04 setembro 2006

Vícios...eis a questão

A toxicodependência é sem dúvida um problema grave dos nossos dias, é preciso encara-lo de frente sem duplicidade.
Não sou contra as salas de chuto, nem me impugno à liberalização das drogas leves, seria uma forma de combater o tráfico e de encher os bolsos de alguns “senhores”.
É um tema muito complexo, falar de “drogas leves ou pesadas” sem me pronunciar sobre a corrupção, o vandalismo, etc. Parece um novelo que se vai aglomerando sem ponta para se lhe pegar.
Somos uma nação de brandos costumes e muito conservadora, os tabus ainda imperam de uma forma religiosa, dissecada pela pronúncia,”fecham-se no segredo dos deuses”... Onde tudo é visto como pecado aos olhos do pecador.
Pois também eu sou muito religiosa dentro da minha fé, mas não posso esconder que a realidade é cruel, frágil e delicada para tanta abstenção de ideias, de auto-ajuda.
Ainda se pensa neste país, que o melhor é fugir do” bicho papão”, sejamos realistas, o tipo de drogas são aos milhares...
Existirá uma diferença assim tão grande entre um toxicodependente de um alcoólatra?
Talvez!
Realmente o vinho é mais económico não dá tanto lucro como a droga, sempre é mais fácil ver alguém beber pelo copo do que injectar-se. Por vezes a bebedeira até tem as suas graças.
Será que a destruição, a desgraça e a morte não são um risco de ambas?
Já me esquecia, reparem que as salas de vinho já existem há muito tempo e parece que têm dado resultado, pelo menos pipos lá não faltam e ainda se pode petiscar uns carapauzinhos de cebolada ou umas iscas de fígado do dia anterior.
- Zé! Traz mais um caneco pá, aqui para a malta!



Conceição Bernardino

7 comentários:

MRelvas disse...

Cara Conceição,é um tópico sobre o qual já escrevi e me bato.O alcool é uma droga inibidora do sistema nervoso central.É a droga mais comum e mais trágica em Portugal.É um óptimo ansiolitico para "hoje",no entanto no dia "seguinte" as pessoas continuam com o problema que já tinham e acrescido de outro,a ressaca...
Para lá disto td ainda temos marcas de cerveja incitando os jovens ao consumo.Vejamos o patrocínio da selecção nacional de futebol,os patrocínios ás festas e semanas univrsitárias...
Quanto ás salas de chuto escrevi há pouco tempo que "deveriam" existir salas de chuto para alcoolicos,dando-lhes alcool grátis de substituição...não é o que fazem nas salas de chuto,dando uma droga que dura o seu efeito mais tempo em vez da habitual.A realidade é outra,o toxicodependente não é tratado e vai lá quando não tem droga,e até por vezes consome em conjunto.Ninguém larga a droga (estou a incluir o alcool) sem férrea vontade e tratamento de acompanhamento.
Eu "sou do tempo" em que um homem era aquele que bebia muito e fumava tabaco.Lembro que em Moçambique havia uma marca de tabaco que tinha o sehguinte anúncio:
"MC o cigarro do desportista".
Neste momento é a Sagres do desportista com a agravante de hoje dar em directo para todos os jovens assistirem na TV.Por tal cada vez amis novos estão alcoolicos,ou bebedores excessivos,a praga que faz haver em Portugal mais de 1 milhão de alcoolicos e bebedores excessivos.Eu por mim vou beber uma gasosa pois já bebi o suficiente na vida!!
Belo tema para discutirmos todos!
Cumprimentos
MR

Conceição Bernardino disse...

Obrigada mrelvas,
de facto é um problema grave dos nossos dias a que muitos fazem proveito.
Mas não estou a ver grandes soluções neste paìs para os alcoolatras.
Será que vivemos num paìs de cegos?

Cumprimentos
ConceiçãoB

Mário Margaride disse...

Concordo cara amiga Conceição, que vício...é vício! Seja ele do que fôr.
De alcool, de droga, de jogo, tenha o nome que tiver. é vício, não é doença.
Porque raparará, quem se droga, bebe, ou joga...o faz de livre vontade. Ninguém lhes impôe que o faça.
Naturalmente! Depois o organismo habitua-se, e fica dependente dessas sustâncias tornando-se numa doença. Isso é evidente!
Mas temos que separar as duas coisas, que são substancialmente diferentes! O alcool, e as drogas, sejam elas duras ou leves.
Porque como saberá, um consumidor de heroína ou cocaína, fica de tal forma absorvido pela substância, que simplesmente parasita deixa de trabalhar! Deixa de ser útil à sociedade! Inclusivé comete crimes para sustentar o vício! E isso com o alcool, só em casos excepcionais, é que acontece. A grande maioria dos alcoólicos trabalham normalmente, e são úteis à sociedade.
E repare cara amiga! Eu na minha família tive um caso de alcoolismo, e esse meu parente, nunca faltou um dia ao trabalho. E como ele milhões!
Compararmos o alcool, com as drogas...é uma comparação, incomparável.

animadverto disse...

Boas.
Sr. Mário Margaride, em certos aspectos o Sr. tem razão, tais como a habituação do organismo; agora se o faz de livre vontade… bem… o conceito de livre vontade é um bocado subjectivo, pois desde o último terço do século XX que a “rapaziada” passou a ter mais ídolos dos que os que tinham nas gerações anteriores. Anteriormente tinham basicamente os pais como ídolos e durante a adolescência, os vícios construíam-se em torno dos vícios dos pais… álcool (geralmente vinho) e tabaco. Desde o ultimo terço do séc. XX (com o aparecimento da TV, liberalização de empresas comerciais, etc.), os ídolos para os jovens multiplicaram-se de uma forma politeísta – cada um com o seu Deus – aquietando cada vez mais o Deus que cada um tem de si fragilizando a cada passo o Ego de cada um, a cada cidadão pertencente a um estado político que governa a seu belo prazer a partir da “caixa que mudou o mundo” (um tema que fica para outra altura, para melhor ser debatido…). Ora então, a partir deste “politeísmo”, os grupos adoptaram novos vícios (os dos seus deuses…); houve então uma maior procura e consequentemente uma maior oferta (na minha opinião é assim, e não ao contrário do que a maior parte pensa) – causa, efeito – o estado politico do “aqui e agora” transforma a sociedade num pensamento de imitação de outras sociedades; a busca de um bem-estar “british”, o capitalismo marxista, a geração do Maio de 68 (será que houve um verdadeiro Maio de 68? Outro tema a ser debatido…), etc. enfim imitar o mais rápido possível sociedades com sistemas políticos e homens pensantes envolvidos em esferas politicas com mais de 2 séculos de existência (Inglaterra por exemplo). O segundo facto em que discordo consigo, é que não se pode falar em casos singulares. O seu parente nunca faltou um dia ao trabalho (resta saber a qualidade de trabalho durante uma ressaca e por aí fora…), ainda bem em certos aspectos. Mas isso faz-me lembrar aquela questão em relação ao presidente que escolheríamos: Um bêbado, teve várias mulheres e fumava charutos. Ou um que não fumava, não era alcoólico e apenas teve uma mulher. O 1º era Churchill e o 2º era Hitler. São casos únicos. Em relação ás salas de chuto, não vai adiantar muito, talvez mesmo nada. Mas o “talvez” tem uma margem de manobra muito grande, e se tiver acompanhamento psicológico, TALVEZ, até tenha alguns resultados.
Mas cada caso, é um caso. Encontramo-nos num ciclo de acções e atitudes indescartaveis – causa, efeito – mais combate à droga, os preços sobem, há mais criminalidade; há salas de chuto, os preços mantém-se, o vício tende a diminuir para determinadas drogas, mas outras aparecem, há mais ídolos, a criminalidade mantém-se; e por aí fora… um grande ciclo. O problema não está na droga. Sempre existiram drogas. O problema está nas pessoas. Por isso digo: Se é para remediar, esperemos que as salas de chuto tenham acompanhamento psicológico. Porque para prevenir… sejamos realistas!

Lílian Maial disse...

Bem, gostaria de tecer alguns comentários a respeito do tópico. Dependência química é um mal que assola grande parte do mundo. Existem drogas lícitas e ilícitas, porém todas, sem exceção, com a mesma história, ou seja, o contato inicial se dá pela busca de prazer, seja para aliviar alguma dor, seja para encorajar para alguma atitude, seja para substituir algum sentimento desagradável de derrota, solidão, impotência diante da vida.
De qualquer forma, a primeira dose é prazerosa, estimulante, satisfatória. E aí é que vem o problema: esse prazer nunca mais é repetido, então o usuário passa a usar doses cada vez maiores, para conseguir o mesmo prazer, o que não acontece, e aí estabelece-se a dependência.
De todas as drogas, a mais letal para a humanidade, por incrível que possa parecer, é a nicotina. E é uma droga absolutamente aceita no nosso meio! É a droga que, além de fazer mal a quem a usa, faz tanto ou mais mal a quem está próximo e exposto aos seus resíduos. E a indústria do tabaco, uma das que mais dá lucro ao governo pela arrecadação de impostos, mantém-se próspera.
O álcool é vendido livremente, e as pessoas discriminam o dependente, como a um vagabundo. As drogas ilícitas, que provocam a destruição do cérebro com uma rapidez impressionante, são mais refreadas socialmente, pelos danos morais que o usuário provoca na sociedade, pela perda absoluta da afetividade e desenvolvimento d epersonalidade psicótica e extremamente agressiva e cruel.
Então, o que resta fazer? Como nos defendermos e aos que amamos dessa praga?
A primeira atitude é encarar a dependência química como doença, e não como uma safadeza do usuário ou do dependente. Quem busca a droga, não o faz de safadeza, mas é compelido àquilo, seja pelos pais que fumam e bebem, seja para aceitação em grupo de amigos, seja pela convivência com a nicotina (que tb causa dependência passiva), seja pq trabalham em ambientes que lidam com as drogas (barman, garçon, etc), seja por fraqueza e busca de fuga.
O dependente necessita tratamento, não punição ou isolamento.
A punição e repressão deve ser ditigida ao traficante e aos que lucram com a permanência do submundo do narcotráfico e das indústrias de cigarros, charutos, cachimbos e bebidas alcoólicas.
A liberação de locais para venda de drogas de forma lícita é uma faca de dois gumes. Podemos voltra a falar nisso em outra oportunidade.
Grande abraço

Conceição Bernardino disse...

Concordo consigo,
Tem uma opinião muito lúcida sobre as drogas que eu concordo plenamente, embora também penso que muitos alcoólatras e alguns que eu conheço tornam-se agressivos e também fazem sofrer as suas famílias. Gastam o ordenado quando trabalham, outros agridem as mulheres e os filhos e os que também roubam em prol do vício.
É um problema muito complexo, que muitos ignoram...
O importante é termos a noção que as drogas todas elas de uma forma ou de outra são muito prejudicais para a saúde e muita gente lucra com isto.

Abraço
Conceição

MRelvas disse...

O ácool é a 1º droga em Portugal.Esta por sua vez põe-os em contacto com as outras,pelo menos na experimentação.Hoje cada vez se bebe mais,os shots são misturas que se bebe em 5 segundos e repetitivamente em conjunto.Os mais novos bebem isto quaze todas as saídas que fazem á noite.Durante o dia consomem cerveja...O alcoolismo transforma-se numa ratoeira muito grande e faz sofrer o bebedor e a família,no ambiente de trabalho e os amigos fogem...
Só quem aceitar isso se poderá tratar.As outras drogas levam a um estado degradante...principalmente a heroína e a cocaína...
Quem tiver filhos ou sobrinhos jovens,acompanhem-os uma vez a uma reunmião de AA ou NA!Ouvirão as mesmas estórias terríveis na boca de pessoas diferentes com consumos diferentes!
Droga é droga,uma mais social, outra mais ilícita...
Quanto ao tabaco não temos dúvidas que é uma grande droga e dá de comer ao estado,mas gasta ao mesmo estado fortunas a tratar cancros,alergias,dificuldades rspiratórias e outras...

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