusação tão difusa que tudo cabe, em todo o tempo e ninguém se pode defender porque não se sabe do que se é acusado em concreto.
De que guerras está a falar? De que clero? De que época?
Sem querer colocar nas suas palavras intenções para as quais nem sequer vislumbro razão, admitamos que se estava a referir ao presente e ao coitado do (sempre mau, sempre culpado) Presidente George W Bush. Não conseguiria ver como relacionar (ele ou as suas decisões com a Igreja Católica ou Bento XVI). O Presidente Bush é membro de uma congregação cristã que não reconhece nem o clero nem a autoridade do Bispo de Roma, pelo contrário. Por isso, nunca compreenderia de que clero estaria a falar quando diz que eles são «a causa de tantas guerras religiosas», pois não sendo o Católico, desconheço que outra denominação cristã ou que outra religião tenha adoptado um modelo de organização hierárquica como este. E, por isso, não sei como sustentar a sua afirmação.
Por outro lado, no caso do Islão, só o nosso profundo, repito, o NOSSO (todo o Ocidente enquanto civilização e cultura específicos) profundo desconhecimento sobre a religião fundada por Maomé, os seus ensinamentos e a sua diversidade (profundamente antagónica e violenta) de credos e sem hierarquia.
Como vê, torna-se impossível perceber a quem, quando e como se destinam os seus comentários. Se (querendo) fizer o favor de tornar mais concretas as suas acusações, tentarei (na medida do que me for possível) ajudar (com os autores deste blog e demais pessoas que por aqui também apareçam) a compreendermos um bocadinho melhor o problema.

Com os melhores Cumprimentos,

david santos disse...

À Conceição, João Titta Maurício e Relvas junto os meus sinceros agradecimentos pela contribuição que deram ao melhoramento do meu Post "QUE GENTE!" Agradecer-lhes também, não só por estarem relativamente perto de opiniões semelhantes às que defendo mas, sobretudo, por aquelas em que não estiveram. É assim que nos cultivamos mas, sobretudo, nos amamos. Para todos, além dos meus sinceros agradecimentos, até sempre.
David Santos

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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