08 outubro 2006

Atritos entre várias forças policiais


Nas notícias de hoje, despertaram-me a atenção atritos entra as várias forças policiais. O problema é muito antigo e não foi por mero capricho que a GF (Guarda Fiscal) foi integrada na GNR. Agora está também em causa a deficiente coordenação entre GNR, PSP e PJ, havendo que, ao procurar descobrir as causas, não esquecer que dependem de tutelas diferentes. Na realidade cada uma das forças pretende cumprir com o máximo de eficiência as suas tarefas para que o seu trabalho seja apreciado pela tutela. Mas nessa ânsia de fazer bem, em benefício da segurança da população, interferem, certamente, involuntariamente, com as operações planeadas pela outra força. Por exemplo, a PJ, a fim de apanhar de uma só vez todos os elementos de uma quadrilha, vai colhendo dados para daí a uns dias lhes deitar a mão, mas, entretanto, agentes da GNR ou da PSP obtêm dados que consideram suficientes e detêm todos ou parte desses elementos. O País pode não sair lesado da operação, mas a PJ sente-se frustrada vendo todo o seu esforço ir contar pontos para os outros. A inversa também é verdadeira.

Poderá dizer-se que isso não aconteceria se tivesse havido ligação prévia informando sobre esse alvo e se houvesse colaboração . Isso iria contra as normas do segredo (que é a alma do negócio) e que exige que o número de pessoas com conhecimento do assunto seja reduzido e limitado apenas aos que têm «necessidade de conhecer». Por outro lado, a dependência de tutelas diferentes dificulta essa ligação e a conveniente coordenação, o que exigiria um chefe comum com quem cada força despachasse.

Nisto, como em qualquer organização ou reorganização, há que elaborar uma lista exaustiva de tarefas do conjunto, depois, agrupá-las segundo as suas características e afinidades e, por fim, atribuir cada grupo de tarefas a um dos sectores, neste caso, a uma das forças. Evitava-se o inconveniente de uma se intrometer no campo de acção da outra. Evitava-se a corrida aos louros deitando mão ao criminoso antes que a outra força o detivesse, como estava a preparar. A competição e a consequente desconfiança e deficiente colaboração, consomem meios e reduzem os resultados de conjunto. Porém, não se podem atribuir culpas a essas forças mas sim ao sistema existente, que é da responsabilidade dos políticos, nomeadamente dos ministros e secretários de Estado que tutelam as forças e que, também eles, querem «puxar a brasa à sua sardinha».

3 comentários:

MRelvas disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
MRelvas disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
MRelvas disse...

Caro A.João Soares,é efectivamente um tema que me é muito caro.Sabe isso...Voltarei a ele em breve.Já tinha posto um comments,mas voltarei a este tema em profundidade mais para a frente.Deve tê-lo lido no recibo de envio de e-mail da vozdopovo.

Um abraço
MR

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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