04 outubro 2006

TLEBES - A Salvação do País?

Quase que se integra no tema da semana!!!

Estavam os portugueses muito quietinhos a tentar perceber o que se passava na cúpula da Liga de Futebol e qual o desfecho do caso Gil Vicente, quando lhes foi apresentada a inesperada anedota do TLEBES (Terminologia Linguística para o ensino básico e secundário).

Não sei nem pretendo vir a saber as novidades que essa anedota muito ‘intelectual’ nos traz. Diz-me a experiência que as inovações ‘um tanto ou quanto loucas’ não se aguentam por muito tempo e, por isso, não devemos dar-lhes muito espaço na memória RAM nem no disco rígido do cérebro. É curioso como o raciocínio me levou para a informática! Esta e o seu conhecido ‘produto acabado’, a Internet, baseiam-se no sistema numérico binário, isto é, o mais simples possível. Na linguagem virtual, os jovens estão a usar e a abusar de palavras resumidas a duas simples letras, no máximo – bj, k, qd, qq, rs, tb, vc, ...

São sinais expressivos de que a tendência realmente inteligente conduz-nos à simplificação da vida. Quanto mais simples são as coisas, mais apetecidas se tornam. Tanto na arte da relação e da comunicação como na técnica. Vão muito longe os tempos em que, nos carros, para fazer uma mudança, era preciso utilizar dupla aceleração e duplo golpe de embraiagem, mas hoje a tendência é para simplificar ao simples uso do acelerador, sem embraiagem.

Enfim, tudo corre para a simplificação, excepto alguns dos nossos ‘intelectuais’ que se envaidecem a ‘lutar contra os irreversíveis ventos da história’ (Lembram-se destas palavras? E do contexto em que eram utilizadas há quatro décadas?). Agora, os ‘eruditos’ já não dizem grave, dizem gravoso, e outras coisas assim, mostrando a sua aversão à simplificação racional.

Fazem lembrar os discursos herméticos de um ex-PR que, no dia seguinte, tinha dificuldade em explicar depois das críticas e interrogações da comunicação social, aquilo que tinha pretendido dizer. Há que ter presente que comunicar é entregar ao outro ideias em condições de ele receber, isto é, simples e perceptíveis.

Hoje, fala-se e escreve-se mal o português e não é com o TLEBES que esta situação melhorará. Não sei a diferença entre um «nome argentivo», um «nome de qualidade» ou um «nome epiceno». E porque terei de dizer um «determinante artigo»? e porquê um «designador rígido» ou um «quantificador universal»? Como as boas maneiras me impedem de lhes chamar um «nome epiceno» obsceno, ou «argentivo» ofensivo «de qualidade» indecorosa limito-me a dizer que estes ‘eruditos’ precisam de uns valentes golpes de «catáforo», dados por musculoso «quantificador universal» a ver se adquirem «coerência-pragmático-funcional».

Daqui por cinco anos voltaremos a conversar sobre esta anedota. Talvez então ainda alguém se lembre destas inovações merecedoras do prémio Nobel! Entretanto vou continuar a praticar mentalmente a divisão de orações que muito me tem ajudado a procurar estruturar correctamente as frases.

5 comentários:

david santos disse...

Ó meu amigo, João Soares. Primeiro os meus cumprimentos. Segundo, ainda não sei por onde lhe pegar. Vai ser bonito, vai! Numa escala de 0 a 100, vou ver se consigo um 6 ou 7, e já me posso dar por feliz. Vou trabalhar muito, eu sei, mas tenho que conseguir um daqueles valores para chegar à segunda fase, senão... Bem! Nem vou olhar mais para o texto. Vai ser trabalho para todo o dia de amanhã. Ainda bem que não é sexta 13, senão...Vou tentar, amigo, vou tentar! Mas está muito escuro. Bem, também se for preciso, o texto volta a ser postado. Pois eu estou muito temeroso, ainda não sei como lhe pegar.
Um abraço, João. Vamos ver...
Só de si, caro João.

A. João Soares disse...

Amigo David, vale mais tarde do que nunca, mas o senhor não me parece pessoa para adiar muito. E não me venha com liberdades poéticas a falar de 6 ou 7. Creio não estar em uso na VOZ dar notas. Isso era com o Marcelo Rebelo de Sousa noutros tempos! Já aqui, noutro comentário, fiz uma lista de sub-temas no âmbito do ensino que merecem ser tratados com alguma carinho. Pode escolhr um e arregaçar as mangas.
Cá o espero.
Um abraço

A. João Soares disse...

Insiro este comentário do meu Amigo JPReis, a quem não foi possível inseri-lo aqui mas que mo enviou por e-mail

Meu caro João Soares,
Acabo de ler o seu artigo publicado na Voz do Povo, " blog".
Concordo totalmente com os seus comentários sobre a "nova" " gramática" dos " intelectuais" que somos obrigados a suportar. Portugal hoje é o exemplo daquili que não se deve fazer.Por isso estamos na cauda da U.E.
O que mais irrita é "eles" cultivarem a estupidez...
E dizem-se "eles" - democratas. Eles são pequenos ditadores que nos querem impor a sua mediocridade e que não respeitam o povo.
Um abraço.
JPR

NOTA: Proponho ao Amigo Víctor Simões que abra novamnte o espaço para comentários aos visitantes. Quero convemcer-me que os brincalhões de há dias já aprenderam a lição que lhes foi dada.
Um abraço

MRelvas disse...

Caro A.João Soares...vou-lhe contar...gostei,sim!
A classe política,o novo-riquismo,os novos doutores...
Para lá do texto que acho fantástico e opurtuno (temática) vou-lhe contar esta.Eu,que era o responsável pelo núcleo de Braga da APPDA-Norte (Autistas),tive algumas,poucas reuniões com autarcas...Verifiquei que se tratavam por drs mediante os "cargos" que ocupavam,sem o serem nem de perto nem de longe,alguns... meus Deus,como é triste...Bem deixo-lhe só este pequeno ponto que penso um dia divulgar com objectividade.

Relembro que hoje é dia da República proclamada há 96 anos por JOSÉ RELVAS...estará carcomida esta república? ou não tem a haver com o republicano ou monárquico,ditadura,ou democracia?!

Qual o regime ideal,ou neste caso menos mal (relembrar Churchil)?Uma boa temática...quem sabe!

A propósito sou concordante com a abertura do blog ao "público".Aparecem sempre nos blogues intrusos no mau sentido,mas é a consciência de que temos visibilidade e até incomodamos os mais diversos sectores.
Aguentemo-nos à bronca!

Um abraço
Mário relvas

david santos disse...

Boa tarde, amigo João. Depois de concordar com o texto na sua totalidade, gramática e dicionário ao lado, não custa nada e foi para isso que foram feitos, ajudar-nos a escrever bem. Ah, já agora aproveito para informar a nossa equipe do facto. Mas João, João! É duro! E se alguma coisa me escapa não é por falta de esforço para merecer os tais pontitos... Mas quais eruditos? Talvez o João não lhes quisesse chamar demagogos? Acho bem, palavras eruditas para nao eruditos puxarem pelo espírito. Ah, já me ia esquecer outra vez. Quanto ao livro de frases, onde o João vai buscar apoio, pois penso ser um livro de 1158 páginas da Porto Editora, aproveito, embora sem autorização do João, par o aconselhar a toda a nossa equipe. Assim, quem sabe, não venhamos a ser os melhores da net. A escrever bem, claro está. Ufa! Nao sei se o João me dá os pontos, mas digo-lhe sinceramente, pelo esforço merecia-os.
Um grande abraço.
Até sempre: david santos

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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