07 outubro 2006

O Mundo amanhã


Em conversa num encontro ocasional, depois de alguns lamentos acerca de casos actuais, a Carolina disse que devemos estar à beira de uma terceira guerra mundial. Ou por pensar que esta senhora estivesse informada da dinâmica das relações internacionais ou para lhe lançar um desafio, perguntei: que guerra, de que tipo? Não lhe foi fácil alinhar alguns elementos de resposta. Toda a gente gosta de citar frases e livros recentes. Mas, na realidade cada frase, cada livro se baseia no passado, naquilo que poderia ter sido verdade ou ficcionável numa data já extinta.

As guerras têm sempre começado no ponto de evolução em que terminara a guerra anterior. Foi o caso da Segunda Guerra Mundial que foi iniciada com os canhões e os aviões rudimentares do fim a Primeira, depois passou pelas bombas-foguete V1 e V2 e terminou com os bombardeiros de longo raio de acção e as bombas atómicas de Hiroshima e Nagasaki. Passou já mais de meio século e as pequenas guerras locais e regionais de «fraca intensidade» têm evidenciado elevado grau de evolução dos meios, das tácticas e das mentalidades.

Como será a próxima guerra? Que meios mostrará no seu início? Aviões lançados contra torres de escritórios? Bombas em comboios ou metropolitanos? A guerra das estrelas? Provavelmente não haverá guerras com meios materiais dado que as «experiências» não têm sido concludentes – caso da Somália, do Afeganistão, do Iraque, do Líbano.

Não deve ser menosprezado o valor de uma nova «arma» - a da informação – que tem como suporte a informática e a Internet. Nas Filipinas, o Presidente Estrada foi derrubado por manifestações sucessivas convocadas sobre a hora por mensagens nos telemóveis com local e hora e o slogan a gritar. Os húngaros estão a criar sérias dificuldades ao primeiro-ministro por meio de manifestações «pacíficas». Em França, já por duas vezes em poucos meses, a juventude mostrou, de forma bem visível, não concordar com medidas governamentais. Em Portugal, juizes, policias, professores, etc., têm apresentado nas ruas grandes massas de descontentes.

Há poucos anos, a comunicação social tinha muito poder, havendo quem lhe chamasse o 4º poder, mas hoje, com as suas carências financeiras e dependência da publicidade do Estado e das autarquias, perderam a acutilância e a independência. Em compensação, a Internet está a ganhar força. Pesa sobre os ombros dos participantes em blogues uma grande responsabilidade moral e social no esclarecimento das pessoas e no impulso para a reflexão sobre as suas responsabilidades e potencialidades democráticas. Não é por acaso que acontece aquilo que um nosso colega relatou de Bruxelas, onde encontrou muita gente visitante e entusiasta do blogue A VOZ DO POVO onde depara com opiniões diversas que dão uma panorâmica do pensamento popular.

A próxima «guerra mundial» pode muito bem ser um conflito generalizado de ideias que derrubem e substituam governos autoritários, abusadores do poder, corruptos, depredadores do dinheiro público, sem uma franca adesão da vontade popular. Não pode deixar de se pensar no que se passa em Cuba, Venezuela, Brasil, Angola, Birmânia, Arábia Saudita e Muitos países africanos, etc., etc.

A capacidade de expressão aliada à utilização da Internet constitui a maior arma do Mundo de amanhã. É preciso saber utilizá-la com coragem e sensatez.

8 comentários:

david santos disse...

Àh, João, João! Adoro tudo que escreve. Mas mais adorava ainda que o futuro das guerras fosse o das ideias.
Pode ser! Quem sabe!? Mas seria bom, muito bom... Vamos ver, talvez o futuro seja mais risonho para os vindouros que aquele que andamos agoirar.
Um grande abraço, amigo João Soares.
Até sempre: david santos.

Mário Margaride disse...

A sensatêz das ideias, e da racionalidade. Terão que forçosamente que se opôr, à força das armas.
O ser humano, é um ser pensante. Por isso, tem obrigação de usar a inteligência, em vez do uso das armas.
Vale mais, a força da razão, do que a razão...Da força.
Um abraço: Mário Margaride.

MRelvas disse...

A informação (media) está dependente das receitas...como o amigo João Soares melhor que ninguém o diz.Por tal depende do orçamento do estado.
Quando falo em AP (acção psicológica) revelo que sempre foi importante a informação àos militares,forças de segurança e sobretudo ao povo.De tal forma caro amigo A.João Soares que trabalhar a mente já tinha um ministério no III Reich,o da propaganda de Goeballs(Será que cá não temos actualmente um?).Realmente o controle das massas,a informação,desinformação, ganha consistência nestes meios globalistas e que qualquer um acede...
Mas meus amigos a faca tem dois gumes...há quem consiga em tempo real verificar o que se está a passsar no pc de outro (credo o que estou a dizer!).Sim hoje as coisas já não funcionam à base de Hercules Poirots,MI5,outros espiões de modo tradicional e elegante,mas sim com a ajuda do meio informático.Consequentemete da net.A denúncia deve-se fazer sempre (revelar o que está mal).Em todos os meios,mesmo que pela net abranja uma população de tal maneira vasta,mas que não se pode controlar por blogues; sómente...há mais condicionantes para ajudar.Há campanhas...Sim A. João Soares,a net é espiada e serve para tudo,até para o terrorismo!


Um abraço

Mário relvas

MRelvas disse...

Aviso aos amigos que nos visitam que se podem registrar no Google Account...só assim para já podem aceder aos comments.

Não acredito nisto,mas é verdade estamos bloquedos ao público!Registrem-se ou comentem no aromas,que trarei para aqui!

Caro Victor Simões,reveja a posição da censura!

Afinal de que serviu colocar a questão a votação?Qual foi o resultado?

Um abraço a todos
Mário relvas

A. João Soares disse...

Está provado que resulta!!!
Os meus amigos reagiram a um tema interessante que me surgiu numa conversa depois do almoço. Conheço as técnicas da AP a que se refere o amigo Relvas. A AP é como o ópio do povo!!! Mas só cai na droga quem está mentalmente debilitado. A função dos blogues poderá ser a de esclarecer as pessoas, levando-as a utilizarem o grande capital que possuem, a sua capacidade de raciocinar. Dizia Schopenhauer que ler um livro ou um texto de outro não beneficia o nosso raciocinio, porque, enquanto lemos, somos arrastados pelos meandros do raciocínio do autor e não pelo nosso. Se as opiniões dos outros podem estar erradas, então porque não desenvolvemos a nossa, mesmo sujeita a erros semelhantes? Posso estar errado, mas se me deixar levar na cantiga de um qualquer jornalista ou escritor, também não tenho garantia de estar certo.
Por isso, o mais correcto é raciocinar e filtrar toda a informação que nos chega. Assim, criamos defesas contra a propaganda, as promessas enganosas, as mentiras, etc.
E, depois, se nos organizarmos, até podemos entrar numa de escola contestatária que pode levar à revolução pelas ideias em vez de ser pelas armas.
As ideias são como as cerejas. Paro por aqui antes que venha o tal bloqueio.

MRelvas disse...

Caro A. João Soares,sim a informação é a grande "revolução" de hoje.Chega a todo o lado com uma facilidade!
Temos realmente que filtrar,muito bem,não comermos gato por lebre e ter muito cuidado com a concentração de ideias,mesmo que de pensares diversos, nos sites e blogs.A informação que postamos tem que ser livre e real,porque aquilo que não é coerente é estranho...não acha?
É preciso cuidado,escrever textos significa que estamos a ser constantemente observados...porque não, mais observados se meia dúzia de indivíduos escrevem "umas baboseiras" nos jornais,prejudicam o caminho errante dos seres intocáveis do país,porque não concentrá-los e estarem atentos a um só meio e vao acompanhando-os...Dá que pensar,meu amigo A. João Soares.
Sabe que "caldinhos e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém"...
Medos é que não,quem é verdadeiro não mente!!
Estamos lúcidos e bem pensantes (esperemos)
Um grande abraço
Viva portugal

MRelvas disse...

Quem não tem cão caça com gato amigo João Soares!...

abraço
MR

RS disse...

Por falar nisto (e sobre um post anterior) já podem substituir o link de Loose Change versão francesa pelo da versão portuguesa:
toda a informação aqui!

E caso pretendam um DVD com esta versão (a que passou na RTP), podem contactar-me em:
a-sombra@netcabo.pt

Um abraço,
RS

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Atribuído Pela nossa querida amiga e colaboradora deste espaço, a Marcela Isabel Silveira. Em meu nome, e dos nossos colaboradores, OBRIGADO.

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