01 setembro 2006

Nação Unida, para ser poderosa

Recebi há dias um e-mail de um leitor que se referia a uma carta publicada nos jornais e com o qual melhorei as minhas reflexões sobre a dinâmica da sociedade. Andamos sempre a aprender a olhar à nossa volta. Há a tendência de criticar o governo e os políticos em geral e em atribuir os males do País aos «portugueses», como se cada um não tivesse, directa ou indirectamente, culpas naquilo que se passa. Recordo uma definição que aprendi no meu sexto ano do Liceu, já lá vão umas boas décadas que dizia que «Estado é a Nação politicamente organizada, em território bem definido». Portanto, independentemente do regime, na base do Estado está a Nação. Em Democracia, a Nação é a sede da soberania que os cidadãos delegam em representantes eleitos com base na confiança num programa apresentado e na eficácia de um sistema de controlo da sua acção. Para regular em limites convenientes o comportamento dos cidadãos e dos seus eleitos, existem as leis, a cumprir por todos e interpretadas com isenção pelo sistema judicial. A fim de tudo decorrer em benefício da colectividade e não de uns quantos privilegiados, os cidadãos devem cuidar da sua formação e do seu envolvimento nos problemas do País, esclarecendo-se e desenvolvendo a consciência de si próprios e dos seus deveres e direitos.

Porém, infelizmente, o sentido de colectividade e a noção de que os interesses particulares devem ser condicionados pelos verdadeiro interesses nacionais, estão pouco arreigados no nosso povo. Estão agora em objecto de conversas dois casos que o demonstram: o da posição da população de Mirandela face ao encerramento da maternidade e o da atitude do clube de futebol de Barcelos. Quanto ao primeiro caso, em vez de a população do Sudoeste do distrito de Bragança se unir – porque a união faz a força - para defender os seus interesses, verifica-se a existência de fracturas com diversos indivíduos a organizar pequenas manifestações, condenadas ao fracasso. É bem visível a inveja de que Camões falou nos Lusíadas de pessoas que tiram força a objectivos justos, pulverizando querelas com a única finalidade de obterem visibilidade pessoal ou partidária. Os verdadeiros objectivos da colectividade são postergados pela ambição de penacho dos atrevidos egoístas. Coisa parecida se passa em Barcelos, em que, segundo opiniões de populares em frente de microfones das televisões, já não importa o mal que possa resultar para o futebol nacional e para a sua credibilidade internacional, mas sim a vaidade bairrista, local, de não ceder um milímetro na defesa do seu clube e da posição de força da sua direcção.

Quando os interesses da Nação, no seu conjunto, são assim maltratados, pouco há a esperar do País e da sua credibilidade no mundo. E não podem atribuir-se culpas aos governantes se os clubes portugueses forem impedidos de participar em competições internacionais, com os variados prejuízos que daí resultarem para todos os implicados nas actividades desportivas.

Como esclarecer a massa popular de que o seu interesse beneficia com a defesa dos interesses colectivos? Como levá-los a compreender que Portugal é superior às aldeias, aos Concelhos, aos clubes, aos partidos, e é de todos nós e para todos nós?

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